Conheça a história do jogador do JEC que viralizou no Brasil em vídeo

Thiaguinho Fumaça saiu do interior da Bahia quando tinha 13 anos e menos de dois meses depois de assinar o primeiro contrato profissional foi campeão e viu sua história rodar o mundo

Um discurso em uma preleção, um presente e uma história de superação e muito esforço por trás de um vídeo que rodou o mundo. O JEC campeão da Copa Santa Catarina tem muitas histórias e uma delas chamou a atenção depois que o vídeo dos bastidores da conquista foi divulgado. Pequeno, tímido e jovem. Esse é o Thiaguinho Fumaça que a torcida tricolor conhece, mas a história do camisa 20 que assinou o seu primeiro contrato profissional em dezembro mostra um gigante que superou muitas dificuldades e que sabe valorizar o sacrifício da família pelo seu sonho.

Thiaguinho se emociona ao lembrar dos sacrifícios da família para que ele pudesse viver o sonho do futebol – Foto: Gladionor Ramos/NDTVThiaguinho se emociona ao lembrar dos sacrifícios da família para que ele pudesse viver o sonho do futebol – Foto: Gladionor Ramos/NDTV

As imagens mostram o técnico Vinícius Eutrópio mostrando aos atletas que a competição, muitas vezes preterida no mundo do futebol, pode mudar vidas. Pode e já mudou. A de Thiaguinho já mudou. Depois de perder um treino porque ficou cerca de duas semanas sem celular, foi das mãos do comandante que o jovem atacante ganhou um aparelho novo, mas o celular não representa o impacto da atitude de Eutrópio e tudo que passou pela cabeça de Thiaguinho.

“Eu imaginava, mas não estava acreditando e quando eu peguei a caixa e vi o celular, me emocionei muito porque nunca tinha visto isso acontecer no futebol. Acontecem muitas coisas lindas, mas nunca tinha presenciado, ainda mais comigo. Sou muito grato a ele e vou levar essa atitude pra minha vida”, fala.

Tudo que passou pela cabeça do atacante é uma história de sete anos, desde o interior da Bahia até a porta do CT do Morro do Meio. Thiaguinho é natural de Itabuna e se mudou com a família aos 13 anos para São Paulo. O motivo da mudança? O futebol.

Pai, mãe e irmão fizeram as malas para perseguir o objetivo do então adolescente que sonhava com os gols que poderia marcar. Rápido, Thiaguinho tem o apelido de fumaça por suas características dentro de campo. Ágil pelas laterais, ele cai como uma luva no esquema tático de um futebol envolvente que Eutrópio quer para o JEC. Mas antes de segurar a taça de campeão da Copinha, Thiaguinho precisou superar muitas dificuldades.

O atacante iniciou a carreira no Santo André, mas passou por Grêmio Mauaense, São Caetano e Juventus da Mooca antes de desembarcar em Joinville e o início não foi nada fácil. Humilde, a família precisou se sacrificar para que ele pudesse ter a chance de treinar. O pai é pedreiro e a mãe trabalha em um depósito de construção em São Paulo.

“O começo foi muito conturbado porque meu pai não tinha condição. Ele largou tudo na Bahia para viver um sonho meu. Trouxe minha mãe, meu irmão, largou tudo lá. Ele tinha casa, emprego e largou tudo para viver, para tentar junto comigo. Minha família é humilde, não tinha condição de me dar o dinheiro do transporte e para almoçar na rua. Eu sempre optei por treinar, mas nunca reclamei porque eu via o esforço do meu pai que saía para trabalhar às 5h para trazer o sustento da nossa família e ele já me ajudava. A gente não tinha tanta condição, às vezes tinha um biscoito para tomar café de manhã, mas tinha que dividir pela metade para tomar café à noite e isso me fortalecia cada vez mais. Eu sou muito grato por tudo que meu pai e minha mãe fizeram porque eles são guerreiros e tudo que eu sou hoje é através deles. Eles largaram tudo para viver um sonho que era meu”, diz.

Mas o sonho parecia que não aconteceria em Joinville. Depois de chegar para fazer teste no Sub-20, Thiaguinho foi dispensado devido à pandemia e o treinador não queria aprová-lo. No entanto, uma ligação do JEC o fez retornar à cidade quando ele já estava na Bahia, visitando familiares. “Sinceramente eu já estava com a expectativa de procurar um trabalho, procurar algo para sobreviver porque quem joga sabe que com 20 anos não ter um contrato profissional é complicado para um atleta, ainda mais para um que já rodou em vários clubes. Eu já estava meio sem esperança, mas Deus abriu a porta e eu voltei”, lembra.

Voltou, assinou o primeiro contrato profissional e… perdeu um treino antes da final. A história do celular que rodou o mundo é simples, mas mostra o quanto a família se sacrifica pelo sonho de Thiaguinho. Depois de uma partida em Jaraguá do Sul, o aparelho não funcionou mais e foram cerca de duas semanas sem celular. Por que ele não comprou outro? Porque não tinha dinheiro.

“Eu não sei o que aconteceu, pode ser que na viagem de volta contra o Juventus, eu tenha dormido por cima, alguma coisa assim. Quando eu cheguei e fui mexer nele, ele estava todo branco, tinha apagado totalmente, aí não tive como saber de informação nenhuma mais. Eu ia ficar sem celular até meu pai ter uma condição de comprar ou eu recebesse aqui e juntasse com o dinheiro do meu pai e comprasse um celular”, fala.

Sem o aparelho e com o treino antecipado por conta da viagem até o Oeste catarinense, Thiaguinho dormiu demais e perdeu a hora do treino. A “sorte” é que ele mora no CT e como não desceu para a atividade, um colega correu acordá-lo. Atrasou, mas não perdeu a atividade. A situação, no entanto, comoveu o técnico que também passou por privações na carreira de jogador. Eutrópio comprou e entregou o celular durante a preleção do jogo de ida da final, em Concórdia.

Menos de dois meses após assinar o contrato profissional, Thiaguinho Fumaça conquistou o primeiro título – Foto: Vitor Forcellini/JECMenos de dois meses após assinar o contrato profissional, Thiaguinho Fumaça conquistou o primeiro título – Foto: Vitor Forcellini/JEC

A atitude do comandante trouxe todas as lembranças dos seis anos de futebol e dificuldades. “Passou na minha cabeça tudo que vivi para chegar até aqui porque se para mim estava difícil, eu com 20 anos, para ele que tinha uma filha e 29 anos era muito mais complicado. Naquele momento eu dei graças a Deus porque eu passei por momentos difíceis, mas há pessoas que passaram muito mais. O meu problema nunca é maior que o do outro, temos que procurar ver o contexto geral para poder ajudar as pessoas e foi isso que o Vinícius fez. Ele conseguiu ver minha condição e me ajudou”, diz.

Jovem, Thiaguinho sabe que uma atitude como essa vai além de um aparelho celular e garante que Eutrópio mudou a vida dele. “Não é só futebol, o que ele fez me mudou como pessoa porque essa atitude não foi dentro do campo, foi fora. Isso muda pessoas, muda histórias, muda vidas e eu vou levar essa atitude para a minha vida, vou levar o Vinícius como pessoa para a minha vida porque foi um cara que mudou a minha história”, finaliza.

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