CBF reconhece caso de assédio e aumenta suspensão de Caboclo

Integrantes da Comissão de Ética ressaltaram que "impressiona que o próprio denunciado não nega os inaceitáveis diálogos com a denunciante"

A Comissão de Ética da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) decidiu, nesta segunda-feira (20), por aumentar a suspensão imposta ao presidente afastado da entidade, Rogério Caboclo. Inicialmente, o afastamento seria de 15 meses. Agora, salta para 21, seis a mais que a decisão inicial, divulgada em 24 de agosto.

Imagem mostra caboclo de perfil e usando gravata azulEpisódios de assédio ocorriam desde abril de 2020, diz funcionária – Foto: Lucas Figueiredo/CBF/Divulgação/ND

O colegiado acatou parcialmente o recurso apresentado pela vítima, uma funcionária da entidade, e corrigiu o classificação da punição de “conduta inapropriada” para “assédio”. Agora, a nova decisão deve passar pelo crivo da Assembleia Geral da entidade, composta pelos presidentes das 27 federações.

Se acatada, Caboclo ficará afastado de todas as atividades ligadas ao futebol até março de 2023. O mandato dele frente à presidência da CBF se encerra em abril do mesmo ano. No momento, quem assume o comando da CBF, de forma interina, é Ednaldo Rodrigues.

Caso e sanções

Caboclo está afastado desde junho deste ano, quando a decisão foi protocolada. Há dois meses, a Comissão de Ética orientou que ele fosse afastado por 15 meses.

O colegiado considerou, na época, que a vítima não havia sofrido assédio, mas apenas “conduta inapropriada” por parte de Rogério. Porém, ela recorreu, tendo a decisão revista nesta segunda-feira (20).

“A decisão (anterior) não considerou a possibilidade de assédio no sentido mais amplo, fazendo uma interpretação eminentemente jurídica da questão. Os pareceres apresentados, todos eles voltados para o mundo jurídico, em especial o penal, olvidam-se da análise ética e da possibilidade de interpretar o assédio em seu sentido amplo, não só como violação à legislação nacional”, destacou Amilar Fernandes Alves.

Além disso, os integrantes da Comissão de Ética ressaltaram no texto que “impressiona que o próprio denunciado não nega os inaceitáveis diálogos com a denunciante, apenas cuida de minorar sua gravidade”.

Além da acusação de assédio, os membros da comissão também decidiram punir Caboclo por usar recursos da CBF para comprar bebidas alcoólicas para consumo próprio.

“Não é esperado do administrador probo o emprego de recursos da entidade para satisfação de desejo personalíssimo”, diz o parecer.

Consequências futuras

Se acatada pela Assembleia Geral, a nova suspensão tira de Rogério Caboclo a chance de concorrer à reeleição. Em geral, a eleição para presidente da CBF é realizada um ano antes do término do mandato, ou seja, deverá acontecer em abril do próximo ano, quando Caboclo ainda estará cumprindo suspensão.

O dirigente também não poderá acompanhar a delegação brasileira na Copa do Mundo do Catar, caso a ‘Canarinho’ vá ao Mundial, marcado para começar em novembro de 2022.

Nesse caso, seria a segunda vez consecutiva que a seleção brasileira estaria numa Copa do Mundo sem seu presidente. Em 2018, Marco Polo Del Nero estava afastado por decisão da Fifa, e não pode acompanhar os jogos de futebol na Rússia.

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