Campeões pelo JEC há 20 anos se reencontram na Arena

Marlon, Juari e Duda se reencontram no campo que rendeu memórias e vitórias

A convite da reportagem do Grupo ND, três jogadores que sagraram-se campeões pelo Joinville Esporte Clube em 2001 – o atacante Marlon e os volantes Juari e Duda – voltam ao clube que defenderam para revisitar o passado e falar sobre a conquista que até hoje é motivo de orgulho para o torcedor.

A memória do torcedor de futebol costuma ser infalível. Quando questionado sobre os principais títulos conquistados pelo clube para o qual torcem, os mais apaixonados lembram deles com riqueza de detalhes, bem como recuperam as memórias de cada troféu erguido.

Juari, Duda e Marlon Da esq. para dir. Juari, Duda e Marlon fizeram história pelo JEC  – Foto: Jean Balbinotti/ND

E quando o clube acumula um jejum de 20 anos? Nesse caso, o jeito é olhar de forma positiva e buscar alternativas para voltar a dar a volta olímpica no gramado.

Pensando nisso, o Grupo ND recorda, na edição deste fim de semana, a última conquista em âmbito regional. Ela aconteceu no ano de 2001, mais precisamente no dia 3 de junho, e até hoje é motivo de orgulho para o torcedor.

É bem verdade que em cinco ocasiões, nos anos subsequentes, o JEC beliscou a taça – 2006, 2010, 2014, 2015 e 2016 -, mas esbarrou em erros e ficou com o vice-campeonato em todas elas. Agora, o desafio é acabar com esse longo jejum de 20 anos no Estadual.

E para erguer o astral do time e do torcedor, nada melhor que promover um reencontro de atletas que defenderam o clube em 2001 e colocaram a faixa no peito. Isso aconteceu na última terça-feira, dia 30 de março, na Arena Joinville, e contou com a presença do atacante Marlon e dos volantes Duda e Juari.

Logo na chegada, o trio trocou cumprimentos, respeitando os protocolos de segurança em razão da pandemia e usando máscaras. A felicidade podia ser vista no olhar de cada um.

“Pô, só assim para a gente se reencontrar hein, Duda?”, afirmou Juari, que, assim como o antigo companheiro de time, mora em Joinville.

Já no momento que o atacante Marlon apareceu, Juari não se conteve e brincou com o antigo parceiro, falando para a reportagem.

“O Marlon sempre foi um cara diferenciado. Jogava muito, mas também era o mais procurado pela torcida feminina. E o pior é que continua bonitão”, disparou. Marlon não se intimidou com a brincadeira, encarou Juari e soltou uma gargalhada para “quebrar o gelo”.

Para eles, a amizade conquistada dentro de campo é o que mais importa, assim como deve ser uma equipe vencedora. Confira a seguir o resultado dessa descontraída resenha:

Faro de gol e oportunismo

O time de 2001 entrou para a história do JEC por ter conquistado o bicampeonato estadual. E um dos destaques daquela equipe foi o atacante Marlon, que chegou no clube durante a disputa do Estadual. Com oportunismo, ele balançou as redes do Criciúma três vezes nos dois jogos finais e, de cara, ganhou a simpatia da torcida.

Depois do título, assumiu a titularidade, foi o goleador da Série B do Brasileiro e se tornou um dos maiores artilheiros do clube em todos os tempos. Hoje, aos 44 anos e morando em Curitiba (PR), Marlon fica ‘balançado’ ao falar do time e da conquista de 2001.

“Foi um título inesquecível. Eu era o reserva do Selmir, que se machucou nos dois jogos da decisão e aí pude mostrar a minha qualidade. A gente sentia algo diferente. Éramos muito unidos dentro e fora de campo e isso foi fundamental para levantarmos aquela taça”, lembra Marlon.

Depois do Estadual, Marlon virou titular da equipe, marcou 18 gols na Série B e virou referência no ataque tricolor. Se aposentou dos gramados em 2008 ainda muito jovem, aos 32 anos, mas não esquece da passagem pelo JEC. Afinal, viveu no clube uma das melhores fases da carreira.

“Em termos de média de gols, certamente foi a minha melhor. É difícil esquecer”, diz o atacante, que tinha como principais virtudes o cabeceio e o chute de perna esquerda.

Em pouco mais de dois anos no Tricolor, Marlon disputou 86 jogos e marcou 51 gols – média de 0,59 gols por partida. Para se ter uma ideia do significado dessa marca, na história do clube, ele está atrás apenas dos atacantes Lima, que tem média de 0,68 (140 gols em 206 jogos), e Marcos Paulo, com média de 0,60 (80 gols em 134 jogos).

E na decisão de 2001, Marlon foi realmente decisivo. Marcou dois gols na vitória de 3 a 0 no antigo Estádio Ernestão e um gol na vitória de 2 a 0 no Estádio Heriberto Hülse, em Criciúma.

“Pelo placar agregado (5 a 0), parece que foi fácil, mas não foi não. O Criciúma tinha muita qualidade, só que nós jogamos bem, com uma estratégia bem definida pelo Arthur Neto (treinador) e vencemos as duas partidas. Foram jogos inesquecíveis”, afirma.

