Fábio Machado

Rotina, contratações e análise dos jogos dos clubes catarinenses. A história do futebol no Estado é resgatada com postagens que relembram os títulos e jogadores que marcaram Santa Catarina.


MEMÓRIA ESPECIAL: “O cinquentenário do Figueirense FC em 12 de junho de 1971

Neste dia 12 de junho de 2021, o Figueirense completa 100 anos de fundação. E como curiosidade, como foram as comemorações dos 50 anos do Alvinegro em 1971?

Expectativa na pacata Florianópolis para o cinquentenário do Figueirense – Foto: Jornal O Estado/Hemeroteca SCExpectativa na pacata Florianópolis para o cinquentenário do Figueirense – Foto: Jornal O Estado/Hemeroteca SC

Florianópolis, uma pacata capital de um estado brasileiro no distante ano de 1971. Apesar desse marasmo, o trânsito começava a preocupar os moradores da cidade. Primeiro, pela falta de vagas no centro e depois, pelas enormes filas no horário de pico na Ponte Hercílio Luz, a única travessia da ilha para a região continental. “O trânsito na Felipe Schmidt e no Estreito ficavam um inferno”. As obras da “ponte nova” iriam começar em breve. Pelo menos a maquete já tinha apresentada. Enquanto isso, no prédio recentemente inaugurado da Assembleia Legislativa, deputados da oposição questionavam os valores da futura ponte, da futura obra. Só que ao mesmo tempo saudavam a inauguração da BR 101 que estava asfaltada de Florianópolis até Torres, no Rio Grande do Sul. Outro problema na cidade: o terminal de ônibus ao lado do TAC (Teatro Álvaro de Carvalho). Filas e aglomerações de passageiros nos ônibus da empresa Trindadense. “Um desrespeito”. Enquanto isso, a FAINCO, agora sem o robô picareta, estava confirmada para ser realizada em mais uma edição e a praia mais frequentada era a orla de Coqueiros. Ah, mas talvez o maior problema da cidade em 1971, e motivo para discussões, era a liberação dos “slacks” ou calças para as jovens estudantes dos colégios do Instituto Estadual de Educação e Coração de Jesus. Quem brindava a novidade para “enfrentar a caretice da cidade” era o colunista do Jornal O Estado, Beto Stodieck. E é do saudoso e extinto Jornal O Estado, que buscamos as informações dos festejos do “Cinquentenário do Figueirense”.

Capa do Jornal O Estado (13.06) anunciando o cinquentenário do Figueirense – Foto: Acervo Jornal O Estado/Hemeroteca SCCapa do Jornal O Estado (13.06) anunciando o cinquentenário do Figueirense – Foto: Acervo Jornal O Estado/Hemeroteca SC

Na edição do dia 10 de junho de 1971, a manchete alertava: “Cidade se prepara para comemora o cinquentenário do Figueirense”. Na matéria que teve uma chamada na capa: “Figueirense comemora 50 anos no domingo”, a expectativa da cidade pela data. E apresentava a programação que começava na quarta à noite, dia 17, com um amistoso diante do Flamengo no estádio Adolfo Konder. O jogo terminou em 0 x 0. No dia 11, vésperas do aniversário do Figueirense, num sábado, ocorreu uma salva de tiros às 6h00 da manhã. Neste dia a vizinhança do estádio Orlando Scarpelli acordou cedo. A programação seguiu com a inauguração de uma placa alusiva ao cinquentenário, doação do Conselho Regional dos Esportes. Logo depois, às 13h00 rolou um churrasco com a presença de autoridades e imprensa, nas dependências do estádio. No dia 13, na programação anunciada pelo clube, uma Missa Campal no gramado e depois uma carreata “monstro” pelas ruas da cidade. E para fechar com chaves de ouro, o jogo diante do Hercílio Luz marcado para às 15h15. Esse confronto terminou em 1 x 1. Ou melhor não terminou. Detalhes abaixo.

Após a missa campal e a carreata, um caderno especial do Figueirense elaborado pelo jornal “O Estado” foi distribuído para os presentes. O trabalho foi coordenado pelo jornalista Maury Dal Grande Borges.

