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Prestes a ceder, Andrés dá cartada final; multa e vestiário são trunfos de Carille

Atualizado

As palavras ditas por Andrés Sanchez na entrevista coletiva desta quarta-feira, após a derrota do Corinthians para o CSA, foram mais que um desabafo ou uma cobrança pública a todos envolvidos no departamento de futebol do clube.

O presidente corintiano deu sua ‘cartada final’, uma espécie de última oportunidade para que o time reaja e apresente uma resposta positiva em campo antes que medidas mais drásticas sejam tomadas, como o próprio mandatário relatou.

Apesar de não ser adepto a sucessivas trocas de treinadores e até carregar boa fama no meio em função disso, a situação no momento vai um pouco além da maneira como Andrés Sanchez gosta de comandar.

“A paciência acabou”, afirmou Andrés durante sua tensa entrevista. E não é de hoje. Fábio Carille só não foi demitido ainda por dois motivos: a multa rescisória e o ambiente no vestiário.

Andrés Sanchez tem relado a pessoas próximas sua insatisfação com o trabalho de Fábio Carille (Foto: Reprodução)

O poder do vestiário

Após a derrota para o São Paulo no Morumbi, o diretor de futebol do Corinthians, Duílio Monteiro Alves, já havia avisado que enquanto o relacionamento entre técnico e jogadores estiver andando bem, a tendência é de manutenção.

Nesta quarta, Andrés Sanchez reiterou o discurso. “Se ele tivesse perdido vestiário, se jogadores não quisessem ele, ele já tinha saído”.

Algumas atitudes de Fábio Carille geraram incômodos nos últimos meses, mas o técnico sempre teve os líderes do grupo corintiano ao seu lado. Jogadores como Cássio, Vagner Love, Fagner, Gil, Ralf e Danilo Avelar contornaram os problemas junto aos mais jovens e ‘seguraram a onda’ pela confiança que têm no treinador.

Irritação na cúpula

Na maior parte desses casos, principalmente os mais recentes, o desgaste maior foi com dirigentes. Não é de hoje que as atitudes de Carille e o desempenho em campo têm refletido em irritação por parte de pessoas que convivem e fazem parte dos bastidores do futebol do clube.

Esse cenário não é favorável, mas tem o domínio do presidente. Andrés Sanchez entende que é mais fácil suportar a pressão quando o vestiário está controlado. Aliás, Andrés costuma ignorar até mesmo as próprias opiniões sobre determinados assuntos relacionados ao futebol para não tomar decisões radicais ou unilateral.

O peso da multa

Mas, tudo tem limite. E Carille já atingiu o seu no Corinthians. Demitir o técnico, no entanto, custa caro. A Gazeta Esportiva revelou que a multa de R$ 6 milhões não é fixa e está caindo mês a mês. Ainda assim, é considerada de valor elevado por Andrés Sanchez.

Internamente, se antes a cúpula corintiana bancava continuar com Fábio Carille até o fim do contrato, ou seja, dezembro de 2020, essa já é uma hipótese pequena. Carille está em um momento de provação, e na semana passada Duílio Monteiro Alves reconheceu que não poderia bancar o técnico para o futuro.

Diante da falta de perspectiva de melhora da equipe, o Corinthians passou a considerar novas possibilidades para a próxima temporada, mas entendia que interromper o trabalho antes de término do Campeonato Brasileiro não seria vantajoso.

Agora, nem mesmo essa convicção há no clube. O receio de passar mais um ano fora da Copa Libertadores da América fala alto. Por ora, apenas o fato de existir uma multa rescisória cara segura Fábio Carille no cargo.

Ou vai ou racha

Andrés Sanchez está segurando até onde pode para não ser obrigado a arcar com a quebra de contrato. Não é mais uma questão de preferência, convicção ou forma de agir. A entrevista desta quarta foi a ‘cartada final’ do dirigente.

Se os resultados continuarem não aparecendo e, principalmente, não houver evolução no desempenho, Andrés Sanchez não deve sequer esperar até o final do ano para demitir Fábio Carille.

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