Treinador é acusado de assédio sexual contra atletas de time de futsal de São José

Técnico foi indiciado pela Polícia Civil por crime contra atletas adolescentes que jogavam na categoria de base

O treinador de um time de futsal feminino de São José, na Grande Florianópolis, foi indiciado pela Polícia Civil de Santa Catarina por importunação sexual e assédio sexual.

A prefeitura de São José emitiu uma nota no começo da noite desta segunda-feira, que pode ser conferida na íntegra, no final da matéria

Reginaldo Valdir Vieira com as atletas durante treino do Sanrosé – Foto: Facebook/Reprodução/NDReginaldo Valdir Vieira com as atletas durante treino do Sanrosé – Foto: Facebook/Reprodução/ND

Conforme o inquérito, concluído em maio, Reginaldo Valdir Vieira, de 31 anos, cometeu os crimes contra atletas que jogavam na categoria de base. A investigação ouviu duas vítimas e dez testemunhas. A primeira denúncia foi recebida em setembro de 2021.

O MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) acatou o resultado da investigação policial e ofereceu denúncia contra o acusado.

O caso agora está sob responsabilidade do Juizado Especial Criminal e de Violência Doméstica e Familiar da comarca de São José, que vai decidir se aceita ou não a denúncia formulada pelo MP. O processo tramita em segredo de justiça.

A investigação apontou que Reginaldo assediava atletas do Sanrosé. Ele foi um dos fundadores do time.

Os crimes aconteciam em uma casa que servia de alojamento para as atletas, a maioria delas menores de idade. O dormitório ficava junto à casa onde o técnico morava.

De acordo com a delegada Marcela Sanae França Goto, da DPCAMI (Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso), a “casa atleta” abrigava adolescentes desde 2012.

Como eram os abusos

A investigação iniciou a partir da denúncia de uma adolescente que, em depoimento, indicou o nome de outras vítimas e testemunhas, incluindo funcionárias da casa. As vítimas têm em torno de 16 anos. Boa parte da equipe do Sanrosé era composta por atletas de fora do município.

“Quando elas chegavam na casa, ele tentava criar um ambiente familiar para deixá-las à vontade. Ele assumia um papel de protetor, de pai. As meninas acabavam confiando nele. Ele, então, passou a abusar sexualmente delas. Colocava a mão no peito, na perna, nas partes íntimas. Fazia comentários inapropriados sobre o corpo dizendo coisas como ‘bunda grande’. E também fazia promessas dizendo que se a menina mantivesse relação sexual com ele, a vida dela mudaria, a carreira iria deslanchar”, detalhou a delegada.

Segundo a investigação, Reginaldo se dirigia até a casa atleta à noite e levava uma dessas adolescentes para a casa dele. Testemunhas disseram que ouviam barulhos de cama indicando que estava acontecendo uma relação sexual.

Uma das duas vítimas que prestou depoimento à polícia trabalhou em um comércio de propriedade do acusado. Segundo o inquérito, o treinador passou a assediá-la também no ambiente de trabalho. Por conta dessa denúncia, Reginaldo foi acusado de assédio sexual.

O acusado chegou a casar com uma atleta abrigada no alojamento. Ela tinha 17 anos e foi emancipada. Reginaldo responde o processo em liberdade. Em depoimento à polícia, ele negou todas as acusações e admitiu apenas que havia beijado uma das adolescentes.

A delegada Marcela Goto alerta para que as famílias fiquem atentas. “Os pais ou responsáveis devem saber exatamente onde fica o local que as atletas vão ficar, quem são os responsáveis pelo local, como funciona. É importante manter o contato com as adolescentes. O cuidado e a supervisão acaba inibindo a ação dos abusadores”, ressalta.

Sanrosé emitiu nota

No fim de novembro de 2021, o Sanrosé publicou nas redes sociais uma nota informando o desligamento do treinador do clube de todas as atividades após tomar conhecimento de denúncias de assédio sexual.

“Nós atletas e membros da comissão técnica não compactuamos e não admitimos tal comportamento. Por fim, informamos que o clube está totalmente disponível para maiores esclarecimentos para as autoridades competentes no caso”, diz a nota. No mesmo mês, o time foi desfeito.

A reportagem tentou contato com o treinador e com o advogado de defesa dele, mas não obteve retorno até a publicação. O espaço está aberto.

Prefeitura de São José se manifesta

“A Prefeitura de São José, por meio da Funesj (Fundação Municipal de Esportes e Lazer de São José), esclarece que o projeto da Associação Desportiva Sanrosé não é mais financiado pelo Município. Em 2022, a entidade não participou do edital para parceria. Em 2021, foram repassados à entidade R$98.000,00 referente atividades de Futsal e Futebol de Campo.

Naquele ano, a Prefeitura firmou termo de colaboração com a entidade para projeto desportivo de inclusão social comunitário e de rendimento de futsal feminino. Desconhecia, no entanto, a existência da Casa do Atleta, cuja situação teve conhecimento em agosto do ano passado, quando surgiram denúncias de suposto abuso/importunação sexual praticado por um dos membros da diretoria. O projeto não é mais financiado pela Fundação.

Diante da notícia, a Fundação suspendeu o repasse de recursos e solicitou à PGM (Procuradoria Geral do Município) orientações sobre os procedimentos relativos à parceria que era renovada anualmente com a entidade desde 2014. A PGM então recomendou a manutenção da parceria com a Associação Sanrosé, até o término previsto para dezembro do mesmo ano.

Com o afastamento do presidente/denunciado da entidade, foi dado andamento ao projeto a pedido das próprias atletas, que temiam prejuízos com a interrupção do projeto. Assim, a FUNESJ deu continuidade à parceria depois de confirmado o afastamento do técnico.”

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