Drika Evarini

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Denúncias de aliciamento e favorecimento na base do JEC antecederam mudanças internas

Conselho Fiscal recebeu denúncia e notificou o clube em julho de 2021; presidente garante que mudanças não aconteceram por causa de irregularidades e sim por reestruturação

As mudanças provocadas pelo JEC nas categorias de base chamaram a atenção nesta semana. O coordenador, Caio Oliveira, e o diretor, Augusto Valentim, conhecido como Lego, foram desligados do clube. De acordo com o presidente Charles Fischer, os desligamentos fazem parte de uma série de mudanças que ele deve fazer na diretoria e, especialmente, na base do clube. “O principal vai até abril, depois é dedicação total à base e eu quero mudar algumas coisas, alguns processos”, garantiu.

Base tricolor sofreu mudanças, mas antes foi alvo de denúncia – Foto: Arquivo/JEC/Divulgação/NDBase tricolor sofreu mudanças, mas antes foi alvo de denúncia – Foto: Arquivo/JEC/Divulgação/ND

Mas, a base tricolor é alvo de movimentação interna há muito tempo. No início de julho de 2021, o Conselho Fiscal notificou a diretoria executiva por meio do presidente a respeito de uma denúncia de aliciamento que tinha como centro justamente a base.

De acordo com fontes que não quiseram se identificar, dentro do clube havia ações de aliciamento e favorecimento de jogadores que seriam negociados com empresários pré-determinados. A ação, de acordo com elas, seria desenvolvida por Caio e Lego, inclusive, culminando com a saída de atletas e interferência na escalação do time, a fim de promover a imagem dos jogadores que seriam negociados.

“Chegou ao conhecimento do Conselho Fiscal, assertivas acerca da conduta do coordenador da base, Sr. Caio Oliveira, responsável pela aprovação de atletas, de que estaria indicando empresários para gestão de carreira, dentro das dependências do Joinville Esporte Clube, inclusive, com possível envolvimento de outros profissionais”, diz trecho da notificação.

“Considerando que a conduta pode acarretar conflito de interesses e eventual benefício indevido em detrimento do Joinville Esporte Clube. Serve a presente para comunicar oficialmente Vossa Senhoria, acerca dos fatos narrados, a fim de que se tomem as providências cabíveis”, complementa o documento.

A denúncia se baseia em um áudio enviado à mãe de um dos jogadores da base. No áudio, Caio conta que há um empresário interessado em participar da gestão de carreira do atleta.

“Bom dia tudo bem? É que a gente gostaria de conversar com a senhora. A gente até deu uma adiantada com o [jogador], tem um pessoal interessado aí para de repente dar um suporte na ajuda de gestão de carreira dele, aí a gente queria conversar com a senhora. Nós vamos estar à tarde ali no clube umas 14h, apesar que seria mais interessante para amanhã, porque hoje eu já tenho advogado para receber ali var dar bem corrido. Se tivesse disponibilidade de amanhã a gente sentar para conversar, agradeço. Não sei como está a tua agenda de trabalho aí pra gente bater um papo”.

De acordo com o presidente do Conselho Fiscal, Alexandre Poleza, após o assunto chegar ao conselho, a notificação foi enviada ao executivo para apuração e o Conselho Deliberativo também foi informado.

“O conselho fiscal entregou essa informação ao presidente Charles Fischer. Em outubro se cobrou uma manifestação oficial da diretoria. Na época, o Charles disse que conversou com os envolvidos e que estava tudo resolvido. Disse que resolveu internamente. Pedi uma resposta formal, mas não recebemos”, diz.

O presidente do Conselho Deliberativo, Darthanhan Oliveira, que também foi informado da situação, afirma que não houve abertura de processo porque “se entendeu que a diretoria havia resolvido”.

“O desfecho é esse. A saída já deveria ter acontecido em julho. Ele [presidente] alongou, tentou contornar. Agora tomou essa decisão, antes tarde do que nunca. Pais estavam sendo constrangidos, estavam sendo forçados a mudar o rumo da carreira dos filhos. Sabemos que se colocar a base na mão de quem não pensa no clube acontecem coisas como essa. A base é o futuro do JEC e precisa ser blindada. É inadmissível dar de ombros para isso”, fala.

Embora a saída dos dois tenha acontecido nesta semana, o presidente Charles Fischer nega veementemente que a decisão foi tomada por causa dessas acusações e reitera que haverá reestruturação interna e que, na próxima semana, o clube deve anunciar os nomes dos novos responsáveis pela base.

Sobre a denúncia, confirma que foi notificado e que resolveu a questão internamente. “Eu já tinha tomado providência e corrigido eles na época. Não tem que indicar empresário para ninguém. Não é a postura do clube. Acredito que foi mais por desconhecimento deles. Até onde eu sei, não aconteceu novamente. Acredito que eles são pessoas corretas. O desligamento tem a ver com reestruturação”, garante.

Procurado pela coluna, Caio afirma que a situação está com o departamento jurídico do clube e que aguarda liberação para que possa esclarecer os fatos. Salientou, ainda, que está apto a responder e que, assim que for liberado pelo jurídico, não tem qualquer problema em falar sobre o assunto.

O ex-diretor da base, Lego, ressaltou que são denúncias sérias e sem fundamento. “Jamais faríamos nada para favorecer alguém. Eu só tenho uma palavra ao Joinville: gratidão”. Além disso, ele reforça que a saída do clube não tem qualquer ligação com as supostas práticas apontadas. “A gente saiu do clube porque tinha que sair, algumas coisas eu não concordava, mas nenhum motivo de propina, de favorecer atleta, ao contrário, sempre fomos bem transparentes com todos”, finaliza.

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