CBF irá divulgar novo balanço sobre casos de Covid-19 no futebol brasileiro

Números mostram que o mais popular esporte do país tem uma porcentagem de casos da doença menor do que a média do Brasil, por causa dos testes

A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) irá divulgar um novo balanço, após a 10ª rodada do Campeonato Brasileiro, sobre os casos de Covid-19 no futebol brasileiro.

Novo “normal” do futebol – Foto: CBF/divulgação

O resultado aponta que entre 15% e 16% dos testes RT-PCR deram positivos nos jogadores, conforme informa o infectologista Carlos Starling, um dos assessores do departamento médico da CBF em assuntos ligados à Covid-19.

Os números mostram que o mais popular esporte no Brasil tem uma porcentagem de casos positivos menor do que a média do País.

Mais de 30% dos testados em junho, entre a população do Brasil tiveram resultados positivos, segundo a Universidade John Hopkins, o que, de acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), é um dado que mostra o baixo número de testes em território brasileiro, que poderiam prevenir e mapear a doença.

Mesmo assim, estes números no futebol brasileiro ainda estão abaixo do ideal proposto pela OMS, no qual o percentual de resultados positivos deve ser de 5% para baixo, para que haja controle da pandemia.

“Os resultados dos testes mostram que o contágio dos jogadores ocorre por vários motivos que vêm de fora do campo. Pode ser um surto localizado, que se espalha em um ambiente de concentração, ou pode ser por casos isolados, nos quais o contágio decorre de contatos do jogador (ou profissional do clube) na sua vida pessoal”, observa Starling, ressaltando que mais de 7 mil testes foram realizados nos jogadores das séries A, B e C no Brasil.

“Na série A, há um menor número de resultados positivos, que vai aumentando de acordo com cada série. A que tem mais casos é a C. Estas estatísticas são proporcionais ao que ocorre em relação às classes sociais do país, em que as mais elevadas têm menor número de casos”, destaca o médico.

Comparação

Starling afirma que o meio futebolístico, por seu elevado número de testes em comparação com a média populacional brasileira, tem servido como um instrumento de análise da doença.

“Sempre que ocorrem casos de Covid no futebol, inicia-se uma investigação de quais foram as causas. Os testes são muito importantes por isso. Busca-se saber onde o jogador andou, o que fez, levantando-se os caminhos desta doença e ampliando a pesquisa para duas vezes o número de pessoas ao redor deste jogador, que não necessariamente tiveram a doença”, explica.

Os resultados, segundo ele, têm amplo valor científico e são utilizados por universidades e pelas próprias autoridades.

“Isto é epidemiologia, o uso de estratégias diretas de acompanhamento e investigação. E claro que os dados são utilizados para que a comunidade científica como um todo conheça e aprenda a controlar a doença”, ressalta.

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