Invasão no Orlando Scarpelli: Justiça nega oito pedidos de prisão

Segunda fase da Operação Hooligans, deflagrada nesta sexta-feira, teve 12 mandados de busca e apreensão cumpridos; Apesar da representação por oito prisões temporárias, Judiciário disse não

Já está em posse da Polícia Civil, em trabalho presidido pelo delegado Paulo Hakim, os materiais apreendidos na segunda fase da Operação Hooligans, deflagrada na manhã desta sexta-feira (20) nos municípios de Florianópolis e São José.

Materiais apreendidos na operação deflagrada pela Polícia Civil, nesta sexta-feira (20) – Foto: Polícia Civil/divulgação/ND

Foram 12 mandados de busca e apreensão expedidos em desfavor de integrantes de uma torcida organizada do Figueirense que, segundo a investigação, teriam ordenado a invasão do estádio Orlando Scarpelli, em 5 de setembro de 2020.

Restaram apreendidos, além de um simulacro de arma de fogo, 15 aparelhos celulares, 140 gramas de maconha, um taco de madeira, facas e rojões.

“Próximo passo [da investigação] é analisar o material apreendido durante a operação e interrogar os suspeitos que já foram identificados”, explicou o delegado Paulo Hakim, titular junto a DP do Continente.

O delegado ainda revelou que a intenção dos mentores da ação era “cobrar” o time pelo fraco desempenho apresentado já que, na ocasião, o Figueirense viera de duas derrotas na competição: 1 a 0 para o Náutico, no Recife no dia 1º; e outra derrota por 0 a 1, em Florianópolis, para o Paraná Clube.

Pouco antes das 15h do sábado, dia 5 de setembro, cerca de 40 pessoas arrombaram um portão, invadiram o estádio Orlando Scarpelli sob ameaças e agressões a jogadores e funcionários do clube que preparavam-se para um treinamento.

Pedidos de prisão rejeitados

Ainda de acordo com o que foi repassado pela PC, na condição do chefe da investigação, foram pedidos oito mandados de prisão temporária, pelo crime de associação criminosa, mas todas as solicitações foram negadas.

O Judiciário, por sua vez, conforme apurado pela reportagem teria entendido não haver indícios suficientes para expedir mandados de prisão.

Ainda de acordo com a apuração, lideranças apontadas nesse inquérito teriam reincidido já que, na deflagração da primeira edição da operação, ainda em 2019 e sob os cuidados do delegado André Marafiga, algumas pessoas já haviam sido indiciadas no então inquérito.

Um elemento, entretanto, pode ter sido crucial para que a Justiça não deliberasse pelos pedidos de prisão: os jogadores que prestaram depoimento no curso das investigações, não quiseram representar criminalmente contra os agressores, por medo de futuras represálias.

Oficialmente as testemunhas não “reconheceram” os agressores apontados como suspeitos.

Demora no desfecho devido a um impasse no Judiciário

Foram 75 dias da invasão até a deflagração da operação. Para o delegado Hakim, contudo, há uma “explicação”. A Polícia Civil, na condição de polícia judiciária, representou pela prisão temporária de alguns dos envolvidos.

A data, segundo o delegado, era 15 de setembro, apenas dez dias depois do episódio. Um conflito de competência, no entanto, barrou o andamento do processo.

Confira, em vídeo, a explicação do delegado.

Trabalho em conjunto

Participaram da operação cerca de 40 policiais civis da Delegacia de Polícia do Continente, 1ª DP, 6ª DP, 10ª DP, Delegacia de Repressão a Roubos, Delegacia de Combate ao Crime Organizado (DECRIM) e Delegacia Regional de Polícia de São José.

Organizada não localizada

A reportagem tentou o contato com a torcida organizada, que disponibiliza um telefone com comercial para contato e WhatsApp. Nem as ligações e tampouco as mensagens foram respondidas.

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