Drika Evarini

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JEC soma mais de R$ 45 milhões em dívidas, 36% em ações trabalhistas

Com ato trabalhista, Tricolor paga R$ 45 mil por mês, mais 20% do valor de todas as negociações do clube

A realidade financeira do JEC é delicada, muito mais delicada do que os resultados em campo podem fazer parecer. Apesar da boa fase na Série D, os cofres do Tricolor estão no vermelho há muito tempo e esse é um dos motivos que tornam o acesso uma obrigação da qual todos estão cientes.

Dívidas do JEC ultrapassam os R$ 45 milhões, incluindo 175 ações trabalhistas – Foto: Pixabay/DivulgaçãoDívidas do JEC ultrapassam os R$ 45 milhões, incluindo 175 ações trabalhistas – Foto: Pixabay/Divulgação

Apesar de a “bomba” ter estourado há pouco tempo, as dívidas se acumularam ao longo dos anos e começaram a se tornar uma bola de neve que desceu um morro em alta velocidade ainda em 2015, quando o time estava na Série A.

Hoje, a dívida do JEC soma R$ 47 milhões. O valor, por si só, já é assustador. Quando olhamos para o outro lado, fica ainda pior. Atualmente, o valor que entra nos cofres com patrocínio é de R$ 300 mil por mês. É claro que a conta não fecha.

Dos R$ 47 milhões, 36% são só de ações trabalhistas. De acordo com o diretor financeiro do clube, Genivaldo Karpano Mello, o JEC tem 306 processos, 175 trabalhistas e, a maioria deles, do período entre 2015 e 2019. O mais antigo é de 2010 e, depois de 2019, são três processos trabalhistas contra o Tricolor: um funcionário da área de marketing, um funcionário da base e o atacante Romarinho.

Segundo Karpano, as ações trabalhistas somam R$ 17 milhões, no entanto, esse valor deve ser muito menor, uma vez que a metade deles ainda não está transitado em julgado, ou seja, a Justiça pode e deve rever os valores solicitados. Com o ato trabalhista, o clube “negociou” 175 processos e, por mês, precisa pagar R$ 45 mil. O JEC tem, ainda, a obrigação de direcionar 20% de toda e qualquer negociação que renda recursos para os cofres tricolores ao pagamento das dívidas trabalhistas.

O JEC tem também outros 131 oriundos da área cível e a soma de dívidas nestes é de cerca de R$ 5 milhões.

Além de todas as dívidas acumuladas e herdadas, diretoria após diretoria, o JEC tem, obviamente, os gastos mensais com elenco e estrutura, e a soma, mais uma vez, não fecha. O que entra não cobre o que sai.

A folha salarial consome mais do que o orçamento mensal que, segundo o diretor financeiro, é de R$ 185 mil. Só em CLT (Consolidação das Leis do Trabalh0), o JEC investe R$ 220 mil, só com o time principal. Somados a esse valor há, ainda, R$ 130 mil de direitos de imagem e R$ 30 mil de auxílio moradia. O diretor financeiro explica que os direitos de imagem são pagos sempre com um mês de “diferença”. “Quando assumimos, havia meses de atraso, colocamos em dia, mas há sempre uma pendurada, quando está para vencer a segunda, pagamos para não acumular”, diz.

Na base, o investimento é de cerca de R$ 20 mil, R$ 70 mil são destinados a estrutura, como custos administrativos e de alimentação, R$ 35 mil são os custos variáveis, como manutenção do gramado, R$ 10 mil é o custo dos jogos e R$ 45 mil são destinados ao pagamento de dívidas com jogadores, clubes e fornecedores que não estão no ato trabalhista.

Entre essas dívidas está a negociação com o goleiro Agenor. O valor original da dívida era de mais de R$ 623 mil. O clube conseguiu entrar em acordo com o jogador e, no momento, a dívida é de R$ 368 mais custos com advogados. Por mês, são destinados mais de R$ 16,7 mil para o pagamento.

“Hoje não há conta bloqueada no JEC, amanhã não posso te dizer”, finaliza o diretor.

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