JEC 45 anos: das glórias do passado à esperança para o futuro

O time que “nasceu campeão” completa 45 anos em uma situação delicada, homenageando os ídolos do passado e com a esperança depositada nas “joias da casa”

A rivalidade entre América e Caxias era conhecida no futebol catarinense. Em Joinville, a cada jogo disputado, uma “faísca” diferente colocava ainda mais fogo na disputa que crescia a cada ano, apesar das dificuldades financeiras dos dois clubes. Ninguém imaginava que América e Caxias pudessem se unir em prol de uma causa, mas aconteceu e os frutos foram colhidos. A fusão entre os dois joinvilenses fez nascer o clube da cidade. O Joinville Esporte Clube, fruto de uma rivalidade, “nasceu” no dia 29 de janeiro de 1976 e, como o próprio hino do clube diz: nasceu campeão.

Em 45 anos de existência, JEC acumula títulos e uma história de altos e baixos – Foto: Divulgação/JECEm 45 anos de existência, JEC acumula títulos e uma história de altos e baixos – Foto: Divulgação/JEC

Depois do jogo inaugural, um “amistoso” com o Vasco da Gama, no Ernestão, o JEC empilhou títulos. O primeiro veio logo em 1976, o primeiro Campeonato Catarinense, o primeiro de uma história de amor entre o Joinville Esporte Clube e a competição que conquistaria, de maneira inédita e única, oito vezes consecutivas.

A estreia do JEC em competições foi contra o Marcílio Dias, vitória tricolor com gol de Fontan. A campanha do título foi de 21 vitórias, 10 empates e cinco derrotas. Vencendo o Juventus de Rio do Sul na final, Fontan levantaria a primeira de muitas taças tricolores. São 12 títulos catarinenses, com direito ao octacampeonato de 1978 a 1985, quatro títulos da Copa Santa Catarina, uma Recopa Sul-Brasileira, uma Série C e uma Série B.

O primeiro capitão

A primeira taça foi erguida depois de uma campanha marcada pela união dos jogadores logo no primeiro ano de existência do JEC e quem levantou o primeiro troféu do clube marcou história. Osni Fontan era jogador do Caxias e vestiu como poucos a camisa preta, branca e vermelha. Capitão, camisa 10 e autor do primeiro gol do Joinville Esporte Clube, Fontan foi tricampeão catarinense pelo Tricolor depois de oito anos vestindo a camisa do Caxias.

Fontan foi o primeiro capitão do JEC e conquistou três taças do Campeonato Catarinense – Foto: Arquivo Pessoal/DivulgaçãoFontan foi o primeiro capitão do JEC e conquistou três taças do Campeonato Catarinense – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação

“Para mim é uma honra ter servido e vestido a camisa do JEC. Fui o primeiro camisa 10, sendo capitão, batedor de pênalti e o primeiro a levantar uma taça, a do Catarinense de 76. Foi um ano ímpar, com jogadores que eram adversários e se uniram para conquistar o título”, lembra.

Para Fontan, o JEC representa a glória no futebol porque foi com a camisa tricolor que ele ganhou títulos e teve projeção nacional. “Lembro que eu estava lá, entre os meia armadores do país, ao lado de Zico, Falcão e Rivellino. O JEC é praticamente minha vida. Ele está adormecido e a qualquer momento voltará ao patamar que deveria estar”, salienta.

Referência para jovens jogadores, Fontan é esperançoso com o futuro do time e pede para que a cidade “vista a camisa”. “Ele será um clube sustentável. Recordamos com muito saudosismo aquele JEC de 1970 e 1980, quando ganhava tudo. Parecia que éramos imbatíveis, que os adversários chegavam aqui pensando: vamos perder de quanto? Agora o time vai se organizar e a cidade vai vestir a camisa e colaborar para que o JEC volte a ser grande”, fala.

Comemorando os 45 anos do clube e sabendo da importância que tem na história do JEC, o eterno camisa 10 ressalta que o Joinville é o maior vencedor de títulos de Santa Catarina. “O JEC só tem 45 anos e nesse pouco tempo conquistou 12 títulos. Estamos de parabéns, mas minha esperança é ver o JEC em seu lugar, que é no mínimo na série B”, finaliza.

A ousadia do camisa 10

Garoto, ousado e talentoso. Diego é o dono da camisa 10 que Fontan tanto honrou e o peso, garante, faz com que o desafio seja ainda maior. “É um sentimento enorme, com uma camisa muito pesada, de muitos ídolos e eu me sinto grato de poder honrá-la”, fala.

