Conteúdo por Gazeta Esportiva

Revelação do Corinthians supera rótulo de ‘baixinho’, chama atenção na Itália e troca camisas com CR7

Gabriel Strefezza esteve a um passo de jogar no time profissional do Corinthians, mas foi dispensado pouco antes disso, na categoria Sub-20, em 2016, pelo então diretor responsável pela base do clube, Onofre Souza.

“Sempre fui criado pelo Corinthians, joguei oito anos lá, joguei com Malcon, com (Osmar) Loss, jogava com ele, tudo normal. Eu tinha me machucado por três vezes, contrato acabando e eles não encontraram um método de fazer outro contrato. Acabei saindo de lá sem saber de nada”, conta o jogador, hoje com 22 anos.

Em entrevista exclusiva à Gazeta Esportiva por vídeochamado, “Espeto”, como era conhecido no Corinthians, hoje defende o SPAL e está em sua quarta temporada na Itália.

“Deu medo, porque eu tinha 17 anos, sempre tive o sonho de jogar pelo Corinthians, sempre tive o sonho de jogar no profissional. Dá aquele friozinho na barriga de largar tudo e tentar a vida em outro país. Só que deu tudo certo, agora estou firme e forte e está dando tudo certo”.

Um novo futebol

Em quarentena para escapar da Covid-19 no país que mais tem sofrido com a pandemia, Gabriel vinha fazendo uma grande temporada, com 20 jogos na Série A, um gol e duas assistências, em uma nova função no campo.

“Vim de lateral, mas eles jogavam no 3-5-2, então virei ala pela direita. Depois, em outros times, sempre joguei de atacante, pela beirada. Voltei ao SPAL e agora mudou de novo. Agora estou de meia-atacante”.

E as adaptações não pararam por ai.

“Totalmente diferente os tipos de treinos. Aqui tem muita parte física, muita tática, param muito o treino para corrigir, mais para defender do que para atacar. No começo, estranhei bastante, ainda mais depois de sair do Corinthians, que sempre ataca na base. E se você não faz o que é técnico manda, ele arruma um jeito de te tirar do time”.

Roma e Seleção

Aliás, o talento do brasileiro chamou atenção da Roma no início de 2020.

“Teve esse boato da Roma, eu não fiquei sabendo de nada, meu empresário apenas comentou, mas estou bem feliz. Eu sai do Corinthians sem contrato, vim arriscar na Itália, o SPAL me deu uma chance, fiz série C, série B e esse ano, graças a Deus, me firmei na série A, fiz 20 jogos, estou indo bem, minha família está aqui, estou bem adaptado”.

Quem também está de olho é a seleção italiana, que pretende iniciar uma reformulação que envolve até mesmo abrir mão de seu tradicional e vencedor esquema mais defensivo.

“Eu tenho dois passaportes, posso ser chamado pelos dois países. Meu empresário tinha comentado que eles (os italianos) estavam de olho. Eu penso que, para mim, seria bom também. Não tem importância (não ser o Brasil), é igual, só quero chegar na seleção. Seria a realização de um sonho”.

Mesmo assim, ainda há tempo e esperança de uma convocação para a Seleção Brasileira, mesmo que para uma equipe de base.

“Claro que eu toparia. Quem chegar primeiro, leva”, brinca.

Cristiano Ronaldo

Jogar na elite do futebol italiano possibilitou Gabriel a dois embates contra a Juventus de Cristiano Ronaldo. Aliás, a foto do brasileiro no Whatsapp é justamente o registro de um desses encontros em campo.

“Sou muito fã dele, do futebol dele, de como ele trabalha. Ele é o primeiro a chegar e último a sair, melhor em tudo. Me inspiro muito nele. Nas duas vezes que joguei contra, pedi a camisa e ele me deu após os jogos. Um sonho de criança jogar contra ele”, admite, relevando até mesmo as derrotas de seu time.

“Perdemos os dois jogos, um em Turim, 2 a 0, e outro em casa, 2 a 1. Não é fácil”, diz, aos risos.

Tamanho não é documento

Antes da carreira deslanchar, não foi só a frustração com o Corinthians que Gabriel teve de superar. O famoso técnico Simone Inzagui, por exemplo, preferiu não ter o brasileiro na Lazio devido a estatura de 1,68m do jogador.

“Em 2016, eu tinha ido para o Palermo fazer teste, época do Matheus Cassini (ex-jogador das categorias de base do Corinthians). Fiquei um ou dois meses lá na casa dele, depois fui fazer teste na Lazio. Uma semana de teste. Joguei bem, fiz até amistoso, fiz gol no amistoso, mas o treinador, que era o Inzagui, falou ‘Ele é bom, mas muito baixinho. Aqui ele vai ter muita dificuldade’”.

Objetivo traçado

Casado, pai de uma filha de cinco anos e morador da cidade de Ferrara, Gabriel Strefezza não pensa em voltar ao Brasil tão cedo.

“Não agora. Quero fazer minha carreira aqui na Europa, estou bem estabilizado aqui, a confiança está aqui. Com uns 30, 31, 32 anos, se tiver oportunidade, posso voltar”.

“Na questão familiar, a estrutura aqui é muito melhor, você vive tranquilo, vive bem, pode sair à noite na rua tranquilo, sem se preocupar com assalto. É o ideal”.

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