Representante de SC na Liga Nacional, clube de handebol de São José sobrevive de sonhos

Nacional Handebol Clube – Anderson Coelho/ND

Santa Catarina terá um representante na Liga Nacional de Handebol. O Nacional Handebol Clube, de São José, vai representar a região e o estado no torneio que começa em agosto e vai até dezembro. O Nacional, que nesse ano, em função de uma parceria com o Avaí tornou-se o Nacional/Avaí, é um projeto consolidado graças à prefeitura de São José, patrocinadores e colaborações pontuais. Mais que isso, é retroalimentado pela paixão de um ex-atleta que é idealizador do projeto e treinador da equipe.

Talvez o handebol não tenha todo o apelo de outras grandes modalidades no Brasil – e aqui não inclui-se o futebol. Para quem é leigo, sobretudo, o handebol remete a um período da infância ou é lembrado em jogos olímpicos e mundiais onde o Brasil, entre homens e mulheres, tem um desempenho de ponta.

Se hoje a modalidade respira, isso acontece muito em função de personagens como Francisco Monteiro Neto, 30, técnico da equipe e fundador do Nacional Handebol Clube, que precisa “correr” pelo pleno funcionamento do clube. E o trabalho que ele desenvolve percorre as mais variadas nuances como as idades, a lapidação de atletas, a recepção de talentos, o encaixe de horários; dentre outros.

Esse alinhamento pode ser ilustrado na rotina de treinos da equipe: sem estrutura própria, reveza entre o ginásio do Sesi e o ginásio de Campinas, ambos em São José, e a estrutura do IEE (Instituto Estadual de Educação).

“Desde 2000 fui atleta da modalidade, depois de jogar 14 anos – ou fingir que jogava – descobri que não era um excelente atleta. Parei de jogar. Não poderia me afastar. Como já fazia parte de quase tudo, fui buscar conhecimento para me tornar um treinador e montar as equipes”, resumiu Neto.

Francisco Monteiro Neto, o técnico, gesticula em mais um treino; paixão que move – Anderson Coelho/ND

O Nacional Handebol Clube comporta atletas nas categorias masculino e feminino. O primeiro, por ser mais antigo, está mais consolidado e conta com equipes na categoria cadete (até 16 anos), categoria juvenil (até 21) e ainda categoria adulta. Em âmbito escolar também tem equipes nos dois gêneros.

Francisco Neto lembra ainda que anualmente, ao final do ano, o clube realiza uma seletiva no masculino e no feminino direcionado a jovens de todo o País.

Frutos promissores e distantes

Em meio ao trabalho de garimpo que o idealizador Francisco Neto realiza, atletas com potencial e, tal qual o chefe, movidos pelo sonho da modalidade, treinam e devem compor o grupo que vai disputar a liga nacional.

Se com a bola na mão precisam provar o dom, o porte físico ajuda a enxergar alguns jovens como evidentes atletas. Luis André Saboia, 19, veio de Itaiçaba (CE) para, com seus 2,03m, ser o pivô da equipe e está na grande Florianópolis desde 2016. O atleta dribla a distância de casa e a saudade com o desejo de tornar-se um jogador de ponta em breve.

“Almejo chegar à seleção principal e algum clube da Europa”, resumiu o “gigante” atleta que admitiu a saudade mesclada com a distância. “É difícil, né, mas é pelo sonho”, acrescentou.

A situação é bastante semelhante a outro Luis, que vem de ainda mais longe: Luis Gustavo da Silva Garcia, 18, é meia-direita e vem do Amapá, na região Norte. Ele foi garimpado por Francisco Neto, mais uma vez, em uma edição de jogos escolares.

“Ele [Francisco Neto] me chamou, eu pensei bastante, conversei com minha mãe e ela disse que quem tinha que decidir era eu pois o futuro é meu”, revelou o jovem que ainda contou seu grande sonho: jogar pelo PSG (Paris Saint-Germain-FRA).

Guilherme de Melo Silva também tem 18, mede 1,93m, é meia-direita e vem de não muito menos longe que os demais: Recife (PE). Guilherme também foi pinçado depois de uma participação sua em jogos escolares. Ele está na região desde o início do ano e também revela que a saudade precisa ser deixada um pouco de lado. Sempre, mais uma vez, em busca de um sonho antigo.

“Eu quero ter um futuro, quero que abra as portas para mim, me proporcione faculdade, morar fora do Brasil. A meta é jogar e jogar bem e ir para a Europa onde o esporte é bem valorizado”, confessou.

Luis André, Luis Gustavo e Guilherme Silva – Anderson Coelho/ND

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