Parabéns, Leão! Avaí completa 97 anos mirando consolidação na elite do futebol nacional

Em homenagem a mais uma ano de vida de uma das maiores instituições de Santa Catarina, o nd+ foi atrás de personagens para ilustrar uma paixão em azul e branco que promete se perpetuar pela eternidade

“Esse Avaí faz ‘côza'”. Este talvez seja o “mantra” que melhor representa o aniversariante do dia e sua torcida. O Leão da Ilha comemora 97 anos nesta terça-feira (1) e a equipe do nd+ também deixa sua homenagem ao clube catarinense.

Mas não é apenas sobre a capacidade do Leão da Ilha em se reinventar frente as mais variadas adversidades, mas também, sua abrangência em cativar adversários e reunir o respeito da comunidade do futebol nacional.

Estádio da Ressacada é um cartão postal da capital Florianópolis – Foto: Leandro Boeira/Avaí F.C

Ainda que os tempos não sejam os mais favoráveis às felicitações e comemorações, mas como bem cita o colunista do Grupo ND, Fábio Machado “é uma data que não pode e não deve passar em branco, a história do Leão da Ilha é rica em conquistas, glórias e de uma camisa que vestiu grande e inesquecíveis craques”.

Ainda em números que estão sendo vasculhados e a todo instante atualizados, de acordo com o historiador e presidente do Conselho Deliberativo do clube, Spyros Diamantaras, são mais de 4.200 jogos além de quase 6.800 gols marcados.

Originado no campo do Baú, bairro da Pedra Grande – atualmente Agronômica -, passando pelo extinto Aldofo Konder até a Ressacada, no Sul da Ilha de Santa Catarina é quase um século de muito amor e muita história a ser contada.

É com essa prerrogativa que a reportagem reuniu depoimentos de símbolos, seja no campo ou na arquibancada, de um Leão que ruma para 100 anos de história com a certeza de amor e fanatismo plantados, que asseguram, pelo menos, outros 100 anos de um gigante do Sul do País.

Um salve de gerações diferentes de ex-jogadores

A razão azurra de existir está em seu torcedor

Ainda que um clube de futebol seja medido pela pompa e até mesmo pelo número de taças guardadas em uma galeria, é o torcedor que representa o maior patrimônio de uma instituição.

E também por isso, o Avaí é um clube gigante. Além das conquistas nas esferas regionais, estaduais e nacionais, o Leão da Ilha sabe que tem um caminho a percorrer e, ano a ano, se credencia a ser uma força do primeiro escalão do futebol nacional.

Enquanto essa condição não chega, é no seu torcedor que o clube vê sua força e sua razão de existir. Inclusive, é uma peculiaridade do torcedor azurra. Pode não ser a maioria ou representar números estrondosos, mas é inegável que quem o é, é completamente apaixonado.

Como o sentimento que propulsiona a paixão tem influência na loucura do ser-humano, nada mais “louco” que o apaixonado  Jonas Madruga, 37 anos, sócio e torcedor assíduo do Leão da Ilha.

Entre suas incontáveis histórias envolvendo um amor em azul e branco, ele pontua viagens longas, apostas e… cicatrizes.

“Depois da disputa de pênaltis contra a Chapecoense, na final do estadual 2019, logo que o juiz apitou o fim das cobranças eu saí correndo e, no estacionamento do setor A, que é de pedra solta, eu dei um “carrinho” de joelhos, aquele que os jogadores deslizam depois de marcar um gol”, relembrou Jonas que, em movimento “mea-culpa” admite que as vezes nem ele sabe como teve coragem de fazer isso.

Jonas conta e brinca com amigos que ainda pretende fazer duas tatuagens nos joelhos para relembrar o título da temporada passada, o de número 17 na história do clube.

Mais homenagens ao Leão

“Momento ímpar”, afirma Battistotti

O atual presidente do clube, Francisco Battistotti, definiu como “ímpar” o momento vivido pelo clube. Conforme o mandatário o clube vem tratando com muito cuidado o momento conturbado vivido pela pandemia da Covid-19.

Francisco Battistotti, presidente do Avaí – Foto: Arquivo/Flávio Tin/ND

“Nossos objetivos estratégicos estão traçados e estamos desenvolvendo o projeto. Queremos um clube estruturado administrativa e financeiramente para sustentar a volta à Série A”, afirmou Battistotti.

