Fábio Machado

Rotina, contratações e análise dos jogos dos clubes catarinenses. A história do futebol no Estado é resgatada com postagens que relembram os títulos e jogadores que marcaram Santa Catarina.


Blatter, ex-presidente da FIFA poderia ter ficado calado

Como é fácil ser oposição, como é fácil atirar pedras na vidraça que um dia já serviu de teto. A idade nem sempre é como o vinho, há casos em o tempo azeda.

As recentes declarações do ex-presidente Joseph Blatter da FIFA é a prova inequívoca de que é muito mais fácil ser pedra do que vidraça.

Em entrevista para a agência suíça Keystone – SDA, Blatter está acusando o atual presidente Gianni Infantino de fazer exatamente o que o próprio Blatter fazia quando estava à frente da FIFA. Disse que a principal entidade do futebol mundial “quer transformar o futebol mundial em uma imensa máquina de dinheiro”.

Logo quem está falando isso, exatamente o próprio Joseph Blatter que numa entrevista coletiva realizada no ano de 2015 recebeu de um comediante inglês uma “chuva de dinheiro” em protesto pelas corrupções na entidade.

Blatter reclamando de muito dinheiro na FIFA é piada de mau gosto.

Ele foi presidente da FIFA de 1998 até 2015, durante a sua gestão, 4 Copas do Mundo foram realizadas e, em todas elas, a entidade pouco se preocupou com o bem-estar dos países-sedes e impôs construções e mais construções de estádios sem se preocupar com as tradições locais e com um custo muito caro de vida dos operários e de dívidas herdadas pela sociedade que acolheu a realização dos jogos.

Ou seja, o mesmo Blatter que agora acusa a FIFA de ser uma máquina de dinheiro, quando foi presidente agiu de forma predatória e agressiva. Blatter que agora aparece como um “santo” preocupado com o destino do futebol mundial sucedeu o brasileiro João Havelange que teve como principais metas na sua gestão: aumentar o número de participantes nas Copas do Mundo – na gestão de Havelange, a Copa passou de 16 seleções em 1974 para 32 clubes em 1998 – e, vejam só, transformar a FIFA em uma máquina de dinheiro, exatamente do que o engraçadinho Blatter está acusando o atual presidente Gianni Infantino.

Nos livros “Jogo Sujo” e no “Um Jogo cada vez mais sujo” do jornalista Andrew Jennings, o leitor e a leitora poderão encontrar com detalhes intrigantes a forma e o jeito com que a dupla Havelange-Blatter agiu para conseguirem os seus objetivos. Um aviso: preparem os estômagos, dá nojo.

E não custa lembrar que Joseph Blatter o “santo” teve que renunciar à presidência da FIFA em 2015 debaixo de muitas acusações de corrupções na entidade após investigações da justiça dos EUA. Sem fazer a defesa da atual gestão da FIFA, e sem apontar algum santo na história, até porque ela ( a FIFA) nunca mudou o seu jeito de trabalhar e ver o futebol como uma caixa registradora: dinheiro, dinheiro e mais dinheiro.

Joseph Blatter, aos 84 anos poderia ter dado um grande sinal de sabedoria: ter ficado calado.

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