Caderno especial sobre os 50 anos do Figueirense – Foto: Acervo Jornal O Estado/Hemeroteca SCCaderno especial sobre os 50 anos do Figueirense – Foto: Acervo Jornal O Estado/Hemeroteca SC

JOGO CONTRA O HERCÍLIO LUZ TERMINOU NA DELEGACIA

Em jogo valendo pelo campeonato estadual, a festa terminou com o árbitro David Kappel “que teria sido expulso do futebol gaúcho”. Após o Figueirense abrir o placar, o juizão teria aprontado até que o time do Hercílio Luz chegasse ao gol de empate. Após muitos chutes na canela e intervenção da Polícia Militar para escoltar David Kappel, o “jogo foi encerrado por falta de segurança”. O pau pegou. O Figueirense atuou com Jocely; Arnoldo. Jaílson, Beto (Fernando) e (Pinga); Pelé e Sado; Jair; Caco, Cláudio e Mazinho. O time do Hercílio Luz entrou no gramado do Scarpelli com Zé Paulo; Édson, Pedrinho, Tadeu e Helinho, Chiquinho e Carioca; Lorenir, Adão, Luiz e Antônio e Passarinho

Anúncio e expectativa pelo jogo diante do Hercílio Luz – Foto: Acervo Jornal O Estado/Hemeroteca SCAnúncio e expectativa pelo jogo diante do Hercílio Luz – Foto: Acervo Jornal O Estado/Hemeroteca SC
Figueirense e Hercílio Luz não terminou. O pau pegou e o juizão saiu escoltado pela Polícia Militar. – Foto: Acervo Jornal O EstadoFigueirense e Hercílio Luz não terminou. O pau pegou e o juizão saiu escoltado pela Polícia Militar. – Foto: Acervo Jornal O Estado

EMPATE COM FLAMENGO

Na quinta seguinte, foi a vez do jogo festivo diante do Flamengo no estádio Adolfo Konder, à noite. O confronto elogiado pela imprensa local terminou em 0 x 0. O time do Figueirense atuou com Aguiar; Pinga, Jaílson, Beto e Fernando; Pelé e Ari (Zulmar; Jair (Arildo), Sado, Cláudio e Mazinho (Caco). O time carioca teve a seguinte escalação: Ubirajara:  Onça, Reyes, Washington e Rodrigues Neto; Liminha e Chiquinho:  Buião, Dionísio, Milton, Fio (Fred) e Arílson (Caldeira).

Flamengo foi a atração no Adolfo Konder. Figueirense foi elogiado pelo empate em 0 x 0. – Foto: Jornal O Estado/Hemeroteca SCFlamengo foi a atração no Adolfo Konder. Figueirense foi elogiado pelo empate em 0 x 0. – Foto: Jornal O Estado/Hemeroteca SC

O FIGUEIRENSE DO CINQUENTENÁRIO

O Figueirense Futebol Clube chegou ao seu cinquentenário com as esperanças renovadas pelas obras frequentes no seu novo estádio. Lembrando que o Orlando Scarpelli tinha sido inaugurado parcialmente em 1960. Havia também no ar, uma sinalização da CBD (Confederação Brasileira de Futebol) de que o estado de Santa Catarina ganharia uma vaga no campeonato nacional. O que acabou ocorrendo dois anos depois, e coube ao próprio Figueirense conquistar essa vaga após dois jogos com o rival Avaí. 1 x 0 no Adolfo Konder, gol do Tião Marino e depois um 0 x 0 em Itajaí, com o goleiro Alvinegro Da Costa fazendo milagres. Fora isso, o Figueirense vivia mais umas das suas intermináveis crises, apesar dos esforços do seu então presidente José Nilton Szpoganicz e demais abnegados. Nas comemorações dos 50 anos, o Figueirense vivia um jejum de título estadual. A última conquista tinha sido há 30 anos atrás, no distante ano de 1941. Porém, o destino apontava um caminho diferente para o clube. No ano seguinte, com a chegada do presidente José Mauro Ortiga, o clube do Scarpelli voltaria a levantar o troféu do estadual. Mas isso é uma outra história…

Time do Figueirense já com a faixa de campeão catarinense de 1972. Um ano após os festejos do cinquentenário do ALvinegro.  Era a volta do título para a Capital após quase três décadas. Em pé: Jorge Ferreira (treinador), Moenda, Jaílson, Carlos Roberto, Adairton, Egon, Pinga e Inerê Rosa. Agachados: Castelau, Caco, Souza, Luiz Evérton, Tião Marino, Lande e Paulo Sérgio (Massagista). – Foto: Acervo Placar/NDTime do Figueirense já com a faixa de campeão catarinense de 1972. Um ano após os festejos do cinquentenário do ALvinegro.  Era a volta do título para a Capital após quase três décadas. Em pé: Jorge Ferreira (treinador), Moenda, Jaílson, Carlos Roberto, Adairton, Egon, Pinga e Inerê Rosa. Agachados: Castelau, Caco, Souza, Luiz Evérton, Tião Marino, Lande e Paulo Sérgio (Massagista). – Foto: Acervo Placar/ND

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