Uma lenda viva do futsal joinvilense

Multicampeão. Miro ganhou títulos defendendo o Guarani e a seleção de Joinville

Rogério da Silva/ND

Tempo de descanso. Aposentado e morando na casa onde se criou, no bairro Glória, Miro aprecia o futsal só pela televisão

Lassance, Perácio, Joãozinho, Aleixo, Milico, Miro… O torcedor das antigas vai se lembrar desta escalação, várias vezes campeã dos Jogos Abertos de Santa Catarina por Joinville. “Era um tempo bom, de muita dedicação e gosto pelo jogo. Ninguém era profissional, e jogava-se por amor à camisa”, diz Miro, que fez carreira defendendo apenas um clube, o Guarani, além da seleção joinvilense. Hoje, aos 71 anos, ainda acompanha o esporte em que se consagrou, “mas só pela televisão”. Não entende a fase de instabilidade por que passa o time da Krona, mas acredita numa recuperação: “O Ferretti só põe a mão em time vencedor”.
Morando até hoje numa tranquila rua do bairro Glória onde nasceu e se criou, Altamiro Américo da Silva teve uma infância e adolescência dividida entre os colégios Conselheiro Mafra e Bom Jesus e as peladas nos tantos campinhos que havia pela cidade. “Eu costumava jogar num campo ao lado do quartel dos bombeiros, na rua Jaguaruna.” Meio-campista habilidoso, apaixonou-se pelo futebol de salão quando serviu o exército. Do tipo fominha, via mais possibilidade de participação no salão: “No campo, eu cansava de ver a bola passar direto da defesa para o ataque, dava até pra descansar no meio de campo. Já no salão a movimentação é constante, todos participam mais”.
Ao deixar o serviço militar, Miro foi defender o Guarani, clube pelo qual foi várias vezes campeão, em disputas memoráveis contra o grande rival Cruzeiro. Como o futsal era apenas uma forma de lazer, dedicou a vida profissional ao ramo de seguros. Pelo menos durante duas semanas por ano, porém, deixava a pastinha de corretor, trocada pelo uniforme da seleção joinvilense nas disputas dos Jasc. “Só não participei da primeira edição. Depois, joguei até 1974. Ainda fui a mais um Jasc como técnico, mas não fiquei nessa função, é muito estressante.”

“No campo, eu cansava de ver a bola passar direto da defesa para o ataque, dava até pra descansar no meio de campo. Já no salão a movimentação é constante, todos participam mais”.

Arquivo pessoal/Divulgação/ND

Recordação. Atletas do futsal joinvilense nos Jasc de 1964, em Porto União (Miro puxa a fila, seguido por Joãozinho, Milico e Lassance)

A carretilha de Nilton Santos
Miro chegou a morar dois anos no Rio de Janeiro, mas só para trabalhar. Não jogou, mas realizou o sonho de ver Nilton Santos, o craque do Botafogo, em campo. E olhe que Miro é vascaíno! “Foi o maior lateral-esquerdo da história. Ele dava carretilha muito antes de Falcão ter nascido”, garante.
Além de multicampeão dos Jasc, Miro guarda uma vasta coleção de medalhas pelo Guarani, como vencedor do citadino e do estadual. Também coleciona placas de homenagens recebidas da Liga Joinvilense e da Federação Catarinense de Futsal. Quando era guri, chegou a jogar basquete pelo Guarani: “O problema é que parei de crescer. Aí fiquei só com o futebol de salão”, conforma-se.
Depois de pendurar a camisa do alviverde, ainda jogou alguns anos com os amigos no ginásio da Associação dos Servidores. “Entre eles estavam ex-companheiros de quadra como Perácio, Jura, Nilo e Laurinho.” De todos os jogadores que viu ou enfrentou, o que mais o marcou foi Serginho, conhecido como “rei do futsal”, que defendeu o Palmeiras nos anos 1960 e 70.
Computando apenas uma contusão mais séria na carreira, Miro só guarda as boas lembranças, especialmente a penca de títulos pelo Guarani e por Joinville. O futsal nem atrapalhou a vida amorosa, pois sua namorada ia vê-lo jogar. “Eu procurava sempre ir torcer por ele”, garante Mary Mirta, sua esposa há 45 anos. Dos dois filhos, nenhum puxou o gene salonístico. “O que passou mais perto do esporte é surfista”, conforma-se Miro.

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