Pão e Vinho

Conheça os tipos de vinho, as características de cada um, as maneiras de harmonizar a bebida com as mais variadas refeições.


Chile vive uma revolução vitivinícola

Depois de fazer a fama no Brasil com os vinhos Reservados, o Chile mostra a nova faceta de sua vitivinicultura, voltada para a exploração do conceito de terroir e para a aposta em vinhos de alta gama

Alguns vinhos degustados no evento – Foto: João LombardoAlguns vinhos degustados no evento – Foto: João Lombardo

O consumo do vinho chileno cresce no Brasil. Não há dúvida de que os brasileiros adoram e a cada dia bebem mais vinho chileno. É um fato. A prova disso é que o Brasil foi o principal destino dos vinhos do país andino no ano passado. Foram mais de 8 milhões de caixas de 9 litros cada. Ou seja, o Brasil comprou, em 2020, 97 milhões de garrafas de vinhos chilenos, sendo 79,5% de tintos, 15,2% de brancos e 5,2% de rosés. O país também superou os Estados Unidas, China, Reino Unido e o Japão na compra de vinhos chilenos. Desde 2010, o Chile mantém o primeiro lugar no pódio dos países exportadores de vinhos para o Brasil, segundo a Wines of Chile.

Os dados foram apresentados durante o evento on-line para o Brasil Wines of Chile on the Road 2021, realizado nos dias 3 e 4 deste mês de agosto. O evento contou com a participação de mais de 700 convidados, de 18 estados, entre comunicadores, especialistas e profissionais do mercado brasileiro de vinhos. Foram degustados 40 rótulos de vinhos Premium do Chile, selecionados dos portfólios de 28 produtores. Entre as vinícolas participantes estavam a Concha y Toro, Haras de Pirque, Montes, Morandé, San Pedro, Santa Rita, Bisquertt, Casa Silva e De Martino.

Um grande exportador

O Chile é o oitavo produtor mundial de vinhos. É o quarto maior país exportador da bebida e o primeiro fora da Europa, segundo a Wines of Chile. Uma fatia de 82% de toda a produção nacional é exportada. O Brasil, principal cliente, é seguido pela China e Reino Unido nas compras.

Apesar de a Carménère ser a uva emblemática do Chile, e de seus vinhos terem grande prestígio junto aos consumidores, é a Cabernet Sauvignon que fez a fama dos vitivinícola do país. Cerca de 30% dos mais de 137 mil hectares dos vinhedos chilenos são da uva Cabernet Sauvignon. É um vinho clássico. A Carménère responde por cerca de 8% de toda a área plantada, ocupando a terceira posição no ranking das variedades. A Sauvignon Blanc é a segunda uva mais cultivada no país e a primeira uva branca, respondendo por 11% do vinhedo. A Chardonnay vem em quarto lugar.

O primeiro registro da produção de vinhos no Chile data de 1545. Na década de 1850 foram fundadas importantes vinícolas no país, entre elas a Concha y Toro, Errazuriz, Undurraga, Toro e Cousiño Macul. Em 1877 foram exportados os primeiros vinhos para a Europa. Em 1980 teve início um processo de modernização da vitivinicultura chilena. Em 1982 começam a ser produzidas uvas e vinhos no Vale de Casablanca, o que inaugura um novo capítulo na história e geografia do vinho chileno. A descoberta da Carménère entre os vinhedos da uva Merlot é anunciada ao mundo em 1994. A propósito, no campo das variedades, hoje acontece uma revolução no país, com diversos produtores revigorando castas antigas como a Grenache, Cinsault, Carignan e Mourvèdre. O Chile tem mais de 800 vinícolas.

Os vinhos chilenos mais vendidos no Brasil são, sem dúvida, os chamados Reservados, mais simples e baratos, que fizeram inicialmente a fama do produto chileno no país. No entanto, no início da década de 2010, o país começou a investir em vinhos de alta gama e apostar no conceito de terroir, o que inaugurou um novo capítulo na vitivinicultura do país.

