“Joinville se tornou sinônimo de vida”, fala Vinícius Eutrópio

Técnico do JEC descobriu tumor no rim após diagnóstico da Covid-19 e fala sobre doença, recuperação e história em Joinville

“Sem dúvida, Joinville agora para mim é sinônimo de vida”. É assim que o técnico Vinícius Eutrópio se lembrará eternamente de Joinville, onde chegou em dezembro de 2020 depois de anos de “insistência” de diretorias do JEC para contratá-lo.

Vinícius Eutrópio comandou o primeiro treino na manhã desta segunda-feira (31) – Foto: Vitor Forcellini/Divulgação/NDVinícius Eutrópio comandou o primeiro treino na manhã desta segunda-feira (31) – Foto: Vitor Forcellini/Divulgação/ND

Em três meses, a relação de Eutrópio com o clube, com a torcida e com a cidade já é intensa. Dois títulos, boa campanha no Catarinense, o diagnóstico de coronavírus e a descoberta de um tumor tornam única a experiência do treinador no Tricolor.

A descoberta do tumor no rim pegou o treinador de surpresa, afinal, Eutrópio estava em recuperação da Covid-19, não tinha e continua sem apresentar qualquer sintoma renal. O tumor só foi detectado graças a um exame para avaliação pulmonar, função comprometida devido ao coronavírus. Por isso, o comandante tricolor brinca que “é o único feliz em ter pegado coronavírus”.

Ele conta que após realizar o exame recebeu praticamente uma comitiva em casa e já sabia que as notícias não eram boas. “Fiz o exame do pulmão e dias depois vieram o presidente, o Léo, o doutor e meu auxiliar. Já pensei que não era coisa boa. Eles contaram e, na hora não cai muito bem a ficha, começa a ver que é uma coisa que requer um pouco mais de cuidado, mas ao mesmo tempo, depois de fazer todos os exames, tive uma tranquilidade, de agradecer ao corona. Estou feliz pra caramba de detectar antes”, fala.

Depois de ser comunicado pela equipe médica e diretoria, era hora de falar com o grupo  e foi nessa conversa que o técnico abriu a informação que já havia recebido uma proposta para deixar o JEC. “As coisas não acontecem por acaso e eu sempre fui muito otimista, daqueles que preferem enxergam o copo meio cheio. Conversei com eles, expus toda a história, expliquei a situação, mas falei que é preciso agradecer porque eu tenho plenas condições de resolver isso. Eu acredito que tudo veio para o meu bem”, fala.

Eutrópio havia recebido uma proposta para deixar o Tricolor ainda antes da disputa da Recopa Catarinense. A negativa fez com que o treinador viajasse, fosse infectado e, na recuperação, detectasse o tumor. A proposta, no entanto, só veio à tona quando o comandante explicou toda a situação para o elenco.

“Eu não sou de ficar jogando com isso. No dia da reapresentação eu tive que falar um pouco da história e como as coisas conspiram a favor. Era muito dinheiro, mas em nenhum momento eu pensei em sair, porque nós vamos fazer história aqui. Eu não vim aqui pelo dinheiro, eu estou aqui pelas pessoas, pelos desafios que me foram apresentados. É desafiador, mas é gostoso. Hoje não adianta ser funcionário do Joinville, tem que ser parceiro. E é isso que estamos construindo com os jogadores”, salienta.

Depois de conversar com os atletas e informar a imprensa, o técnico voltou aos trabalhos e esteve ao lado do time no jogo de sábado (20), mas as famosas chamadas de atenção do comandante não “apareceram”. Por recomendação médica, Eutrópio fica sentado no banco de reservas e é Felipe Sampaio o responsável pelas “broncas” à beira do gramado, mas não é fácil para o treinador, garante. “Eu fico ali só olhando, mas estou ali. Não é fácil ficar ali sentadinho, às vezes tenho que falar para o Felipe: dá uma bronca deles, grita ali pra mim”, brinca.

É sofrido, fala o técnico, mas otimista que só ele, Eutrópio tira vantagens. “Assistir o jogo de cima, sabendo do planejamento do time e do que fazemos para ganhar é muito vantajoso e eu fazia intervenções bem pontuais e no intervalo com o Felipe também. Mas, o último jogo foi sofrido demais”, diz. O “último jogo” ao qual o comandante se refere é o da Copa do Brasil que, inclusive, ele poderia estar com o grupo, porém, o próprio Eutrópio optou por adiar o retorno. “Eu não queria que eles pensassem na situação, mas sim no jogo”, explica.

Bem, sorridente e feliz, Eutrópio passará por recuperação respiratória antes do procedimento cirúrgico. Com 50% do pulmão comprometido, o foco é fortalecer o organismo para a cirurgia. A projeção do treinador é que, 15 dias após o procedimento, ele esteja novamente à beira do campo gritando ele mesmo com seus comandados.

Em dois meses, o técnico já havia conquistado dois títulos com o Tricolor – Foto: Vitor Forcellini/JECEm dois meses, o técnico já havia conquistado dois títulos com o Tricolor – Foto: Vitor Forcellini/JEC

“Fisicamente eu estou normal, mentalmente eu estou mais normal, quero passar isso sem drama. E estou me preparando. Estou sendo tratado como um rei, todo mundo me trata muito bem. Joinville é uma referência nesse tratamento, então, fiz essa opção mesmo de tratar em Joinville. Estou bem à vontade, confiante por tudo que Joinville está me oferecendo. Quanto melhor eu estiver agora, mais rápido eu volto. Eu tenho uma preocupação grande, que é fazer o maior número de pontos possíveis com o JEC, acertar os jogadores que estão chegando. A capacidade de todos os jogadores diminuiu um pouco com a questão da Covid-19, é um processo e estamos passando por cima disso”, fala.

O treinador fala, ainda, que Joinville já marcou sua história. Ele conta que há anos é “assediado” pelo JEC e brinca que só não aceitou antes porque não queria estragar a relação de amizade com Nereu Martinelli. “Conheci o Nereu em 1996. Ele me ajudou muito extra campo e depois disso profissionalmente ele sempre quis que eu viesse e eu nunca aceitei por não querer trabalhar com ele para não perder a amizade pelo futebol”, diz.

O convite foi feito novamente e, como o próprio Eutrópio diz, o acerto aconteceu na hora certa. O treinador salienta a união do grupo e o projeto construído para o JEC e brinca, ainda, que hoje, tudo no JEC ganha repercussão nacional. “Eu falei para eles na última palestra que nós precisamos ser especiais. Muitos bons treinadores e jogadores passaram por aqui e não conseguiram vencer. Nós temos que fazer algo diferente, não vai adiantar só ser bom. Agora, tudo que o Joinville faz dá repercussão nacional: celular para o Thiaguinho, Edinho perdendo gol, a cabeçada do Banguelê, o diagnóstico do treinador. Precisamos aproveitar esse momento”, ressalta.

Eutrópio garante que Joinville já o marcou, pela forma como aceitou o desafio, pelas conquistas, pela força, pela recepção e por tudo que ainda está por vir. “Parece que era tudo uma mensagem, a forma como aceitei, a força para as conquistas, como fui bem recebido. As coisas não acontecem por acaso e Joinville significa vida para mim”, finaliza.

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