Vestiário insatisfeito, oscilação e eliminação: os 57 dias de Inácio no Avaí

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Durou 57 dias a relação entre Augusto Inácio e Avaí. Anunciado em 18 de dezembro de 2019 a partir de uma escolha do presidente Francisco Battistotti, o português chegou a Florianópolis no vácuo do sucesso de seu contemporâneo e conterrâneo, Jorge Jesus.

O português foi demitido na tarde desta sexta-feira (14), após reunião no estádio da Ressacada.

Presidente Francisco Battistotti e o então novo técnico do Avaí, o português Augusto Inácio – Foto: Gabriel Lain/ND

Ao ser apresentado, demonstrou um perfil espirituoso e seduzido pelo desafio de recolocar o Avaí nos trilhos já que, se desenhara o término de um ano “médio” para o Leão. Em 2019 o clube contrastou o título estadual com a queda precoce na Série A.

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“Meu animal preferido é o Leão, que tem o poder de ressurgir e se reinventar. O Leão é o símbolo do meu time do coração [Sporting-POR] e o Leão é o símbolo do Avaí”, associou o comandante, à época, em sua apresentação.

Se levar em consideração que Augusto Inácio, de fato, passou a vestir o uniforme azurra somente no dia 6 de janeiro, sua passagem pelo Sul da Ilha resta ainda mais meteórica.

Postura do treinador não agradou

Depois de estrear com derrota em casa para o Brusque, e a consequente perda da Recopa Catarinense, Augusto Inácio não poupou críticas aos jogadores.

Manteve a postura, ainda que de maneira comedida, ao estrear com empate diante da Chapecoense, e “chutou o balde” ao perder, novamente, para o Brusque, dentro da Ressacada e, dessa vez, pelo estadual.

“Faltou-nos caráter, faltou-nos garra, os jogadores tem que aprender que não é só carregar a bola e jogar com a bola na pé. Isso fez o nosso jogo ser devagar, devagarinho, lento”, criticou o português.

Ainda na mesma coletiva, nominou e direcionou uma crítica ao volante Wesley. Essa prática, dentro da linhagem brasileira de fazer futebol e do templo sagrado chamado vestiário, é tratada como infração gravíssima.

Com a vitória por 2 a 0 no clássico diante do Figueirense, o sentimento no Sul da Ilha chegou a ser de “agora vai”, mas um novo tropeço, uma semana depois, frente ao Criciúma, fez o Avaí somar sua 3ª derrota, dentro de casa, em quatro jogos, e voltar a azedar a relação.

O final, no entanto, só chegou com a inesperada eliminação do Avaí frente a Ferroviária em um placar de 2 a 0, na milionária Copa do Brasil.

Após a partida, em entrevista concedida ao repórter Kadu Reis, o gerente de futebol do Leão, Marquinhos Santos, criticou alguns erros da equipe. Lembrou, ainda, que o atacante Kelvin que foi uma das principais contratações do Avaí, embora em condições, não fora relacionado “por opção do técnico”.

Foram sete jogos disputados, com duas vitórias, um empate e quatro derrotas. O Avaí marcou cinco gols e sofreu sete. O aproveitamento foi de 33,3%.

Novo nome pode ser anunciado

O Avaí pode anunciar, a qualquer momento, o nome do profissional substituto. Alberto Valentim, Guto Ferreira e Rodrigo Santana, ex-Atlético-MG, são nomes que foram ventilados no Sul da Ilha.

Rodrigo Santana, que foi efetivado e terminou a Série A de 2019 a frente do Galo, é o mais cotado nesse momento.

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