Drika Evarini

adrieli.evarini@ndmais.com.br Opinião, novidades, contratações e bastidores do esporte joinvilense e muito mais. Apaixonada por futebol, basquete, futsal e tudo que envolve o mundo do esporte, está sempre atenta a tudo que acontece dentro e fora dos campos e das quadras.


Os cinco erros do JEC no primeiro jogo das oitavas de final da Série D

Tricolor foi derrotado pelo Uberlândia e precisa reverter o placar no sábado (2) para não ficar pelo caminho

O torcedor do JEC começou a Série D desconfiado e com razão. O time vinha de um Campeonato Catarinense decepcionante que, inclusive, jogou no Campeonato Brasileiro todas as esperanças da torcida para ter calendário em 2022. Mas, a desconfiança se dissipou rodada após rodada.

JEC não conseguiu colocar em campo suas principais características e foi derrotado em Uberlândia – Foto: Giovanni Mendes/UECJEC não conseguiu colocar em campo suas principais características e foi derrotado em Uberlândia – Foto: Giovanni Mendes/UEC

A chegada de Leandro Zago e as contratações não acalmaram o coração do torcedor, mas quando o campeonato começou, as dúvidas se transformaram em esperança. Por que? Porque o time havia mudado. E muito. A postura mudou e, com ela, todo o resto.

Jogo após jogo o time se mostrou com personalidade, foco, qualidade técnica, tática e perseverança. As variações implantadas por Zago se materializavam diante dos olhos dos joinvilenses e dos adversários e o resultado foi uma campanha sólida, com erros e acertos, mas com correções que foram pavimentando o caminho do time até as oitavas de final.

Até as oitavas. Parece que no primeiro jogo diante do Uberlândia tudo que foi provado, demonstrado, construído, desapareceu. O famoso: deu tudo errado. E deu. Poderia ter sido pior, inclusive. Não fosse Rafael Pascoal, o JEC poderia ter voltado para Joinville com uma desvantagem ainda pior.

Mas, o que, afinal aconteceu? Essa resposta não temos, mas é possível elencar alguns erros que, durante 90 minutos, ficaram evidentes, refletiram na derrota e precisam ser apagados para o próximo jogo sob o risco da eliminação.

  • Falta de pressão: uma das principais características do JEC durante toda a Série D não apareceu em Uberlândia. Acostumado a iniciar seu jogo a partir da pressão de marcação e da pressão de recuperação após perder a bola, o Tricolor não conseguiu imprimir sua força e, com isso, abriu espaço para o time mineiro, que não desperdiçou a chance e tomou conta do campo no estádio Parque do Sabiá. Com isso, tinha liberdade para trabalhar a bola e encontrar os espaços para chegar com força e efetividade até o ataque. Embora o gol tenha saído após cobrança de escanteio, o Uberlândia empilhou chances de gol em chutes de média e longa distância, frutos da falta de pressão e do espaço cedido pelo Joinville.
  • Espaçamento e falta de compactação: mais uma arma muito utilizada pelo JEC durante a campanha e que não funcionou. Acostumado a jogar com aproximação tendo exemplos claros como o jogo encostado de Davi Lopes e Renan Castro, o Tricolor se abriu no jogo em Uberlândia. O espaçamento em campo abriu caminho para o adversário, que ocupou o espaço e, além de explorar bem seu campo, ainda dificultava o trabalho tricolor quando o time joinvilense recuperava a bola.
  • Erros de passe: com o espaçamento em campo, naturalmente o time teria mais dificuldade em acelerar as ações e trabalhar a bola de pé em pé sem que um marcador “atrapalhasse” as intenções tricolores. Além disso, o time estava em uma tarde daquelas que todo passe parecia impossível e os erros de passes curtos e longos se multiplicaram quebrando as tentativas de conectar as jogadas. Com isso, o JEC passou a tentar as jogadas mais verticais, esticando os lançamentos, sem sucesso.
  • Desatenção e rebotes: desatento. Foi assim que o time entrou e saiu de campo na tarde de domingo. A desatenção custou caro durante os 90 minutos, com o time da casa vencendo praticamente todas as segundas chances. Sem conseguir ficar com os rebotes, o JEC sofreu com chances duplas e até triplas em um mesmo ataque do Uberlândia. As finalizações dos donos da casa, quando espalmadas pelo goleiro Rafael Pascoal, caíam diretamente nos pés do adversário. Por que? Desatenção que incorreu em erro de posicionamento e liberdade para os jogadores do Uberlândia.
  • Postura: uma das coisas mais elogiadas e que mais se destaca neste time quando comparados aos anos anteriores é, justamente, a postura. Uma postura de perseverança, de quem não desiste do resultado, que consegue se ajustar. Nada aconteceu no primeiro jogo das oitavas, o que deixou o JEC irreconhecível. O time parecia não estar de corpo e alma em campo e saiu de Minas Gerais com a única derrota, fruto de um time que não foi, naquela tarde, o que foi em 16 jogos.

O JEC é superior tecnicamente. O Tricolor tem mais recurso, mais elenco, mais variações táticas que o tornam melhor. Mas, na Série D isso não basta. No futebol, em um mata-mata, isso não basta.

O time precisa voltar a ser o que foi durante todo o campeonato, focado em um só objetivo porque se não sujar o uniforme, se não dividir todas as bolas, se não sufocar o time mineiro em todos os espaços do campo, cairá como o melhor time que não conseguiu ter o sangue mais quente para superar o revés.

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