Fábio Machado

Rotina, contratações e análise dos jogos dos clubes catarinenses. A história do futebol no Estado é resgatada com postagens que relembram os títulos e jogadores que marcaram Santa Catarina.


Crônica: Lico, de Imbituba para o mundo. Nós já sabíamos!

Na crônica desta fim de semana, uma narrativa sobre o Lico, o craque que saiu de Imbituba para brilhar no melhor time do Flamengo da história. Nós já sabíamos....

LICO, NÓS JÁ SABÍAMOS.

No final do ano de 2019, foi lançada em Imbituba, a Revista do Lico, reunindo fotos, memórias e muitas histórias desse craque do futebol catarinense. Lico como é conhecido ou Antônio Nunes é uma pessoa sensacional. Família linda, do bem e amigo dos seus verdadeiros amigos. Nesta revista histórica, atendendo a um convite do próprio craque, tive o prazer de colaborar com um texto que compartilho aqui com os amigos e amigas leitores do ND. “Enquanto o Brasil se encantava com o time do Flamengo formado por Zico & Cia lá no final dos anos 1970 e início dos anos 1980, nós, catarinenses, sabíamos que ainda faltava uma peça para que aquele time se ajeitasse de forma ideal para entrar para a história como um dos times mais sensacionais do futebol brasileiro e mundial. Pacientemente, assistíamos aos jogos agoniados, sabendo que no banco de reservas estava a peça ideal do quebra-cabeça para encaixar no time montado pelo ex-treinador Cláudio Coutinho. Jogo a jogo, a agonia aumentava aqui no estado. “Ei, Carpegiani, olha para o banco”. “Professor, o time é bom, mas para ficar espetacular, preste atenção naquele cabeludo de pernas finas”. Nós sabíamos. Se entrar em campo não vai mais sair: vai marcar gols, vai fazer o time girar com mais dinamismo, vai fazer o Zico brilhar ainda mais (como se fosse possível isso!). Vai abrir um latifúndio no gramado para o Nunes acumular gols decisivos. Generosamente, dará a sua contribuição com o seu futebol para as jogadas de criação do Tita, do Adílio. Vai dar conforto na marcação para o zagueiro Andrade; vai abri corredor para o Júnior na esquerda. Vai ajudar os zagueiros Figueiredo, Marinho e Mozer, e vai tabelar com o Leandro no gramado e na amizade. Se não bastasse tudo isso, vai ainda arrancar sorrisos de satisfação do goleiro Raul. Nós sabíamos, e pacientemente, aguardávamos a sua entrada. Até que finalmente vimos o nosso Lico no gramado com a camisa do Flamengo. Aliviados, olhávamos para o lado com satisfação: “Não sai mais”. O resto é história e o reconhecimento de uma nação de torcedores – não só do Flamengo -, mas até dos adversários que tiveram o prazer de assistir o magrelo de Imbituba atuar no gramado. Apenas no segundo semestre de 1981, o título de campeão carioca, da Libertadores e o Mundial do Japão diante do Liverpool. Em todas essas conquistas históricas, lá nos pôsteres dos títulos (pendurados em várias casas por esse Brasil afora) aparece o nosso Antônio Nunes, nascido em Imbituba, ao sul de Santa Catarina. Quando orgulho de nossa parte. Nós sabíamos que o Lico iria brilhar. É que nós já tínhamos visto o Lico desfilando pelos gramados do nosso estado defendendo as equipes do América de Joinville, a dupla da capital Avaí e Figueirense, o Marcílio Dias e o Joinville. Se para o futebol brasileiro foi uma grande surpresa, para nós apenas a satisfação de ter o no uniforme e nas chuteiras do craque, um pedacinho da gente, de cada região do estado de Santa Catarina ali nos representando. Obrigado, Lico”.