Uso da tecnologia é cada vez maior nos times de futebol para potencializar o desempenho de atletas

Exames odontológicos, clínicos e até genéticos fazem parte da base de dados dos clubes para que o departamento módico, técnico e de fisiologia possa identificar a melhora preparação de forma individualizada

Antes da morte do zagueiro Serginho, do São Caetano, em uma partida contra o São Paulo, no Morumbi, em outubro de 2004, os exames cardiológicos nos atletas não eram obrigatórios. Hoje, para ser liberado para treinar, o atleta é submetido a uma série de testes cada vez mais minuciosos. E agora os clubes têm à disposição mais uma ferramenta. O laboratório Biogenetika, em Florianópolis, pioneiro no mapeamento do DNA como forma de prevenir lesões musculares, criou o BIOsport, experimento que foi aplicado na pré-temporada do Flamengo. O material genético, coletado da saliva dos atletas, é sequenciado em uma máquina que traça o perfil de cada um em 30 dias.

João Lucas Cardoso/Divulgação JEC/ND

Termografia realizada na preparação do Joinville mede o desgaste muscular

Com o relatório dos atletas em mãos, os departamentos médico e técnico do clube podem individualizar a preparação dos jogadores, trabalhar os seus pontos fortes e corrigir possíveis deficiências. Segundo a geneticista Lia Kubelka Freitas, em vez de substituir, o teste serve de complemento. “O BIOsport é extremamente inovador. Um trabalho que desenvolvemos há alguns anos em conjunto com pesquisadores do mundo todo. Nunca foi realizado nada nesse sentido no Brasil. A genética ainda não é solução para tudo, mas consegue identificar o seu potencial e o que pode ser trabalhado para chegar ao máximo da performance”, declarou Lia, que é diretora técnica do laboratório.

Marco Santiago/ND

Dra. Lia ajudou a desenvolver uma nova tecnologia em exames esportivos

O exame custa R$ 990. Para obter melhores resultados é preciso fazer outro teste voltado para alimentação, que era o ramo principal de atuação do laboratório antes de surgir o BIOsport. O desenvolvimento da ciência do esporte, acredita Lia, deve prolongar a carreira e aprimorar o desempenho individual. “O objetivo não é encontrar problemas, mas elevar o potencial. Hoje todos estão muito bem preparados, e qualquer coisa a mais faz diferença. Identificamos como cada indivíduo vai responder à atividade física, se tem pré-disposição a ter lesão e o tipo de exercício que mais funciona para esse organismo”, explicou.

Fisiologista do Figueirense diz não haver fórmula mágica

Os primeiros dias da pré-temporada foram voltados aos exames. Os atletas se apresentam, passam por análise clínica para verificar a musculatura, articulações, depois seguem para os testes cardiológicos, necessários para saber o nível de intensidade que cada um pode trabalhar. A bateria segue com os testes de força, para encontrar um possível desequilíbrio de uma perna para a outra.

Os jogadores fazem exames sanguíneos e odontológicos. O condicionamento é obtido em teste de potência aeróbia e com sprints intervalados em campo e outros movimentos como saltos. A fisioterapia serve para verificar se os atletas estão com algum encurtamento na musculatura e também a mobilidade, amplitude de movimento, equilíbrio, coordenação etc.

Somente após tudo isso que os jogadores podem ir para a campo treinar com bola, explica o fisiologista do Figueirense, Tiago Cetolin. O profissional exaltou o trabalho que é feito pelos clubes para diminuir as lesões, mas disse que é impossível prevenir, por uma série de fatores. O primeiro deles, a idade. Tem nível de cansaço, desequilíbrio muscular, entre outros fatores ambientais.

“O período de treinamento é muito pequeno, o calendário tem muitos jogos. Na Europa, onde se joga uma vez por semana, ou a cada mil horas, o número de lesões é em torno de três ou quatro. Aqui as chances de se machucar é cinco ou seis vezes maior. No ano passado jogamos 17 partidas seguidas entre quarta e domingo. Prevenir não tem como. Não adianta achar que temos a varinha mágica, não estamos acima do bem e do mal.

Exames de pré-temporada

Análise clínica das articulações, musculaturas e composição corporal

Exame de sangue para acompanhar os marcadores biológicos, como glicose, ureia, entre outros indicadores

Exame odontológico. Se houve uma inflamação pode dificultar a recuperação, pois o organismo responde de forma geral

Teste cardiológico para saber o nível de intensidade que os atletas podem treinar

Exame isocinético para medir a força em extensores e flexores de joelho, que são as musculaturas mais envolvidas com performance

Teste de potência de membros inferiores para descobrir um possível desequilíbrio muscular de uma perna para outra

Teste de potência aeróbia, em campo, corrida intermitente em campo em que, por meio de sinais sonoros, se mede até onde o atleta suporta

Teste de resistência de sprints. São seis “tiros” com 20 segundos de intervalo, para observar perda de rendimento e fadiga muscular

Testes de amplitude de movimento, mobilidade articular, equilíbrio, coordenação e verificar possível encurtamento da musculatura (fisioterapia)

Termografia. Utiliza sensor infravermelho. O equipamento capta e aponta, por meio imagem apresentada por cores, a atividade do metabolismo de cada atleta. Monitora sobrecarga muscular e reduz a coleta invasiva, como retirada de sangue, por exemplo.

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