Rafael Marques reitera desejo de ficar e desabafa: “pensei em aposentar”

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Dentre algumas incertezas da temporada 2019 do Figueirense, uma é certa: foi a pior do clube em quase 100 anos de história. Depois de empatar em 1 a 1 com o Operário-PR, no último sábado (30), e encerrar o ano, o olho e o pensamento alvinegros estão na próxima temporada.

O centroavante Rafael Marques, um dos avalistas da campanha de recuperação do Figueirense, é só mais um do atual elenco com o futuro indefinido. Em entrevista exclusiva concedida ao ND+, o experiente centroavante contou que pensou em se aposentar no ápice da crise alvinegra, mas revelou vontade de ficar em Florianópolis (SC).

Rafael Marques, em seu sétimo jogo pelo clube, marcou seu primeiro gol, após assistência de Willian Popp – Foto: Matheus Dias/FFC/divulgação

O cronômetro apontava 43’ da segunda etapa quando, o técnico Pintado, sacou o camisa 9 para o ingresso de Odilávio. Foram quase 8 mil pessoas no estádio Orlando Scarpelli, no último sábado (30), aplaudindo a saída do atleta que, apesar do pouco tempo, conquistou o (carente) coração alvinegro.

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Contratado pelo Figueirense em abril, Rafael Marques fez 28 jogos, anotou seis gols e distribuiu duas assistências. Foi dele o tento que deu, ao Furacão, o título de campeão da Recopa Catarinense, diante do Brusque.

“Eu vim para cá para ajudar o Figueirense a subir à Série A, era o projeto de todos. Eu nunca tinha trabalhado com o Hemerson [Maria] me surpreendi, gostei muito do trabalho dele. Aos poucos fui vendo que era uma equipe concisa, forte, sólida, bem características de Série B. Tudo dentro dos meus objetivos”, relembrou o jogador de 36 anos.

Crise e possível aposentadoria

Depois do começo e passado o entusiasmo, Rafael Marques passou a entender o cenário de outra maneira. Apesar de toda sua experiência, o atleta lembrou que o atraso salarial, no futebol brasileiro, é algo “normal” mas o que foi visto no Figueirense, para ele, foi além.

“Eu cheguei a pensar, se caso as coisas não acontecessem [a permanência], eu pensei em aposentar por não ter mais paciência para essas coisas negativas, essa corrupção no meio do futebol. Isso me desgastou bastante, foi o limite”, admitiu.

Rafael Marsques sai do gramado após queda no gramado no jogo diante do Paraná. – Foto: Matheus Dias/FFC

Rafael Marques ainda teve uma lesão, no ápice da crise no clube, que o afastou dos gramados por quase dois meses.

Foi somente a partir dali que o atleta retomou a “motivação” que o trouxe até a região continental de Florianópolis.

“Aquela motivação que perdi naquele período de WO, foi o que eu falei, eu vi o Figueirense abandonado, eram passos largos para o final do clube, mas o futebol é maravilhoso e, mais que o dinheiro, eu amo fazer isso”, acrescentou.

Futuro incerto no futebol

Mesmo que em uma altura da idade que está mais para o final da carreira que para o início, Rafael Marques conta que, fisicamente, se sente muito bem. Apesar do ânimo e da preparação em dia, ele diz que o Figueirense ainda não o procurou formalmente.

Questionado sobre sua permanência no estádio Orlando Scarpelli, ele admitiu seu desejo em continuar no clube, mas lembrou que precisa saber se o cenário de 2019 não será repetido na próxima temporada.

“Com tudo que passamos aqui o apoio que tivemos de todos os lados, torcedores, amigos, funcionários, eu voltei a ter esperança e voltei a ficar motivado para jogar aqui no ano que vem. A minha vontade, além de ficar, é ter pessoas capacitadas e que não aconteça o que aconteceu em anos passados”, ponderou.

Aprendizado com Clarence Seedorf

Rafael Marques não poupou críticas, mais uma vez, ao citar a antiga administração da Elephant, que ele exemplificou como “câncer” no futebol.

“Desrespeito, ameaça aos funcionários, atrasos, isso eu nunca tinha visto. É o que eu digo, esses são os câncer no meio do futebol, como pode um cara com o histórico que tem [ao referir-se sobre Cláudio Honigmann], ainda chegar a presidência de uma instituição gigante como o Figueirense?”, indagou o atacante.

Rafael Marques, camisa 9 do Figueirense. Vai ou fica? – Foto: Matheus Dias/FFC

Com vasto currículo na carreira, relembrou uma passagem que teve com o holandês Clarence Seedorf, quando atuaram pelo Botafogo entre 2012-2013, a quem aponta como o maior que já jogou junto.

“A gente passou por situações complicadas no Botafogo, o clube passava por um momento difícil, ele disse que, no Brasil, ninguém quer deixar um legado. Ninguém deixar algo bonitinho, as pessoas querem sugar e ir embora”, contou.

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