Entenda os detalhes da volta do futebol em Santa Catarina

Decisão foi revista pelo governo do Estado após adiar o retorno do estadual até 7 de agosto; partidas devem acontecer entre quarta e quinta-feira

Após idas e vindas, o Campeonato Catarinense irá retornar. O anúncio foi feito pela FCF (Federação Catarinense de Futebol) na noite deste domingo (26). A notícia foi confirmada em conversa entre Rubens Angelotti, presidente da federação, e Carlos Moisés, governador do Estado.

Conversa entre Moisés e Angelotti determinou o retorno do campeonato estadual – Foto: Reprodução

O governo confirmou a liberação na manhã desta segunda-feira (27) em contanto com a reportagem do nd+. A portaria com a regulamentação da atividade será publicada no decorrer do dia.

Em vídeo divulgado pela federação, Angelotti agradece a Moisés pela liberação e entende que a decisão foi “resultado dos argumentos e da segurança que o futebol apresenta dentro das normas aplicadas para a realização dos jogos”.

Além disso, o presidente reiterou a importância de “apontar um campeão legítimo e estabelecer o descenso dentro das regras aprovadas no conselho técnico”.

Veja o vídeo:

Os horários das partidas das quartas de final da competição e do descenso ainda não foram oficializados pela FCF. Porém, a entidade afirmou à reportagem que os jogos acontecerão entre esta quarta (29) e quinta-feira (30).

Veja as partidas:

Quartas de final:

Rebaixamento:

Falta de datas

O governador Carlos Moisés entrou em contato com o presidente da FCF neste domingo e transmitiu a informação de que havia voltado atrás da decisão que paralisava o futebol até 7 de agosto.

Caso não fosse revista a decisão, o estadual de 2020 corria o risco de não acontecer por falta de datas. O Campeonato Brasileiro da Série B teve seu início marcado pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol) justamente para 7 de agosto.

Seria necessário alinhar um calendário nacional – já apertado e que se encerrará apenas em 30 de janeiro de 2021 (para Avaí, Chapecoense e Figueirense na série B) – às cinco datas restantes do Catarinense (quartas, dois jogos da semifinal e dois da final).

Além disso, o início das séries C (em agosto, para Criciúma e Brusque) e D (em setembro, para Tubarão, Marcílio Dias e Joinville) do Brasileirão, “dificultariam” ainda mais um encaixe no calendário.

Partida entre Concórdia e Tubarão pode ter decisão nos tribunais – Foto: William Lampert/Tubarão

Apenas Concórdia e Juventus não têm competições nacionais em seus calendários. No entanto, conforme relatado à reportagem pelo presidente do Galo do Oeste, Jonas Guzzatto, a equipe não teria como entrar após o fim do mês de julho, pois 90% do elenco teria contrato apenas até o dia 31.

Já o Peixe do Sul, por meio de uma liminar, solicitou que o TJD-SC interceda junto a competição para que ela seja “cancelada ou que não tenha playoff do rebaixamento”. Uma terceira hipótese também foi levantada pelo clube para que “não se tenha o rebaixado”, mesmo que os duelos sejam mantidos.

O clube representante de Tubarão alega, entre outras coisas, a falta de treinamentos do seu grupo de jogadores, o clube retomou as atividades apenas na sexta (24).

Árbitros favoráveis à volta

O Sinafesc (Sindicato dos Árbitros de Futebol do Estado de Santa Catarina) se mostrou favorável ao retorno da competição. Em contato com a reportagem do nd+, o presidente do sindicato, Johnny Barros, afirmou que “vê segurança para o trabalho dos profissionais, em um meio onde todos são testados”.

Quadro de árbitros da FCF – Foto: FCF/divulgação

“Hoje, o futebol é o único segmento que segue todos os protocolos rigorosamente a risca”, reitera Barros.

O sindicato realizou no domingo uma videoconferência, onde os profissionais aprovaram o retorno. Segundo o presidente, foram ao todo 35 árbitros testados. “Alguns deles realizaram o teste duas vezes na mesma semana”, relata.

Entenda o caso

O turno do Campeonato Catarinense foi encerrado no dia 15 de março. Após 115 dias de paralisação, devido à pandemia do novo coronavírus (Covid-19), o estadual retornou com as partidas de quartas de final no dia 8 de julho.

Porém, o campeonato acabou suspenso por duas semanas pelo governo do Estado no dia 13, após casos de Covid serem registrados por Chapecoense, Criciúma, Marcílio Dias, Joinville e Figueirense.

Testagem dos jogadores do Concórdia – Foto: Ricardo Artifon/CAC

Após a suspensão, membros da FCF, representantes da SC Clubes e infectologistas da Secretaria de Saúde se reuniaram virtualmente para debater um novo protocolo.

Entre as principais mudanças exigidas estava a exigência de exames RT-PCR em todos os jogadores e membros de comissões técnicas até 48 horas antes dos jogos e o afastamento somente dos indivíduos com casos positivos.

A retomada da competição foi marcada pela federação para 27 de julho, com a partida de ida do descenso entre Tubarão e Concórdia, e nos dias 28 e 29 as partidas das quartas de final. Porém, na sexta-feira (24) o governo prorrogou a paralisação até 7 de agosto.

Catarinense nos estados vizinhos

O novo veto foi criticado pelo presidente do Avaí e da SCClubes (Associação de Clubes de Futebol Profissional de Santa Catarina), Francisco Battistotti, criticou a decisão em entrevista ao programa Clube da Bola da NDTV.

“Os 10 clubes da série A pagam por mês R$ 5 milhões de salários para os jogadores. É dinheiro que circula na sociedade”. E questiona: “Por que o governo estadual trata o futebol dessa maneira? ”, questionou na ocasião.

O presidente, inclusive, cogitou levar o estadual ao Paraná ou Rio Grande do Sul. “Os oito clubes querem disputar o Catarinense. Já boto aqui uma explicação, se a Chapecoense, o presidente da FCF aceitar, vamos terminar o Estadual no Paraná ou no Rio Grande do Sul”, disse.

Os campeonatos estaduais no Paraná e no Rio Grande do Sul já foram retomados.

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