Sobre ganhar na loteria e não poder retirar o prêmio

Não teve regata, mas paisagem estonteante, calor e um passeio pela baía de Guanabara, no Rio e Janeiro. Na tarde desta quarta-feira (17) entrei a bordo da embarcação dos oficiais de arbitragem da vela na Marina da Glória para acompanhar bem de perto a largada da “medal race” da classe 470, mas o vento não ajudou e a decisão ficará mesmo para esta quinta-feira. Mas como até uma não-notícia pode se transformar num assunto interessante, pude acompanhar o trabalho dos oficiais para tentar salvar – sem sucesso – a tarde em águas cariocas, sob um sol escaldante. 

Diogo Maçaneiro/ND

Cristo Redentor ao fundo enquanto as francesas aguardavam, já na água, a regata que não aconteceu

Eram pouco mais de 13h quando embarcamos para a raia do Pão de Açúcar, onde a prova aconteceria. Desde o começo as caras, mesmo que serenas da equipe, já demonstravam pouco otimismo sobre a previsão de largada. Seria às 14h, às 15h? Imprevisível. Cinco nós para uma direção, um pouco menos para outra. Nada de vela.

Então vamos deslocar a embarcação para outro ponto e verificar a situação por lá. Opa, o barco do Navarro – o nosso – se mexeu, então o responsável pelas boias também chegou perto, mas nada feito. Senta, desliga o motor e aguarda mais tempo. Entre códigos pelos rádios – em inglês – uma decisão teria de ser tomada logo, mas antes, um lanchinho. Frutas, isotônico e muita água para hidratar. “Está cansado, Navarro?”, perguntei. “Não, não. Isso é normal”, afirmou o responsável por toda a logística da modalidade, mas o semblante acusava o desgaste de meses de trabalho na preparação para menos de duas semanas de provas. Foi preciso humor e paciência. “Hoje está tranquilo. Já fiquei sentado esperando por cinco horas, mas logo, se não melhorar o vento, vou adiar para amanhã (quinta-feira). Não posso deixar os atletas esperando uma hora e meia nesse calor”, avisou.

“Henrique. Leva o Diogo para fazer as fotos e os vídeos que ele quiser”. A ordem do chefe foi cumprida e antes mesmo que eu terminasse os registros o que se esperava foi confirmado. Regata adiada para esta quinta e ainda fiquei com fama de pé frio. “O Diogo ganhou na loteria, mas não pode resgatar o prêmio”, brincou o Lucas, um dos oficiais. Perdi a largada, mas a experiência, ainda assim, foi inesquecível. Tudo sob a bênção do Cristo Redentor.

E agora?

A regata da medalha da classe 470 feminina ocorre nesta quinta-feira, às 13h05, e a masculina às 13h50, mas se novamente as condições do tempo não forem favoráveis para os barcos velejarem, vale o resultado atual da classificação. No mesmo dia, ocorre a decisão na classe 49er nos dois naipes.

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