Fábio Machado

Rotina, contratações e análise dos jogos dos clubes catarinenses. A história do futebol no Estado é resgatada com postagens que relembram os títulos e jogadores que marcaram Santa Catarina.


Os manezinhos que brilharam no Santos. Um deles virou o nome do estádio!

Urbano Caldeira, de Florianópolis para a galeria de heróis do Santos – Foto: memorial/SantosUrbano Caldeira, de Florianópolis para a galeria de heróis do Santos – Foto: memorial/Santos

O estádio do Santos FC popularmente conhecido como Vila Belmiro tem como nome oficial estádio Urbano Caldeira. Um manezinho, nascido em Florianópolis no dia 6 e setembro de 1890. Filho de Urbano Villela Caldeira e Celina Faria Caldeira, Urbano viveu numa ilha pacata, quando a capital do estado de Santa Catarina ainda se chamava Desterro. Não havia as pontes para ligar a pequena comunidade litorânea ao continente. E muito menos um esporte chamado de futebol. Aos 21 anos, Urbano passou para um concurso de escriturário e foi morar em São Paulo onde atuou em algumas equipes pioneiras do futebol brasileiro como Vila Buarque e Germânia (atual clube Pinheiros). Era um atleta polivalente: atuou como zagueiro, meia e atacante. Até a camisa de goleiro ele vestiu em uma partida. O negócio era praticar o amado futebol. Ao ser transferido para trabalhar na alfândega do Porto de Santos, uma página nova começava a ser escrita na história de vida do Urbano: a paixão pelo time de futebol do Santos Foot-Ball Club. Entre 1913 e 1918, Urbano disputou 43 partidas vestindo a camisa do time praiano. Logo, passou para o cargo de treinador, e depois dirigente. Era diferenciado, até aparava o gramado do estádio. Qualquer serviço que o clube precisasse, lá estava Urbano Caldeira, preparado para ajudar o seu time do coração. Aos 42 anos, morre vítima de uma pneumonia.

Busto em homenagem à Urbano Caldeira, Hoje fica acima do setor social da Vila Belmiro – Foto: MemorialSantos/NDBusto em homenagem à Urbano Caldeira, Hoje fica acima do setor social da Vila Belmiro – Foto: MemorialSantos/ND

E apenas quatro dias depois de sua morte, os dirigentes do time Santista reconhecendo o seu trabalho e dedicação decidem homenageá-lo com o nome do estádio que vinte e cinco anos depois veria nascer o Rei Pelé e uma legião de craques inesquecíveis. E tornaria o estádio como um dos mais conhecidos e emblemáticos do futebol mundial. A pergunta inevitável é se o desportista Urbano Caldeira, caso não tivesse saído de Florianópolis em 1911, quando um jogo de futebol já havia sido realizado no campo do manejo, onde hoje fica o Instituto Estadual de Educação, que tipo de contribuição ele daria para o futebol de catarinense?  Fundaria uma equipe? Se integraria ao Figueirense que seria fundado em 1921 ou ao Avaí em 1923? Ninguém sabe, mas com certeza o time que tivesse a felicidade de contar com os seus trabalhos estaria muito bem servido, como ocorreu com o time do Santos, cidade litorânea do estado de São Paulo. Sorte a deles!

Ivan, da lateral do Paula Ramos para conquistas no Santos – Foto: MemorialdoSantos/NDIvan, da lateral do Paula Ramos para conquistas no Santos – Foto: MemorialdoSantos/ND

Outra história que vale mencionar entre Santos e Florianópolis é a trajetória do lateral esquerdo Ivan Vicente Melo, também nascido em Florianópolis no dia 24 de fevereiro de 1927 e que saiu do Paula Ramos para brilhar no time santista entre 1950 a 1957, vestindo a camisa do clube 253 vezes e anotando 7 gols. Ivan foi bicampeão paulista nos anos de 1955 e 1956. Começou a carreira como meia, mas logo se adaptou bem a lateral esquerda, e tinha como característica: excelente técnica, vitalidade e apuro nos cruzamentos. Por aqui, provavelmente faria parte do time do Paula Ramos campeão estadual de 1959. Ivan faleceu em Brasília, aos 60 anos no dia 12 de agosto de 1987.

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