Conteúdo por Gazeta Esportiva

Venda de jogadores aumenta e pode ser respiro para clubes sanarem dívidas e driblar crise no Brasil

Como país do futebol, o Brasil é um exímio seleiro e vendedor de joias para o esporte. A cada temporada surgem novos talentos e revelações que, inevitavelmente, são potenciais mercadorias para os clubes e grandes fontes de receita. Diante da crise financeira institucionalizada nos times brasileiros, impulsionada pelas crises recentes que o país atravessa e agora com a pandemia do novo coronavírus, o respiro financial pode estar nas pratas da casa.

Segundo levantamento feito por Cesar Grafietti, economista e especialista em Banking e Gestão & Finanças do Esporte, a segunda receita mais importante do futebol nacional em 2019 entre clubes da Série A e B foi justamente com a venda de jogadores, chegando a representar 23% do valor total, ficando atrás apenas dos direitos de TV, que representam 41%.

O mesmo estudo indica um crescimento neste ganho nos últimos 10 anos. As negociações compuseram 15% das receitas dentre os times avaliados, ultrapassando os 20% apenas em 2013 e 2018, com 21 e 20, respectivamente.

O aspecto cambial ajudou a impulsionar estas receitas com o descompasso do real com o dólar e principalmente em relação ao euro. As negociações de Pedrinho com o Benfica neste ano e Paulinho para o Tottenham em 2013 tiveram o melhor valor: 20 milhões de euros. A correção da taxa de câmbio fez com que os valores quase dobrassem. A venda de Pedrinho rendeu cerca de R$ 105 milhões ao cofres do Corinthians, uma vez que a do meio-campista R$ 59 milhões.

Para alguns clubes, a venda de jogadores é muito importante. Nos últimos dois anos, o Fluminense teve mais de 1/3 de sua receita vinda dessa fonte. O Tricolor carioca fez grandes negócios com a ida do atacante Pedro para a Fiorentina (atualmente no Flamengo), João Pedro e Richarlison para o Watford, Ayrton Lucas para o Spartak Moscou, entre outros.

O Santos teve um grande respiro com a transferência de Rodrygo ao Real Madrid. Os espanhóis desembolsaram mais de 40 milhões de euros pelo jovem atacante. Deste valor, o Peixe ficou com R$ 175 milhões, representando mais da metade das receitas do último ano e aliviou a grave crise financeira que o Alvinegro atravessa até dias atuais.

Soberano nos gramados, o Flamengo também é exemplo fora. A pesquisa de Grafietti aponta que os rubro-negros levantaram quase R$ 1 bilhão entre 2015 e 2020. Destaque para as vendas de Vinicius Júnior, Lucas Paquetá, Reinier, Léo Duarte e Jorge.

Além dos altos valores pela baixa da moeda brasileira, os clubes, como formadores, buscam parcelas de eventuais revendas. Bruno Guimarães saiu do Athletico Paranaense no início de 2020 para o Lyon por 20 milhões de euros (R$ 93,8 milhões). Além de maior venda da história, o Furacão terá 20% do lucro de uma venda futura do meio-campista. O Barcelona já sondou o jogador e podem pintar novas cifras nos cofres athleticanos.

Os benefícios da negociação de jogadores não é apenas financeiro. É importante a reciclagem do elenco, o incentivo a chegada de mais atletas da base e retroalimentação da estrutura. Uma gestão profissional, que sabe usar suas joias esportivamente e monetariamente, tende a conseguir minimizar os impactos da crise e ter a possibilidade de uma aplicação benéfica para o clube, o maior bem maior envolvido. 

+

Futebol Internacional