Fábio Machado

Rotina, contratações e análise dos jogos dos clubes catarinenses. A história do futebol no Estado é resgatada com postagens que relembram os títulos e jogadores que marcaram Santa Catarina.


‘Catarinas’ que desfilaram no Maracanã e brilharam no futebol Carioca

Record TV vai transmitir o Campeonato Carioca deste ano. Aqui, exemplos de atletas do Estado que desfilaram pelos gramados do Rio de Janeiro (e do mundo!)

Cam – Foto: Record/FERJ/DivulgaçãoCam – Foto: Record/FERJ/Divulgação

A paixão do torcedor catarinense pelo futebol carioca vem de longo de tempo. Época em que o som potente das rádios Nacional e Tupi invadia os lares aqui no Estado. A televisão, ou que se imaginava dela, fazia parte apenas dos filmes e desenhos futuristas, e como consequência as vozes vibrantes dos narradores “desenhavam” na imaginação dos ouvintes a magia do Maracanã e as jogadas dos atletas do Flamengo, Vasco da Gama, Fluminense, Botafogo, América e Bangu. Por décadas, com a imprensa local dando os seus primeiros passos, foram as jogadas do Garrincha, Ademir Queixada, Zizinho, Leônidas, Telê, Zagallo, Gerson, Zico e Roberto Dinamite que ocupavam o imaginário da nossa torcida.

O Maracanã, no imaginário dos catarinense pelas ondas do rádio, depois uma realidade para muitos atletas oriundos do nosso futebol. O Maracanã, no imaginário dos catarinense pelas ondas do rádio, depois uma realidade para muitos atletas oriundos do nosso futebol. 

Essa relação de admiração avançou no tempo, até porque o Rio de Janeiro, então a capital do Brasil, tem semelhanças geográficas e culturais com a capital catarinense: baías, praias, morros e aquele espírito leve e alegre de viver. Inevitável que jovens atletas formados em nossos clubes e gramados tivessem como maior meta, ou sonho, um dia jogar no futebol carioca, desfilar no maior estádio do mundo, o Maraca. E os nossos “catarinas” conseguiram chegar lá, e não decepcionaram. A relação é enorme, e repetindo, a maioria foi, jogou e venceu para o orgulho do nosso futebol.

Craque Teixeirinha ao lado do Mestre Zizinho, época do Bangu – Foto: Teixerinha e Zizinho/Capa Mundo Esportivo/reproduçãoCraque Teixeirinha ao lado do Mestre Zizinho, época do Bangu – Foto: Teixerinha e Zizinho/Capa Mundo Esportivo/reprodução

A nossa lista começa, vejam só, com Celso Ramos, ex-governador de Santa Catarina entre 1961 a 1965. Com o inusitado apelido de “Curió”, o arisco ponta esquerda atuou pelo Flamengo entre as décadas de 1910 a 1920. Mais tarde, Celso Ramos, de família tradicional da política do Estado, retornou para Florianópolis e chegou a assumir a presidência do Avaí.

De Biguaçu, Leônidas da Selva brilhou no América e chegou na Seleção Brasileira – Foto: Leônidas/Capa Esporte Ilustrado/1955De Biguaçu, Leônidas da Selva brilhou no América e chegou na Seleção Brasileira – Foto: Leônidas/Capa Esporte Ilustrado/1955

Outra história não muito conhecida é do Leônidas da Selva, na verdade Manoel Pereira, que saiu da Biguaçu para brilhar com a camisa do América na década de 50. O biguaçuense chegou a vestir a camisa da Seleção Brasileira em 1956. No ano seguinte, em 1957, foi a vez do tubaronense Teixeirinha sair de Blumenau, onde atuava como ponta, para ir brilhar no Botafogo ao lado da lenda Heleno de Freitas. Lembrando que antes ele defendeu o Bangu numa excursão para a Europa num combinado com o São Paulo. O catarinense brilhou marcando dois gols diante do Sporting de Portugal.

