Um ano após ser adotada, Seleção de vôlei de praia divide opiniões

Confederação Brasileira oficializou a Seleção em janeiro de 2013 e teve como principal mérito, segundo atletas, a estrutura oferecida nas competições internacionais

O ano de 2013 foi de mudanças no vôlei de praia. A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) criou uma Seleção para a modalidade, o que gerou diversas alterações, como na formação das duplas da equipe nacional, que agora não são mais definidas pelo ranking, mas sim escolhidas e organizadas pela comissão técnica. Após um ano da implantação da novidade, os atletas ainda dividem opiniões quanto ao modelo.

Jogadores de vôlei de praia enxergam pontos positivos e também negativos no sistema. Mas uma coisa, em especial, é unanimidade: a novidade trouxe uma estrutura nunca antes vista para os atletas da Seleção, a começar pela preparação toda sendo realizada em um Centro de Treinamento em Saquarema (RJ).

– As vantagens foram as facilidades distribuídas aos atletas do Brasil, que não precisam mais se preocupar com coisas do dia a dia, como passagem e hospedagem. Isso nos ajuda a focar na profissão, que é o mais importante. O CT de Saquarema foi um passo legal, apesar de ter sido um pouco exagerado em 2013, pois permanecemos muito tempo lá, passou do ponto um pouco – opinou Pedro Solberg, em entrevista ao LANCE!NET após o fim da temporada de 2013.

Assim como Pedro Solberg, Lili também exaltou o salto obtido na estrutura com a formação do novo sistema na Seleção, principalmente, segundo ela, para as duplas que não possuem grande investimento. Na última etapa do Circuito Mundial de 2013, por exemplo, duplas como Elize Maia/Fernanda Berti e Duda/Thaís, que ainda não possuem patrocínios individuais, viajaram para competir na África do Sul.

– Antigamente não tínhamos esse apoio e era cada um por si. Então ficava muito ruim para as duplas que tinham menos recursos. Agora, todos estão com a mesma equipe e condições, com prepardor físico, fisoterapeuta, técnico e tudo – acrescentou a capixaba Lili.

Mas nem tudo são flores. O sistema gera dificuldades a alguns atletas, principalmente àqueles que precisam mudar a dupla na Seleção. É o caso de Lili, parceira oficial de Rebecca no Circuito Banco do Brasil, mas que na Seleção foi escolhida para jogar com Bárbara Seixas, que, por sua vez, joga com Ágatha no campeonato nacional.

Ela foi uma das que mais precisou se adaptar. Isso porque Rebecca é canhota, enquanto Bárbara é destra, o que faz com que a atleta precise ajustar seu levantamento dependendo de quem for a companheira.

– Foi um primeiro ano de adaptação, que não foi fácil, muita coisa mudou e é até difícil falar, porque foi muita mudança. Mas todos tiveram bons resultados. No feminino, todas (as quatro duplas da Seleção) ficaram entre as sete melhores do mundo (no ranking). A gente conseguiu ter uma boa estrutura para trabalhar, tínhamos que ter resultado e dar o nosso melhor – explicou Lili.

Lili e Bárbara Seixas foram vice-campeãs mundiais, em julho, na Polônia (Foto: Divulgação/FIVB)

Pedro Solberg também teve suas dificuldades para se adaptar ao novo modelo. O atleta, campeão do Circuito Banco do Brasil 2012/2013, com Bruno Schmidt, entende que o sistema ainda pode evoluir.

– Ainda não me adaptei 100%, é difícil não estar com a minha comissão no Circuito Mundial. Tem que ser conversado para chegar a uma conclusão. Acho que (o sistema) ainda não está deixando todos felizes – acrescentou o carioca.

Com críticas ou elogios, o sistema deve ser mantido até a Olimpíada do Rio de Janeiro. Resta aos fãs brasileiros torcerem para que a novidade dê resultado e o Brasil não decepcione nos Jogos de 2016.

Sistema mistura patrocínios nas duplas

O novo modelo no vôlei de praia gerou alguns problemas com patrocínios. Foi o caso de Lili e Bárbara Seixas na Seleção Brasileira. A dupla Lili/Rebecca, que joga no Circuito Banco do Brasil, onde as atletas escolhem suas duplas, tem o patrocínio da Dotz. Já a parceria Bárbara/Ágatha é apoiada pela Brasoil. Juntas pela Seleção, Lili e Bárbara exibiram cada uma o patrocinador referente à sua dupla no Brasil.

– Quanto a patrocínios, sim (teve alguns problemas). Esse ano (2013) teve alguns patrocinadores que saíram das atletas por causa dessa mudança. Foi tudo muito novo. Até todos se adaptarem, leva um tempo – disse Lili.

Conquistas do Brasil no vôlei de praia em 2013

Circuito Mundial
A Seleção Brasileira ficou com uma medalha de ouro e outra de prata após o fim do Circuito Mundial. Após 20 etapas, Taiana/Talita foi campeã do circuito feminino e por antecipação, já que nem precisaram jogar a última etapa pois não tinham como ser ultrapassadas no ranking. No masculino, Pedro Solberg/Bruno Schmidt ficou em segundo, enquanto o título foi da dupla da Letônia Samoilovs/Smedins.

Campeonato Mundial
No segundo principal torneio da modalidade, perdendo em importância apenas para a Olimpíada, o Brasil obteve duas medalhas. Ricardo/Álvaro foi prata no Campeonato Mundial, disputado em Stare Jablonki, na Polônia – os holandeses Brouwer e Meeuwsen foram campeões. Já no feminino, Lili/Bárbara foi bronze – chinesas Xue e Zhang Xi faturaram o ouro.

O Brasil, porém, era o atual campeão nos dois naipes. No Campeonato Mundial de 2011, em Roma (ITA), Alison e Emanuel foram campeões no masculino e Juliana e Larissa triunfaram no feminino.

COM A PALAVRA
Marcos Miranda
Veja a opinião do técnico da Seleção Brasielira de Vôlei de Praia

“Foi um ano de modernização. A CBV seguiu o sistema implantado pela Federação Internacional (FIVB) em nível mundial, dentro do nosso contexto, visando modernidade e status do nosso esporte, que até então era o único que não trabalhava efetivamene com Seleção. A intensão é dar estrutura máxima aos atletas, que possam focar exclusivamente no vôlei. É um projeto inovador e que já conseguiu resultados favoráveis. Terminamos o Circuito Mundial em primeiro (feminino) e segundo (masculino). Para um primeiro ano é um resultado muito bem visto.

Quando algo é implantado dentro de uma cultura que já existia, sempre há resistências a dar sequência a isso. Foi uma adaptação dos atletas, hove muitas coisas positivas e outras negativas, que serão relatadas e melhoradas.”

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