Uma revolução vitivinícola

Aliás, revolução é uma palavra muito apropriada para o momento do vinho chileno. O país ganhou uma nova classificação vitivinícola nos 177 quilômetros de que o país tem de Leste a Oeste. As novas denominações são “Costa”, “Entre Cordilheiras” e “Andes”.

A classificação “Costa” abrange os vinhos produzidos próximo ao mar e que sofrem a influência dos ventos frios vindos do Oceano Pacífico. Variedades brancas encontram um excelente terroir na região, ao lado de uvas tintas de clima frio. A região “Entre Cordilheiras” é um pouco mais quente e gera tintos frutados e frescos. Já as uvas plantadas na área “Andes” recebem os ventos frios da montanha e produzem vinhos de grande estrutura e complexidade. Entre as uvas que estão se adaptando muito bem ao clima frio está a Syrah.

O Chile tem atualmente 18 vales em sua extensão de 4.270 quilômetros, de Norte a Sul. O Vale Central continua sendo o coração da produção local. No entanto, novos vales surgiram nos últimos anos, entre eles Elquí e Copiapó / Huasco, ao norte, e Malecó e Osorno ao sul. Uvas brancas e tintas como a Pinot Noir geram excelentes vinhos nessas regiões.

Tive a oportunidade de provar excelentes vinhos produzidos na área da “Costa” e em novas fronteiras vitivinícolas do país. Divido com vocês as notas de prova de alguns deles.

Um branco cítrico e mineral – Foto: João LombardoUm branco cítrico e mineral – Foto: João Lombardo

Albaclara Sauvignon Blanc 2019 – Haras de Pirque – Valle de Leyda

100% Sauvignon Blanc cultivada na região “Costa”. Cor palha esverdeada. Gostosos aromas cítricos, limão siciliano; frutas brancas; notas verdes, aspargos, grama cortada. Fresco, acidez importante, cítrico, mineral, amplo, final longo e limpo (Berkmann Wine Cellars).

Um belíssimo Pinot Noir – Foto: João LombardoUm belíssimo Pinot Noir – Foto: João Lombardo

Amayna Pinot Noir 2018 – Garcéz Silva Family Vineyards – Leyda/San Antonio

100% Pinot Noir da Costa. Estágio de 14 meses em barricas de carvalho francês. Aromas de frutas vermelhas maduras, framboesa, cerejas; notas de especiarias doces; floral de violetas, toques de musgo. Boca fresca e frutada, ampla e potente; gostosa sapidez, equilibrado, taninos presentes e finos (Mistral).

Um Carménère sem qualquer vestígio de aroma vegetal – Foto: João LombardoUm Carménère sem qualquer vestígio de aroma vegetal – Foto: João Lombardo

Morandé Gran Reserva Carménere 2018 – Morandé – D.O. Vale do Maipo

85% Carménère, 10% Cabernet Franc e 5% Carignan. “Entre Cordilheiras”. Estágio de 18 meses carvalho francês, sendo 20% em barricas novas e 80% em fudres de 2 mil litros. Cor vermelho rubi com reflexos violáceos. Aromas de frutas negras, amoras; notas de especiarias doces e picantes; chocolate. Nada vegetal. Acidez deliciosa no paladar, amplo, longo, taninos presentes e finos (Makro e outros).

Um Syrah de clima frio – Foto: João LombardoUm Syrah de clima frio – Foto: João Lombardo

Limited Release Syrah 2018 – Viña Sutil – Vale do Limarí

100% Syrah. Amadurecimento de 12 meses em barricas e fudres de carvalho francês. Cor vermelho rubi com reflexos violáceos. Aromas de frutas negras, geleia de amoras; notas florais, de especiarias, chocolate. Boca fresca, sápida, equilibrado, taninos muito redondos, longo final (Ricex

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