Seleção brasileira decide disputar Copa América no Brasil

Jogadores devem emitir nota explicando motivos da revolta com a competição e com a desorganização da Conmebol

Os jogadores da seleção brasileira decidiram que vão disputar a Copa América no Brasil. Eles negam qualquer pedido de férias, mas não abrem mão de explicar os motivos da revolta com a competição que veio parar no Brasil sem aviso prévio.

Os atletas vão divulgar um manifesto, em forma de uma nota simples e curta falando sobre sua desaprovação da maneira como a Copa América foi transferida para o Brasil, depois da desistência de Colômbia e Argentina. E também vão criticar a desorganização da Conmebol. No documento, eles querem deixar claro que o posicionamento não era político e que valeria para qualquer país onde o torneio fosse realizado.

Seleção Brasileira decide participar da Copa América no Brasil – Foto: Lucas Figueiredo/CBFSeleção Brasileira decide participar da Copa América no Brasil – Foto: Lucas Figueiredo/CBF

Os atletas, no entanto, ainda não definiram a data de divulgação do documento. Pode ser ainda nesta segunda-feira (7), mas é mais provável que seja após a partida contra o Paraguai, nesta terça-feira (8), pelas Eliminatórias da Copa do Mundo.

Os jogadores estão tentando divulgar o manifesto juntamente com atletas de outras seleções para acentuar que não se trata de ação com caráter político.

Existe ainda a possibilidade de o elenco fazer alguma manifestação em relação à pandemia no Brasil, usando suas imagens em prol do combate à doença. O Brasil está perto de registrar 500 mil mortos pela Covid-19. Entrar em campo com faixas de alerta não está descartado.

Decisão da CBF

Na semana passada, o presidente afastado da CBF por denúncia de assédio sexual e moral, Rogério Caboclo, acertou com a Conmebol e com o presidente Jair Bolsonaro a realização da Copa América no Brasil. A decisão foi tomada sem consulta ao técnico Tite, ao capitão Casemiro e às principais lideranças da equipe.

Nem mesmo outros departamentos da CBF foram consultados para a organização do evento. Este é um dos principais motivos de insatisfação. Os jogadores se sentiram traídos pelo dirigente e não aceitam a maneira como a decisão foi tomada.

Os atletas vão manter a postura contra a realização da disputa no Brasil e da forma como ela foi “empurrada” para eles na concentração das Eliminatórias, mas não vão prejudicar a entidade “seleção brasileira” numa competição internacional.

Eles também condenaram a presença do dirigente em Porto Alegre nos treinos e no vestiário. Caboclo tentou contornar o clima, mas só fez piorar o sentimento de todos.

Disse o que não deveria, proibiu Casemiro de dar entrevista, o que ele não cumpriu, porque falou em entrevista à Globo, detentora dos direitos de transmissão após a vitória diante do Equador, e ainda tratou, segundo apurado pelo Estadão, o elenco em tom pejorativo entre patrão e empregado, o que só causou mais revolta. Com o afastamento de Caboclo, o cenário mudou.

Não se sabe se todos os jogadores vão disputar a Copa América. Tite pode repensar o grupo. Em princípio, todos eles ficariam juntos, como disse Casemiro. O torneio começa dia 13 acaba dia 10 de julho, se o Brasil chegar até a decisão, marcada para o Rio. A seleção é a última campeã da Copa América, em 2019, após superar o Peru.

Os jogadores não sabem nada da Copa América: se vão ficar na Granja Comary, o mais provável, ou se num hotel nas cidades de Brasília, Goiás ou Cuiabá. Também não foram avisados dos traslados das viagem e das rotinas de uma competição com a chancela da Fifa e da Conmebol. Dizem que, se a Copa América fosse realizada na Argentina, sabiam que o país tinha se preparado há dois anos para recebê-la, diferentemente do Brasil, que tenta se organizar em dez dias.

Para os jogadores, a Copa América não vale muita coisa em seus respectivos currículos. Vale apenas mais uma taça. O campeão vai ganhar R$ 52 milhões.

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