Conteúdo por Gazeta Esportiva

Rollo diz que Peres é “unanimidade negativa” e vê futebol do Santos “blindado”

O vice-presidente e presidente em exercício do Santos, Orlando Rollo, concedeu entrevista coletiva na Vila Belmiro na tarde desta segunda-feira. A ideia era falar na sala do presidência, mas o departamento de segurança vetou e o atendimento à imprensa foi feito na entrada do Memorial das Conquistas.

Após cassar a licença e retornar ao Peixe, Rollo disse que o presidente José Carlos Peres, suspenso por 15 dias pelo STJD, é unanimidade negativa.

“O grande problema é que o presidente afastado consegue ser unanimidade. Ninguém se dá bem com ele. Todo mundo que aporta no Santos se indispõe com ele. Eu me dou bem com todo mundo. Todo mundo briga com o Peres, e o Peres briga com todo mundo. Sou apenas mais uma vítima do Peres”, disse Rollo, antes de dizer que não gostaria de fazer parte da “gestão temerária”.

“Quero deixar uma coisa clara: estava licenciado há um ano e dois meses. Eu gostaria de permanecer licenciado, e o Conselho determinou meu retorno. Por mim, estava ainda afastado, porque não tenho condições de trabalhar ao lado do Peres. Ele realiza uma gestão temerária, e não quero fazer parte dessa gestão. Tento combater essa gestão, mas o presidente tem mais força política. A caneta é dele. Fui obrigado a voltar bem no período de vacância imposto pelo STJD. Não posso me omitir. O Santos não podia ficar 15 dias sem presidência. Oficiamos às entidades do futebol brasileiro que eu estaria assumindo nesses 15 dias”, completou.

Orlando Rollo foi questionado sobre o impacto do momento político conturbado no elenco. E afirmou que o departamento de futebol está blindado.

“Esse tipo de problema político acontece em quase todos os grandes clubes, infelizmente. O sistema associativo na maioria dos clubes impõe essa normativa. Mas quero tranquilizar os santistas. O futebol está blindado. Entramos em contato com a direção de futebol e passamos que esse problema é da parte administrativa, não havendo qualquer ingerência, de minha parte, no futebol. Passei que o Sampaoli poderia continuar seu belo trabalho. Sou fã do futebol do Sampaoli e quero que ele fique. O departamento de futebol está blindado”, explicou.

Por fim, Rollo explicou a decisão de mexer em parte do Comitê de Gestão, no que classificou como “a medida mais drástica”.

“A gente assumiu e está evitando medidas extremas, pelo bom clima que tem que pairar no clube. O clima está ruim por causa do próprio presidente. Sim, trocamos não todos os membros do Comitê de Gestão, apenas alguns que não são da minha confiança. Não posso administrar o clube com pessoas com quem tenho problemas judiciais. Nomeei outras pessoas, e o Peres, quando voltar, nomeia de novo, sem problema nenhum”, concluiu.

VISÕES DISTINTAS

Orlando Rollou trouxe com ele um advogado especialista em direito desportivo, Wladimyr Camargos. Na visão do profissional, o vice-presidente e presidente em exercício tem direito de tomar decisões administrativas.

O presidente José Carlos Peres e seu departamento jurídico discordam. Eles entendem que a suspensão do STJD tem a ver apenas com o âmbito desportivo.

“O atual código brasileiro de justiça desportiva diz, no artigo 172, que as suspensões contra dirigentes valem para todas as esferas da gestão. Em um clube de futebol, todas as ações têm reflexo no futebol. A decisão do STJD tem valia em todos os atos de gestão do Santos, incluindo a proibição de assinar documentos”, explicou o advogado.

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