Presidente do Conselho Deliberativo segue no Figueirense

Júlio Gonçalves chegou a anunciar saída, mas decidiu esperar pelo novo contrato com a Alliance

 

Marco Santiago/ND

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Legenda

O presidente do Conselho Deliberativo do Fi­gueirense, Júlio Gonçalves, falou com exclusivida­de ao jornal Notícias do Dia sobre o empréstimo feito pela Unicred ao clube há cerca de dez meses. Apesar de diretor administrativo da unidade de Florianópolis da cooperativa financeira de crédito, Júlio disse não ter se envolvido no processo, tanto no pedido por parte do Figueirense, quanto pela concessão da cooperativa. Ele também adiantou que não vai mais deixar a presidência do Conselho até que o novo contrato de gestão com a Alliance Sports seja concluído, o que deve ocorrer até o fi­nal de outubro – quando deve ser avaliado por todo Conselho Deliberativo.

Ao lado do advogado da Unicred, Douglas An­derson Dal Monte, Júlio Gonçalves esclareceu a transação de crédito tomada por meio de recebí­veis – ativos financeiros com pagamentos fixos não cotados em mercado ativo. “As relações Unicred e Figueirense são legítimas, são perfeitas sob o ponto de vista comercial. O Figueirense é um cooperado que mostrou capacidade de pagamento. E isto se confirmou, pois já são mais de dez meses e todas as prestações foram quitadas”, afirmou ele.

De acordo com o advogado da instituição, o Figueirense, através de sua diretoria exe­cutiva, da qual Júlio Gonçalves não faz parte, optou por uma obtenção de cré­dito junto a uma instituição financei­ra do mercado. Ele se absteve desta decisão. “A Unicred usou todos os recursos legais, fazendo análise de risco, verificando se as garantias oferecidas seriam suficientes e foi dado este empréstimo pela instituição financeira”, explicou Dal Monte.

Conselheiro defende acordo com Alliance Sports

“Quem deu o bote, pensando que me enchendo o saco eu ia correr, vai continuar tendo que brigar comigo. Porque eu vou continuar defendendo meu ponto de vista.” Contrariado com a repercussão que se deu à reunião do Comitê de Transição e blogueiros e twitteiros que acompanham o clube, na última terça-feira, Júlio Gonçalves resolveu voltar atrás da decisão de deixar a presidência do Conselho Deliberativo.

“Eu ia embora, já tinha anunciado, mas não posso ir. Não há aqui nenhum retorno de ordem material nisto, só há desgaste. Só há descrédito e sofrimento”, lamentou Gonçalves, que é um dos partidários pela permanência da Alliance Sports, mas sob um novo contrato.

“Nele vai estar a construção da Arena, o futebol de base, o profissional, toda possibilidade de receitas analisadas. Não tem mais esta história de 20 % para este ou para aquele e o risco é de todos e, principalmente, do gestor, que seria a empresa”, defendeu.

De acordo com Júlio, não há outra alternativa para tirar o clube da situação atual. “Eu tenho escutado o grupo que discorda da alternativa pela Alliance. É raiva pela raiva. Os custos do futebol não permitem mais estas coisas improvisadas e amadorísticas”, apontou Gonçalves, que está em sua quarta gestão como presidente do Conselho Deliberativo.

Quatro contratos e quatro medidas

Nova Arena, categoria de base e futebol profissional. Este é o tripé que está sob discussão na elaboração do contrato entre o escritório de advocacia contratado pelo Figueirense e os advogados da Alliance Sports, do empresário Wilfredo Brillinger.

De acordo com o presidente do Conselho Deliberativo, Júlio Gonçalves, a proposta elaborada pelo lado alvinegro, com respaldo dos integrantes do Comitê de Transição, foi avaliada pela empresa e devolvida ontem.

Após o fim da parceria com a Figueirense Participações, em 2010, esta é a primeira vez – de quatro – que o contrato entre as duas partes está sendo elaborado com tanto cuidado. “Na primeira, Wilfredo e Nestor (Lodetti) assinaram, até como pessoa física. Osegundo, organiza-se a Alliance e o Nestor ainda assina. Oterceiro é um aditivo de uma comissão formada por pessoas do Conselho, o Nestor assina e eu passo o visto”, contou Júlio Gonçalves.

Com um tratamento distinto dos demais, o quarto documento da parceria com a Alliance deve ser levado ao Conselho em outubro. Vale a construção da arena, o futuro das categorias de base e ter um time forte. Mas vale, principalmente, o futuro do Figueirense.

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