“O Avaí FC só chegou aqui forte e saudável porque muitos abnegados avaianos deram sua contribuição ao longo dos anos. Muito sangue e suor derramados nos gramados em busca do que somos hoje. Um clube reconhecido no país inteiro, com esta torcida maravilhosa e um patrimônio que nada fica a dever aos grandes clubes do país”, reiterou o presidente.

Battistotti ainda reverenciou o fundador do clube em 1923, Amadeu Horn. “Aquela turma que costumava jogar bola na rua Frei Caneca conheceu nosso fundador. Os meninos ganharam um jogo de camisas, que naquela época eram singelos ternos”, lembrou o mandatário.

As cores azul e branca escolhidas para o uniforme homenageavam o Clube Náutico Riachuelo. “o Avaí é isso, muita história, contagiando a todos nós nessa batalha que ainda continua para transformar. O Avaí que chega há três anos de seu Centenário pensando  alto e nossa vocação é vencer, pois somos o time da raça”, concluiu o presidente.

Jogos históricos:

Figueirense 0x1 Avaí – Final do Campeonato Catarinense de 1975 – O gol de Juti de cabeça deu o título estadual ao Leão em pleno Orlando Scarpelli.

Time do Avaí de 1975; campeão dentro do estádio Orlando Scarpelli, do seu maior rival – Foto: Divulgação/ND

Avaí 2×1 Blumenau – Final do Campeonato Catarinense de 1988 – Recorde de público no estádio da Ressacada: 25.735 público oficial (32.226 número extra oficial) assistiram o Leão conquistar seu 12º título catarinense.

Avaí 1×0 Brasiliense – Campeonato Brasileiro Série B 2008 – O Avaí voltou a Série A após 29 anos longe da elite nacional. O gol marcado por Evando garantiu a vitória sobre o Brasiliense e a vaga na primeira divisão.

Avaí 6×1 Chapecoense – Final do Campeonato Catarinense de 2009 – Após perder a primeira partida por 3 a 1, o Avaí devolveu o mesmo placar na Chapecoense na partida de volta da final do estadual de 2009. Na prorrogação o Leão marcou ainda mais três vezes e decretou a goleada por 6 a 1.

Avaí 3×0 Flamengo – Campeonato Brasileiro Série A 2009 – O Avaí atropelou o futuro campeão da competição, Flamengo, na Ressacada. O elenco rubro-negro contava com nomes como Léo Moura, Petkovic e Adriano. O Leão terminou em sexto lugar na competição no que foi a melhor participação de um clube catarinense na Série A.

Avaí 3×1 Emelec – Copa Sul-Americana 2010 – Após perder para o Emelec por 2 a 1 em Guayaquil, no Equador, no que foi sua primeira partida disputada fora do Brasil, o Avaí venceu o Emelec na Ressacada e carimbou a classificação da equipe para as quartas de final da competição. Roberto, Eltinho e Emerson marcaram para o Leão em um intervalo de apenas seis minutos. A curiosidade, é que na época a equipe equatoriana era treinada por Jorge Sampaoli, atualmente no Atlético-MG.

Avaí 3×2 Santos – Campeonato Brasileiro Série A 2010 – Conhecido como o “jogo do fico”, o Avaí bateu o Santos de Neymar por 3 a 2 na Ressacada de virada após estar perdendo por 2 a 0. A curiosidade é que na época o ídolo Marquinhos Santos era jogador do Peixe, ele não chegou a entrar em campo mas estava na Ressacada no dia da partida.

Avaí 3×0 Figueirense – Final do Campeonato Catarinense de 2012 – O Avaí atropelou o maior rival na primeira final do estadual de 2012. Nunes, Felipe Alves e Cléber Santana marcaram o 3 a 0 para o Leão e encaminharam o título estadual.

Avaí 1×0 Vasco – Campeonato Brasileiro Série B 2014 – O Avaí chegou a última rodada da Série B precisando de uma improvável combinação de resultados para conquistar o acesso ao elite.  Atlético-GO e o Boa Esporte tropeçaram, o Avaí bateu o Vasco com gol de Marquinhos e voltou a elite.

* Colaborou: Marcos Jordão

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