Fábio Machado

Rotina, contratações e análise dos jogos dos clubes catarinenses. A história do futebol no Estado é resgatada com postagens que relembram os títulos e jogadores que marcaram Santa Catarina.


Uma especialidade do futebol brasileiro, arrumar desculpas pelas derrotas

O futebol brasileiro está se especializando em arrumar desculpas pelos erros e derrotas. Enquanto brincamos de ser os "melhores do mundo" vamos perdendo espaços no cenário mundial.

Neymar é a cara do futebol atual. – Foto: Foto: ReproduçãoNeymar é a cara do futebol atual. – Foto: Foto: Reprodução

Está sobrando desculpa no futebol brasileiro para justificar as derrotas, frutos, na maioria das vezes,de nossas próprias incompetências. Está sobrando arrogância para não entender que, quando o nosso futebol sai derrotado dos gramados, há do outro lado, times e escolas que evoluíram, enquanto que por aqui passamos os dias brincando de “melhores do mundo”!

Neste último fim de semana, o Palmeiras perdeu para o Tigres do México na semifinal do Mundial de Clubes da FIFA. Logo após o jogo na entrevista do goleiro Weverton, a desculpa pela derrota logo surgiu: o time paulista não teve tempo para se preparar, para treinar. Como se o adversário também não tivesse esse problema. O que custa reconhecer que os mexicanos foram melhores durante os noventa minutos da partida e mereceram a vitória? O pior, é que essa ideia, ou justificativa, foi aceita por parte da imprensa esportiva de São Paulo, esquecendo que a final da Libertadores do Palmeiras e Santos há poucos dias foi horrorosa em termos técnicos. (Atenção: sem tirar o mérito da conquista alviverde).

O futebol brasileiro está perdendo espaço, e com isso as desculpas estão se avolumando. Hoje, a seleção brasileira quando é derrotada por uma das “Bolívias” da vida, a culpa é da altitude. Mas nos anos 60, 70 e 80 quando a Seleção subia “a serra” e empurrava três, quatro, cinco gols, ninguém se lembrava das dificuldades geográficas. Nas últimas 4 copas do mundo, os adversários não foram melhores do que a nossa seleção. Se perdemos, é porque tivemos uns probleminhas no caminho. Na Copa de 2006, a culpa da derrota para a França foi porque o lateral Roberto Carlos estava arrumando as meias na cobrança de falta do Zidane; na Copa de 2010, a culpa da eliminação para o Holanda foi a expulsão do Felipe Melo; na Copa de 2014, a goleada de 7 x 1 para a Alemanha só aconteceu por que a seleção não contava naquele dia com o zagueiro Tiago Silva e com o atacante Neymar e, finalmente, na Copa da Rússia, fomos eliminado pela Bélgica, porque o treinador da seleção adversária inverteu a posição dos laterais e não avisou o treinador Tite, que só percebeu isso nos minutos finais. E assim vamos acumulando desculpas para as derrotas, para os insucessos.

Vamos lá, mais um exemplo: na disputa pelo título de melhor jogador do planeta, estamos comendo poeira desde 2007, quando o meia Kaká foi escolhido o melhor jogador do mundo da FIFA. De lá para cá, enquanto o Neymar fica brincando de “Pop Star”, o argentino Messi, o português Cristiano Ronaldo e agora, o polonês Lewandowski estão acumulando gols nas suas carreiras. E o pior, estamos tão carentes, que na última década, não surgiu nenhum atleta do futebol brasileiro que pudesse brigar por essa condição.

Ano que vem, teremos mais uma edição de uma Copa do Mundo. E novamente vamos com o “professor” Tite no comando e com o Neymar como o craque, o salvador. E desde já um aviso, nenhuma Seleção é melhor do que a nossa. Se perdemos mais um mundial, não é porque os adversários derrotaram a gente, nós é que perdemos para eles.