Tijucano supera tragédia e aposta na Semana Guga Kuerten para chegar à Tóquio

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Encerra nesse final de semana o Torneio Profissional de Tênis de Cadeira de Rodas, que acontece dentro da Semana Guga Kuerten. São atletas do top ten (top 10)  que estão em Florianópolis na competição que soma pontos no ranking mundial. O Brasil, inclusive, tem favorito e ele é representante também da região da grande Florianópolis.

Ymanitu Silva é tetracampeão do torneio de cadeirantes da semana Guga Kuerten – Foto: Anderson Coelho/ND

Deus das Águas. Esse é o significado para o nome de origem indígena do tenista em cadeira de rodas Ymanitu Geon da Silva, 36 anos. Natural de Tijucas, ele busca o pentacampeonato da competição realizada em meio a Semana Guga e está de olho em uma vaga nas Paralimpíadas de Tóquio, em 2020.

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Mani, como é conhecido e como pede para ser chamado, entrou em quadra neste sábado (5), em busca de uma vaga na grande final do torneio que está marcada para o domingo. E conquistou. Ele superou o norte-americado Bryan Barten.

“Ter esse torneio, desse tamanho, dentro de ‘casa’ é muito gratificante. É uma competição de nível internacional, o maior da América do Sul, que eu posso competir ao lado dos meus familiares”, comemorou o paratleta.

Da tragédia à Paris

Quem vê Mani sorrindo e vendendo confiança, não imagina um episódio trágico que teve que superar. Quis o destino que um acidente automobilístico resultasse na interrupção dos membros superiores e inferiores.

Há 12 anos, ao sair de uma festa, Ymanitu revela que dormiu ao volante e, como resultado, ficou tetraplégico.

“No começo a gente fica sem entender o que acontece, porque Deus fez isso com a gente. Fiquei quatro meses até recuperar os movimentos dos braços que ainda não são perfeitos. Foram sete meses sem ver amigos e sem receber visitas”, relembrou.

Ymanitu Silva é o atual tetracampeão do torneio para cadeirantes da Copa Guga Kuerten. Ele encontrou no tênis um novo objetivo na vida após um acidente automobilístico. O tijucano de 36 anos foi vice-campeão do torneio de cadeirantes em Roland Garros, na França no ano passado, mesma terra que consagrou Gustavo Kuerten. – Foto: Anderson Coelho/ND

Foi o esporte, no qual já praticava, que ele encontrou um objetivo de vida a partir de uma “simples” adaptação.

“Eu era jogador juvenil, pratiquei tênis dos 10 aos 17. Me acidentei com 24 anos. Eu já tinha os movimentos da raquete. É 50 a 50: metade o domínio da raquete e metade o toque da cadeira com a raquete”, simplificou Mani.

Roland Garros é o xodó

Quem pensa que “só” Gustavo Kuerten pisou (com êxito) o saibro sagrado de Roland Garros, não imagina que Ymanitu já chegou lá.

Apesar de não equiparar ao tricampeonato de Guga, Ymanitu chegou à final e acabou derrotado. Nada que pudesse abalar seu orgulho e confiança ao lembrar que o troféu tem um espaço especial em sua prateleira.

“Sou o primeiro brasileiro a disputar um grand slan de cadeira de rodas. Fui vice-campeão. Ter esse troféu de Roland Garros na minha estante, para mim, é muito importante”, admitiu.

A meta, segundo o tijucano, foi iniciada ainda nas Paralimpíadas do Rio quando ficou com a 5ª posição. Logo, para o Japão, em 2020, o atleta já tem duas metas: primeiramente a classificação para os jogos e a possibilidade de trazer uma medalha.

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