Aos 21 anos, Diego tem a responsabilidade de ser o camisa 10 tricolor – Foto: Vitor Forcellini/JECAos 21 anos, Diego tem a responsabilidade de ser o camisa 10 tricolor – Foto: Vitor Forcellini/JEC

Aos 21 anos, DG, como é conhecido, é cria da base tricolor e conquistou a titularidade e a chance de vestir a camisa do primeiro capitão, ganhou a oportunidade de defender o JEC com a camisa que levantou a primeira taça e o objetivo do jovem camisa 10 é repetir os feitos dos ídolos do passado. “Me espelho no Nardela, no Fontan, que foram grandes jogadores, grandes ídolos. Espero fazer história como eles fizeram”, ressalta.

Apesar de “dividir” a 10, Diego vive um momento muito diferente do que Fontan viveu no clube. Na Série D do Campeonato Brasileiro e lutando para sair do fundo do poço e DG tem papel fundamental na reconstrução do clube, que entrou no seu 45º ano com sede de mudança, melhora e conquistas. É dos pés dele que as jogadas criativas que se traduzem em gols precisam sair e, no que depender da ousadia do menino carioca, o Tricolor começará a caminhada para voltar aos tempos de glória.

“É um momento muito delicado, o Joinville não merece estar onde está e a minha meta é conseguir o acesso para a série C. Nós vamos conseguir. Ser campeão catarinense e da Copa SC são bons presentes. Enquanto eu estiver aqui, eu vou dar a minha vida por esse clube”, finaliza.

O maior ídolo da história

Mais de uma década com a camisa 8. Foram 130 gols em 680 jogos disputados e o maior artilheiro do clube por quase duas décadas. O currículo de Nardela com a camisa do JEC impressiona, mas ainda não expressa o tamanho do jogador para a história do clube e para a memória do torcedor.

Nardela é o maior ídolo da história do JEC com mais de uma década de camisa tricolor – Foto: Divulgação/NDNardela é o maior ídolo da história do JEC com mais de uma década de camisa tricolor – Foto: Divulgação/ND

“Quando eu cheguei ao Joinville, não imaginava que teria toda essa história no clube. Joguei 12 anos, 10 de forma ininterrupta. Não imaginava que tudo isso poderia acontecer. É difícil fazer  história em um clube. Me sinto honrado e feliz de ter participado dessa história bonita, mesmo com altos e baixos, ainda me sinto honrado e torço sempre, fico na esperança de que o Joinville volte a vencer porque como diz o próprio hino, nasceu campeão. É um clube que tem essa marca, é uma torcida vibrante, é um clube que tem tudo para crescer, ser mais forte, mais organizado e estruturado”, fala.

Nardela ressalta que o Joinville Esporte Clube ainda é um “jovem” que precisa amadurecer e aprender com os próprios erros. Para ele, ser considerado o maior ídolo da história de um time como o JEC é a realização de um sonho e ser referência para os jovens é a concretização de tudo que construiu durante sua carreira. “É um sonho ser considerado o maior ídolo de um clube, não é uma conquista fácil, mas tive o privilégio de vivenciar isso. É uma coisa mútua, para mim foi muito bom ter experimentado tudo, só me alegra ter participado de uma história tão bonita. Eu me sentiria realizado se algum garoto pudesse se espelhar naquilo que fizemos. Eu diria que faz parte de uma realização de vida, como ser humano”, ressalta.

O maior ídolo do JEC sabe que o clube vive um momento delicado, mas é otimista e enxerga o time como um “jovem” que vai amadurecer. “Nós vamos adquirindo experiências, amadurecendo e não cometendo os mesmos erros. Precisamos ser um clube mais estável, organizar melhor, buscar essa maturidade como clube profissional e precisamos entender que não depende só da diretoria, mas do apoio da torcida, do entendimento do momento. É isso que eu, como ex-jogador, torço para que aconteça. Que o JEC volte a brilhar no cenário catarinense e nacional. O JEC tem potencial para voltar a ser grande”, destaca.

Depois de uma carreira construída no clube que carrega o nome da cidade, Nardela fala que é impossível dissociar sua história e a do JEC. “Eu vim para Joinville por causa do JEC e tudo que aconteceu transcendeu o campo. Hoje me considero joinvilense, é uma relação profunda. A minha vida está ligada ao JEC”, finaliza.

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