Conteúdo por Gazeta Esportiva

Tite detona gramado e revela bastidores da preparação para os pênaltis

A satisfação pela classificação brasileira às semifinais da Copa América não tirou a sobriedade de Tite na entrevista coletiva concedida na Arena do Grêmio, já no início da madrugada dessa sexta-feira.

Ao expor sua análise do que foi o confronto dramático com os paraguaios, o técnico da Seleção não poupou críticas ao gramado do estádio gremista. Na véspera do jogo, Tite havia evitado fazer qualquer comentário, mesmo após duas visitas ao local durante a semana.

“É possível, sim (melhorar as combinações dos atletas). As jogadas de combinações são possíveis. E ela é possível, também em trocas de passes, quando tiver um gramado bom”, avisou, firme nas palavras.

“Todos os atletas me cobraram. Agora dá para falar. É absurdo, em alto nível, ter um campo com tamanha dificuldade para tocar. A bola entra no pivô, o cara tem de dar três toques para dominar. Alto nível não concebe, em qualquer lugar, esse tipo de gramado. Estou falando da qualidade do espetáculo”.

Mais adiante, ao ser questionado sobre de que maneira sua equipe pode aperfeiçoar a busca por espaços contra adversários tão fechados como fora o Paraguai nessa quinta, Tite reiterou sua irritação.

“Eu não fico escondendo justificativa. Tu tem (sic) que dar dois, três toques. A gente bate pelada de vez em quando, gramado sintético, a velocidade que dá. O cara que está nos ouvindo sabe. Eu vi uma declaração do Renato (Gaúcho, técnico do Grêmio) também sobre isso”, afirmou.

“E vou dizer mais. É inconcebível. Eu vim na segunda aqui, olhar para o gramado Cinco pessoas trabalhando, uma delas de folga. Venho na terça, as mesmas cinco pessoas, e nós vimos ele (o gramado) todo prejudicado”, apontou.

“Nos cobrem acerto de passes e finalização, é um direito, e o técnico tem que vir responder. Cada um tem uma responsabilidade. Atleta é cobrado por mim. Me deem condições de campo e façam trabalho melhor para darmos espetáculo. Não sei até quando eu errei ou (o jogador) tinha de dar dois toques a mais… Estava bravo”, concluiu, para em seguida avisar que não tocaria mais no tema.

Pênaltis

Tite e Cleber Xavier, principal auxiliar da comissão técnica, também revelaram os bastidores das cobranças de pênaltis que garantiram a vaga brasileira na próxima fase da competição continental.

“Eu sou muito ruim para escolher, cara”, brincou, ao dar a palavra ao seu companheiro de bancada.

“Treinamos dois dias, três cobranças cada atleta, sem procurar mudar a batida. A análise é em cima de quem fica no jogo, do momento. Além da qualidade técnica, esse momento de confiança que ele está no jogo. Tu joga (sic) os nomes e os jogadores se propõem a bater, como o Willian, que disse ‘quero bater o primeiro’. Perguntei ao Gabriel se ele estava pronto e ele também deu a resposta”, explicou Cleber Xavier.

“Eu disse ‘me tragam sete’ que depois tenho condição de definir”, disse Tite, antes de contar um bastidor. “O Alex Sandro não ia ficar fora, O Paquetá ainda jovem, tinha de tirar um (por causa da expulsão do Balbuena), e ele disse ‘deixa eu fora. O Paquetá bate melhor que eu e eu não bato bem’”.

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