Marcos Cardoso

marcos.cardoso@ndmais.com.br A sociedade da Grande Florianópolis, os eventos culturais e as tradições da região analisadas pelo experiente jornalista Marcos Cardoso.


Confeitaria mais antiga em funcionamento na Capital completa 34 anos

Negócio está sob o comando de Alzir Krauss, que trouxe a tradição da gastronomia alemã de Blumenau para Florianópolis

Alzir Krauss mudou-se de Blumenau (SC) para Florianópolis aos 16 anos, em 1977, para estudar na antiga Etefesc (Escola Técnica Federal de Santa Catarina), atual IFSC (Instituto Federal de Santa Catarina).

Em seguida, ingressou no curso de engenharia de produção da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), retornando depois de formado ao IFSC, como professor. Deu aulas na área de produção mecânica por 18 anos.

Ainda durante a carreira docente, resolveu investir na gastronomia, dando vazão a uma paixão que brotou na infância e transformando em negócio o serviço que já fazia para amigos e nas festas de formatura de seus alunos.

No dia 11 de setembro de 1987, inaugurou com sócios uma confeitaria no encontro das ruas Presidente Coutinho e Dom Joaquim, no térreo de um prédio de quina arredondada que virou endereço consagrado no Centro da Capital.

Com o tempo, decidiu abandonar a vida acadêmica para se dedicar exclusivamente à cozinha e, bem depois, foi se aprimorar num curso ministrado pelo Senac/SC (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial de Santa Catarina).

Alzir Krauss deixou a carreira de engenheiro e professor para se dedicar exclusivamente à gastronomia – Foto: Divulgação/NDAlzir Krauss deixou a carreira de engenheiro e professor para se dedicar exclusivamente à gastronomia – Foto: Divulgação/ND

Em 2012, a sociedade se desfez. Alzir assumiu os restaurantes Imigrantes Buffet e a operação no CentroSul (Centro de Convenções de Florianópolis), enquanto os ex-parceiros continuaram com a confeitaria até o final de 2016, quando, surpreendendo a cidade toda, foi fechada.

Meses após, em julho de 2017, Alzir retomou o negócio, colocando seu nome na Casa de Tortas e levando como novos sócios a mulher, Renata Protta, também gastrônoma, formada pela Faculdade Assesc (Associação de Ensino de Santa Catarina), em 2007; a cunhada, Patricia Protta; e o marido dela, Daniel Bueno.

Neste sábado (11), eles comemoram os 34 anos da abertura da confeitaria mais antiga em funcionamento na Capital catarinense.

Como começou o interesse pela gastronomia?

No meu caso, é um dom que nasceu comigo. Desde os sete anos, já ajudava minha mãe na cozinha. Em Blumenau, todos os bairros tinham um clube de caça e tiro, onde eu acompanhava as cozinheiras do clube do meu bairro, nas preparações da gastronomia alemã. Já na Escola Técnica, sempre organizava a gastronomia das festas de formatura dos alunos.

Somos da época que tínhamos que ajudar nos afazeres domésticos. Éramos em 10 filhos, e participávamos de todos os afazeres, incluindo a preparação da comida para a família. Tenho mais dois irmãos que trabalham na área.

Não se sentia realizado como engenheiro ou professor?

Comecei a confeitaria no início de 1987. Mas sempre fui um professor muito caxias, que criticava os colegas por não exercerem sua função direito. Nesse momento, eu tive que assumir uma postura referente a tudo que acreditava ser certo. Escolhi a gastronomia para seguir meus princípios.

Doeu mais deixar a confeitaria, em 2012, ou vê-la fechada, em 2016?  

Conhecendo o perfil dos antigos sócios, já sabia que ela teria esse fim.

Quando soube que o ponto seria entregue, o senhor retomou o endereço e o negócio, com novo nome, em 2017. Por que não abriu uma nova confeitaria em outro local neste meio tempo?

Quando foi feita a divisão da empresa, tinha uma cláusula que, por cinco anos, eu não poderia abrir outra confeitaria.

Da esq. para dir.: Alzir Krauss, Renata Protta, Daniel Bueno e Patricia Protta – Foto: Divulgação/NDDa esq. para dir.: Alzir Krauss, Renata Protta, Daniel Bueno e Patricia Protta – Foto: Divulgação/ND

Na época da reabertura, o senhor passava por tratamento de câncer. Precisou se afastar?

Em nenhum dia me afastei das operações. Fazia sessões de quimio e radio, e voltava para trabalho .

Quando a pandemia chegou, o senhor temeu ter de fechar a casa? Como lidou com isto?

Não demitimos nenhum colaborador, seguramos no peito e na raça. Mantivemos todos os funcionários.

Nunca pensou em mudar de endereço ou ampliar o espaço?

Não tenho interesse em mudar. Mas já tivemos uma cozinha central, na rua Feliciano Nunes Pires, de onde atendíamos todas as nossas operações.

Já ocorreu a ideia de abrir filiais ou franquias?

Em 2007, expandimos muito nossas operações: CentroSul, já tivemos filiais, parcerias de vendas no Estreito, Jurerê, Shopping Itaguaçu, Mercado Público, entre outros. Mas, atualmente, optamos em ficar num só endereço.

Equipe de colaboradoras da Casa de Tortas Alzir Krauss – Foto: Divulgação/NDEquipe de colaboradoras da Casa de Tortas Alzir Krauss – Foto: Divulgação/ND

O senhor costuma participar de eventos beneficentes, como o tradicional almoço da Igreja Santo Antônio, e também a Oktoberfest realizada por ela, o Festival do Strogonoff Maria de Lourdes Tancredo… O que move o senhor a colaborar desta forma?

Como a gastronomia está no meu sangue, tenho o mesmo prazer em participar de eventos beneficentes. Nesse caso, não consigo dizer não a esses eventos importantes para essas instituições se manterem.

Quais são as suas tortas preferidas?

Torta salgada, a especial de camarão com creme de queijos. Torta doce, a bombom de morango.

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