Norberto Hoppe: Artilheiro máximo do Catarinense em apenas uma temporada: 33 gols em 1966 – Foto: Norberto Hoppe/Reprodução RealidadeNorberto Hoppe: Artilheiro máximo do Catarinense em apenas uma temporada: 33 gols em 1966 – Foto: Norberto Hoppe/Reprodução Realidade

Na década de 1960, Norberto Hoppe, um atacante natural de Joinville, foi defender o Bangu, merecendo grande destaque da imprensa carioca após ter marcado 33 gols no campeonato catarinense de 1966 vestindo a camisa do Caxias. É o maior número de gols marcados em nosso Estado. No final dessa década, quem brilhou no Maracanã foi o goleiro Valdir Appel, natural de Brusque. Foi para o Rio defender o América e acabou no Vasco da Gama. No milésimo gol do Pelé, no dia 19 de novembro de 1969, Valdir Appel estava no banco de reservas.

Da pequena Presidente Getúlio saiu um atacante que entraria para a história do Fluminense na conquista do brasileiro de 1970. Era Adalberto Kretzer, mais conhecido como Mickey. Ao marcar seus gols, fazia com as mãos o sinal da vitória, gesto que ficou muito marcado. No ano de 1977, Marciano, atacante nascido em Lauro Müller, no sul do estado atua pelo Flamengo em 25 jogos marcado 12 gols.  Em 1979, o ágil ponta direita Katinha saiu do Avaí para estrear pelo Vasco da Gama diante do Flamengo de Zico & Cia. O catarinense de Lages acabou com a partida ao entrar no segundo tempo e entrou nas graças da torcida. Ainda pelo Vasco, Katinha foi vice-campeão brasileiro no ano seguinte.

Marciano, de Lauro Müller no sul do estado para o Flamengo balançar as redes do Maracanã pelo Flamengo – Foto: Revista Placar/1977Marciano, de Lauro Müller no sul do estado para o Flamengo balançar as redes do Maracanã pelo Flamengo – Foto: Revista Placar/1977
Katinha, do Avaí para o futebol brasileiro. Natural de Lages reside atualmente na capital – Foto: Katinha/Site SuperVascoKatinha, do Avaí para o futebol brasileiro. Natural de Lages reside atualmente na capital – Foto: Katinha/Site SuperVasco

Em 1981, o atacante Renato Sá, natural de Tubarão, entrou para a história do Botafogo ao marcar o gol que quebrou a invencibilidade de 52 jogos do Flamengo. Nesse mesmo ano, outro catarinense, Lico, natural de Imbituba, escreveu uma das páginas mais mágicas do futebol. Considerado “veterano” para o futebol da época, saiu do Joinville para fazer parte do fantástico time do Flamengo. Lico entrou no time titular e não saiu mais, foi campeão carioca, brasileiro, da Libertadores e do Mundial de Clubes diante do Liverpool no Japão. Na biografia do ídolo Zico, o jogador catarinense mereceu um capítulo especial de elogios.

Lico, de Imbituba para a galeria de ídolos do Flamengo. – Foto: Lico/reprodução Revista LicoLico, de Imbituba para a galeria de ídolos do Flamengo. – Foto: Lico/reprodução Revista Lico

Em 1989, foi a vez do atacante Paulinho Criciúma brilhar no Botafogo na conquista do estadual para o clube após um jejum de 21 anos. Para finalizar, entre tantos jogadores do futebol de Santa Catarina que brilharam no Rio de Janeiro, podemos citar ainda os atacantes Toto, de Jaraguá do Sul, Leandro Machado, de Santo Amaro da Imperatriz no Flamengo,  Dauri, de Garopaba e o meia Sandro Ventura, de Florianópolis, no Botafogo.

Mickey imortalizou o gesto da “vitória” nas suas comemorações. – Foto: Mickey/Capa da revista Placar/1970Mickey imortalizou o gesto da “vitória” nas suas comemorações. – Foto: Mickey/Capa da revista Placar/1970

Vale destacar o lateral esquerdo Filipe Luís, natural de Jaraguá do Sul e revelado pelo Figueirense, que após brilhar no futebol da Europa e na Seleção conquistou pelo Flamengo nesta semana o bicampeonato brasileiro, sendo que no ano passado levantou os títulos do carioca, do brasileiro e da Libertadores.

Valdir Appel. O goleiro que virou escritor. – Foto: Valdir Appel/Acervo PessoalValdir Appel. O goleiro que virou escritor. – Foto: Valdir Appel/Acervo Pessoal

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