Figueirense oficializa gestão da SAF, mas segue buscando investidores

O 'preço' do clube não foi divulgado; sem nomes definidos, Paulo Prisco Paraíso afirmou que o investidor que chegar à Florianópolis deve ser estrangeiro

O modelo ‘SAF’ de gestão começa em mais um clube brasileiro. Nesta quinta-feira (13), o Figueirense oficializou a posse de Paulo Prisco Paraíso na Sociedade Anônima do Futebol do clube. No entanto, apesar da expectativa positiva do novo mandatário, vale ressaltar que o Figueirense não tem investidores em vista.

Posse aconteceu na manhã desta quinta, no Orlando Scarpelli – Foto: Patrick Floriani/FFC/Divulgação/NDPosse aconteceu na manhã desta quinta, no Orlando Scarpelli – Foto: Patrick Floriani/FFC/Divulgação/ND

Em entrevista coletiva, Prisco afirmou que este processo pode demorar, inclusive. “Não esperem que a gente anuncie um sócio daqui a 30, 60, 90 ou 120 dias. Dificilmente isso vai acontecer. Primeiro, temos que fazer tudo de maneira segura. Aqui não tem ninguém que vá chegar ao aeroporto dizendo que vai comprar o Figueirense”.

Dentre as declarações, o negócio foi considerado um ‘divisor de águas’ no alvinegro. Cabe lembrar que, nos últimos anos, em parceria formada com a empresa Elephant, o clube enfrentou um declínio, tanto nos gramados quanto no aspecto financeiro.

Fruto de gestões anteriores, o time já conta com uma recuperação extrajudicial homologada, reduzindo o valor das dívidas com os credores de R$ 185 milhões para R$ 110 milhões. Além disso, estão aprovados no negócio o prazo de um ano de carência, além do período que varia de 10 a 20 anos para a quitação total da dívida.

” É um divisor de águas para tornar o Figueirense novamente o maior clube de Santa Catarina e colocá-lo de novo na elite do futebol brasileiro […]. A partir de agora, podemos conversar com investidores para captar recursos e atingir seus objetivos”.

Em resumo, no novo modelo de clube-empresa, o Figueirense já está de no mercado para atrair investidores. O ‘preço’ do clube não foi divulgado, e deve ficar no sigilo, até que a nova direção opte por divulgá-lo. Sem nomes definidos, Prisco afirmou que o investidor que chegar à Florianópolis deve ser estrangeiro.

“Estamos muito mais para investidor estrangeiro do que alguém daqui no Brasil. Temos conversado com pessoas do ‘boarding’ e vemos que esses estrangeiros têm números que se aproximam do que o Figueirense precisa, mas não temos um nome e nem um orçamento definido do que precisamos”.

Com expectativa de voltar à elite do futebol brasileiro em 2024, o clube planeja antes o retorno à Série B, já na temporada de 2023, o que deve influenciar no valor e no investimento feito no Figueirense. “Talvez, um diferencial do valor [de mercado] é o que vai determinar a conquista de um acesso ou de um título. Eu acredito que vamos chegar a um valor em breve”, finalizou Paraíso.

O que é a SAF?

O modelo divide a opinião de torcedores brasileiros. Com o principal objetivo de profissionalizar a gestão dos clubes, a SAF busca equilibrar e equacionar as dívidas dos times. No Brasil, situações financeiras como dos times do Cruzeiro e Botafogo chamara atenção nos últimos anos. Os clubes também adotaram, recentemente, o modelo de gestão SAF.

A ‘Sociedade’ é optativa. Aqueles que optam pela adoção dela podem se manter no modelo associativo ou se tornar uma S/A. A negociação ainda abre margem para aquilo que os torcedores mais temem: a mudança de identidade. No entanto, alterações no nome, escudo, uniforme e hino só ocorrem mediante a aprovação da associação que criou o clube-empresa.

Por fim, a legislação brasileira abre espaço para que todo o patrimônio do clube seja transferido ou, então, liberada a “cisão do departamento de futebol”. A SAF passa ainda a assumir as negociações de contratação, salários e demais questões burocráticas.

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