Pão & Vinho

Conheça os tipos de vinho, as características de cada um, as maneiras de harmonizar a bebida com as mais variadas refeições.


Drinques com o sabor de Santa Catarina

Mixologista florianopolitano desenvolve drinques com ingredientes ligados à cultura gastronômica de Santa Catarina. E serve os coquetéis num bar temático que elogia o trabalho de Franklin Cascaes.

Você já pensou em provar uma releitura do clássico Negroni que, além de Campari, leva um bitter catarinense, o Boonekamp, e um toque intrigante de cachaça de Butiá? E que tal provar outros coquetéis feitos com garapa, o suco de butiá e limão galego? Inusitados? Mas eles existem. E foram criados pelo mixologista Diego Alves Rita, florianopolitano que decidiu desenvolver uma carta de coquetéis ancorada em ingredientes típicos de Santa Catarina.

Psicólogo por formação, Rita começou a atuar no ramo da mixologia há mais de uma década, nos Estados Unidos. Ele foi chefe de da sucursal florianopolitana do nova-iorquino Double Seven. E tornou-se embaixador dos aromas franceses Monin no Brasil, função que ocupou por três anos, tendo como base São Paulo. Em 2016, voltou para Florianópolis com uma ideia: abrir um bar temático, que explorasse a cultura e os ingredientes catarinenses.

Franklin Cascaes

“Viajei por várias regiões do Brasil e pude ver o orgulho pela cultura e gastronomia locais”, conta Diego. “Pensei, então, em não explorar apenas as bebidas e a gastronomia regionais, mas em montar um bar que juntasse também a cultura local”, acrescentou. Aí entrou Franklin Cascaes, pesquisador e divulgador da cultura açoriana. Tudo isso na coqueteleira, nasceu o Franklin Bar, na discreta rua Tiradentes, no centro de Florianópolis.

Fotos e textos de Franklin Cascaes estão expostos pelas paredes do bar. Máscaras bruxólicas à base de cerâmica, do artista florianopolitano Thiago Valdí, também decoram e criam um clima temático no interior da casa.

Caldo de cana e outros

Araçá, butiá, caldo de cana, limão galego e um refrigerante à base de laranja típico do estado são alguns ingredientes explorados por Diego Alves Rita nos drinques que cria. “Queria resgatar ingredientes e sabores regionais que as pessoas, principalmente as com menos de 30 anos, não conhecem”, conta.

“O caldo de cana sempre foi muito manezinho”, afirma Diego. Para poder fazer drinques com o ingrediente, ele instalou no bar uma garapeira, para extrair o suco da gramídea na hora. A ideia veio de um antigo bar que seu pai, Renato Rita, teve na década de 1980, em Florianópolis. O caldo compõe drinques como “Mãi e Fiia”, com cachaça e o sumo da cana; o “Carta na Manga”, onde a garapa se mistura à cachaça e suco de butiá, rum, manga e limão galego; e ainda o “Cozarada”, feito com garapa, cachaça, suco de taiti, limão e o mel de Santa Catarina.

Consertada

Rita serve uma bebida tradicional resgatada das cozinhas do litoral catarinense, uma mistura de café, cachaça, açúcar mascavo e especiarias chamada “Consertada”. “Esse licor é patrimônio histórico Imemorial da cidade de Bombinhas. As donas de casa da região consertavam a borra do café com esses três ingredientes”, conta.

Steinhaeger

Outra bebida que Rita explora é o Steinhaeger, um primo-irmão do gin que, no Brasil, é produto típico do estado, ligado à colonização e cultura alemã. “Santa Catarina é o segundo maior produtor de Steinhaeger do mundo, ficando atrás apenas da Alemanha”, afirma Diego Rita. A bebida gera, por exemplo, o “Steinberry”, drinque feito com a bebida, suco de abacaxi, limão e essência de amora.

O Franklin oferece cerca de 150 drinques, entre autorais, releituras e clássicos. Muitos levam ingredientes catarinenses. Um deles é uma versão manezinha para o italiano Aperol Spritz, o “Ishtepô Spritz”. A receita você vê a seguir:

Ishitepô Spritz

30 ml de vodka

20 ml de Campari

120 ml de guaraná Pureza

30 ml de água com gás

Em uma taça de vinho com bastante gelo adicione todos os ingredientes e dê uma leve mexida no final. Guarneça com uma cunha de laranja.

Fotos de Renata Monteiro / Divulgação