  • Perfil
    MARLON (Marlon de Souza Lopes)
    86 jogos pelo JEC (33v, 25e, 28d)
    51 gols
    7º maior artilheiro da história do clube em número de gols
    3º maior artilheiro da história do clube em média de gols (0,59)

Prata-da-casa com fome de bola

Cria da base tricolor, o volante Duda se firmou na equipe profissional do JEC em 2001. No Estadual daquele ano, ele disputou 16 jogos, quase todos entrando no decorrer das partidas, e também com saudosismo da época. Duda tinha apenas 20 anos e era um dos preferidos do técnico Arthur Neto para entrar nos jogos.

“São lembranças maravilhosas. Eu era a prata-da-casa e brincava com o técnico que estava pronto para atender ele quando precisas- se”, diz. E o técnico, de fato, precisou. No primeiro jogo da final de 2001, no Ernestão, Duda entrou em campo nos minutos finais para dar mais segurança defensiva, só que, além disso, ele subiu ao ataque e, aos 45 minutos, fez um lançamento preciso na área para Marlon bater forte e decretar o triunfo por 3 a 0.

Recordar o antigo estádio é trazer à tona a história de Duda. Nascido em Guaratuba, no litoral do Paraná, ele jogou nas categorias de base do JEC e morou no alojamento que havia debaixo da arquibancada social do estádio.

Foram momentos difíceis, mas que deram a ele condições de se profissionalizar na carreira de futebol. Após defender o JEC, em 2003 Duda foi jogar no rival Caxias e, naquele ano, quase se sagrou campeão novamente, perdendo na decisão para o Figueirense. O jogador se aposentou cedo, em 2008, aos 27 anos, mas não guarda mágoas por isso.

“Eu só tenho que agradecer pelo que o JEC me proporcionou. Tive uma carreira curta, mas vivi momentos marcantes como o título de 2001. Isso é o que vale para a história”, comenta.

Hoje, aos 39 anos e formado em Educação Física, Duda continua perto da sua casa, o Estádio Ernestão, que foi desativado e só conta com parte da estrutura original. Ali, naquele espaço, onde Duda deu seus primeiros passos, ele ensina jovens e adultos a jogar futevôlei, sua outra paixão.

“O torcedor do JEC ficou mal acostumado com as conquistas dos
anos 1970, 1980 e 2000. É verdade que está na fila (de estaduais) por
bastante tempo, mas não dá para perder a fé e a esperança. Tem que
acreditar até o fim e atuar como se fosse um 12º jogador”, finaliza.

  • Perfil
    DUDA (Fabrício João da Silva)
    39 jogos pelo JEC (15v, 13e, 11d)
    3 gols
Ex-jogadores trocam passes na Arena e falam da expectativa de novas vitórias do Tricolor- Foto: Jean Balbinotti/NDEx-jogadores trocam passes na Arena e falam da expectativa de novas vitórias do Tricolor- Foto: Jean Balbinotti/ND

O guardião da defesa

Titular daquele time histórico e responsável por ser um dos guardiões da zaga tricolor ao lado de Perivaldo, o volante Juari recorda como se fosse hoje a conquista de 2001. À época, o Tigre contava com jogadores habilidosos e extremamente perigosos, como os atacantes Jefferson Feijão e Mahicon Librelato (já falecido).

“Naquele campeonato, fomos muito cobrados pela imprensa e pela torcida porque começamos mal a disputa e tínhamos a missão de manter a hegemonia, já que o JEC tinha sido campeão no ano anterior”, diz Juari.

Segundo ele, as chegadas do técnico Arthur Neto para substituir Abel Ribeiro, e do meia Perdigão, deram uma nova cara para o time. “A partir dali, a equipe engrenou e barramos o Criciúma, que era a sensação do campeonato”, destaca.

Juari sente saudades daquele grupo, que, na opinião dele, tinha alma campeã. “Era uma equipe maravilhosa. Tínhamos jogadores jovens, como o Duda (volante) e o Magal (lateral esquerdo), e experientes como o Perivaldo (volante), o Roberto (zagueiro) e o Marcão (goleiro). Essa mescla fez a diferença. E uma coisa que pouca gente sabe: eu e o Selmir entramos em campo machucados nas duas partidas da decisão. Foi na superação, mesmo”, diz.

Hoje, aos 48 anos de idade, Juari continua ligado ao futebol. É comentarista esportivo em uma rádio em Joinville e treinador das categorias de base do JEC e do Tamandaré, clube da zona Sul da cidade. Dos tempos de jogador do Tricolor, Juari recorda a paixão da torcida, que lotava as arquibancadas de madeira do Estádio Ernesto Schlemm Sobrinho, o Ernestão.

“Era uma sensação indescritível. O torcedor empurrava mesmo e a gente não tinha para onde correr. Vivíamos intensamente”, ressalta. De olho no futuro, Juari diz ter certificações para treinar equipes profissionais, mas que o foco agora é trabalhar na mídia.

“Nunca pensei em ser comentarista esportivo. É algo totalmente novo, mas que me mantém ativo e ligado ao futebol”, reitera.

Sobre o jejum de 20 anos do JEC sem títulos estaduais, ele é enfático. “Eu acredito, sim, que a equipe atual do JEC pode ganhar o Estadual deste ano. Iniciou muito bem a disputa e pode surpreender. Tem que acreditar”, conclui.

  • Perfil
    JUARI (Juliano Cesar de Moraes Tobias)
    171 jogos pelo JEC (66v, 43e, 66d)
    4 gols

Participe do grupo e receba as principais notícias
do esporte de Santa Catarina e do Brasil na palma da sua mão.

Entre no grupo Ao entrar você está ciente e de acordo com os
termos de uso e privacidade do WhatsApp.

+

Futebol Catarinense