Fábio Machado

Rotina, contratações e análise dos jogos dos clubes catarinenses. A história do futebol no Estado é resgatada com postagens que relembram os títulos e jogadores que marcaram Santa Catarina.


No Avaí, um mundo paralelo e cada vez mais distante da sua torcida

Os clubes estão cada vez mais sintonizados com as redes sociais, menos o Avaí que atua num mundo paralelo e distante do planeta Terra.

Camisa contestada e derrota humilhante na Ressacada – Foto: Roberto Zacarias/Mafalda Press

Os clubes estão cada vez mais sintonizados com as redes sociais para entender o sentimento do seu torcedor. Recentemente tivemos treinadores e jogadores que tiveram a negociação interrompida pela ampla rejeição da sua torcida nas redes sociais. Basta citar apenas o exemplo do meia Thiago Neves que iria vestir a camisa do Atlético Mineiro. As redes sociais “berraram” e a negociação foi suspensa. Treinadores já foram vetados por torcedores. Até uniformes. Não é à toa que as empresas costumam “vazar” as camisetas nas redes apenas para sentir a reação da sua torcida. Mas, aqui no futebol de Florianópolis, ocorre um fenômeno inverso. Mais especificamente no Avaí. Se uma ação é rejeitada, aí é mesmo que insistem. Vamos ao exemplo. No início da semana passada, o clube mostrou nas redes sociais o terceiro uniforme elaborado pela Umbro. Imediatamente as reações foram adversas. E não sem motivo. A camisa é horrorosa e desrespeitosa num esforço para fugir à tradição do clube, o azul e branco, e para piorar, o escudo antigo está com as cores invertidas. Como se no Avaí estivessem num mundo paralelo, no dia seguinte divulgaram o preço: R$ 280. Da revolta, a reação virou chacota. Ainda num mundo paralelo, sem dar resposta para o torcedor ou alguma satisfação, o Avaí publicou a foto de um torcedor que teria sido o primeiro a comprar a horrenda camiseta. Vejam bem, três dias após o lançamento, quando em outras situações ocorre fila para adquirir o uniforme no dia da abertura da loja. Nas redes sociais, a maioria dos torcedores “duvidou” desta compra e desafiaram a loja do Avaí para que publicasse a nota fiscal da venda. Com o marketing fincado os pés em Marte, alguém pensou: “Vamos usar a camisa amarela diante do lanterna Sampaio Corrêa. Ganhamos o jogo e a torcida para de reclamar”. Só que o jogo não foi em Marte, onde atuam os dirigentes e executivos avaianos. O jogo foi aqui na Terra, no estádio da Ressacada, no sul de Florianópolis. E o Sampaio Corrêa meteu um sonoro 5 x 2 (poderia ser mais…). A reação foi imediata e previsível nas redes sociais. Os “memes” foram imediatos relacionando a camisa amarela com a “entrega dos Correios em casa” assim como a “amarelada” dos jogadores na Ressacada. E antes que alguém grite que a crítica está exagerada, é bom lembrar sobre o lançamento do uniforme número 1. Foi um show de competência: a organização no evento digno de todos os elogios. Foi nota 10, memorável. A diferença é que no lançamento do uniforme número 1, os profissionais do Avaí estavam trabalhando ali no sul da ilha com os pés bem fincados no chão. E não onde os dirigentes e executivos do Avaí estão agora, numa dimensão paralela onde as mensagens dos torcedores são ignoradas e imediatamente deletadas.