São José investe no futebol feminino e colhe rendimento e cidadania

Atualizado

Uma ferramenta para transformação da sociedade. Esse é o principal balizador da Associação Desportiva Sanrosé, um projeto voltado para meninas apaixonadas por futebol que, há mais de seis anos, vem rompendo barreiras e alavancando o município da grande Florianópolis.

Associação Desportiva Sanrosé, em uma de suas categorias/ND – Foto: Anderson Coelho/ND

Dentro do crescimento recente do futebol feminino em todas as suas esferas, é possível dizer que o ano de 2019 foi o grande “boom” até aqui. A repercussão da Copa do Mundo de Futebol Feminino, talvez, tenha sido o principal termômetro onde o Brasil parou, sim, para gritar pela mulherada na maior competição de seleções da modalidade.

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Mas essa condição, entre outras coisas, pode ser creditada a trabalhos como esse desenvolvido pela associação. Encabeçada pelo idealizador, presidente e técnico da equipe, Reginaldo Vieira, 28 anos, o Sanrosé já coleciona resultados e, mais que isso, forma cidadãs. Para o mentor essa é a e fusão perfeita.

“O projeto, lógico, tem o objetivo de formar os atletas, mas a gente busca também formar cidadãs. Queremos dar uma condição bem digna para elas, que se dedicam muito, fazerem o que amam”, resumiu o também treinador da equipe.

A Associação Sanrosé ajudou o município a alcançar o histórico 3º lugar geral no Jasc (Jogos Abertos de Santa Catarina).

Ainda em 2013 o município de São José instituiu o programa de Bolsa-Atleta por meio da Lei Nº 5331, de 14/10/2013 e, para Reginaldo, trata-se do grande fomentador no município que vem colhendo os frutos nos últimos anos.

“A prefeitura é o nosso principal apoio e eles têm tido muito cuidado conosco. Eles acreditaram desde o início e isso nos ajudou muito”, acrescentou.

Começo para quebrar paradigmas

O ano de 2014, contado nos dedos, até não parece tão distante, mas a real é que para o desenvolvimento da modalidade entre as mulheres trata-se de um período oceânico.

O próprio idealizador, conforme admitiu, revelou que não dava “muita bola” para o futebol feminino. Reginaldo Vieira, que cursa a faculdade de Educação Física, contou que o embrião da associação foi justamente o pré-conceito e a necessidade de oportunidade.

“Tinha um preconceito, um pensamento antigo de achar que elas não sabem jogar, mas quando tu vê, conhece o amor e a dedicação delas pelo esporte, fica mais fácil abraçar a causa. Aquela coisa de futebol não é coisa para menina, inspirou ainda mais”, contou.

Busca pela estrutura em nome de cidadãs

Atualmente a Associação Sanrosé atende meninas desde a categoria sub15 até as adultas em futsal e futebol de campo. Reginaldo conta que, além da boa vontade das meninas, o amor e a dedicação que se entregam, a principal parceria está na prefeitura municipal de São José, por intermédio da Fundação Municipal de Esporte e Lazer.

Atletas da Associação Sanrosé – Foto: Anderson Coelho/ND

Além do treinamento básico que é ministrado pelo próprio Reginaldo no ginásio Nedir Valdo Macedo, em Barreiros, as atletas contam com acompanhamento psicológico e, em parceria com o Centro Educacional Maria Montessori, fornece a possibilidade de reforço escolar.

“As coisas não podem andar sozinhas, o atleta e o humano precisam andar juntos. É claro que é importante ter o resultado, mas é mais importante formar, com estrutura, para se desenvolver da melhor forma possível até para seguir na modalidade e, através do esporte, consiga se desenvolver futuramente”, ressaltou Regi, como é carinhosamente chamado pelas atletas.

Consciência e legado

Laira Silva Pires, soma apenas 19 anos, mas porta-se com uma consciência que vai um pouco além do que a pouca idade sugere. Com a experiência da sua primeira edição do JASC, ela revela sua paixão pela modalidade que prevê viver o resto da sua vida.

“Hoje [o futebol], me traz uma esperança, uma esperança de poder viver dele”, resumiu Laira que não se limitou a projetar suprir sua vontade, mas sim, criar um legado para as próximas gerações.

“Eu quero contribuir com projeto social, que foi assim que eu conheci. Com esse crescimento do futebol, eu quero ajudar essas meninas de 15, 16 anos, tenham a oportunidade que eu não tive”, revelou Laira.

A jovem é apenas uma voz entre dezenas que gritam por espaço e o mero direito de praticar o que amam. Em miúdos, tudo que a Associação reúne e valoriza.

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