Florianópolis tem protagonismo feminino na Páscoa com ovos diferenciados

Mulheres se destacam no mercado de ovos de Páscoa em Florianópolis ao utilizar ingredientes mais elaborados

O Brasil figura entre os maiores produtores de chocolate do mundo e também entre os maiores produtores de cacau, além de estar na lista dos seis países campeões em vendas da delícia mais desejada em todas as épocas do ano.

Um outro dado significativo é que o Brasil está entre um dos maiores
fabricantes de ovos de Páscoa do mundo, e mesmo com uma grande influência das marcas tradicionais, aos poucos os consumidores estão cada vez mais abertos para conhecer os novos sabores dos pequenos
produtores de chocolate, buscando alternativas de maior qualidade e exclusividade.

Maria Júlia Morossini e Malu Hoffman – Foto: Divulgação/NDMaria Júlia Morossini e Malu Hoffman – Foto: Divulgação/ND

Florianópolis tem se destacado nesse novo cenário da produção artesanal, e um dos diferenciais é o crescimento de uma nova geração de mulheres à frente de marcas de chocolates de alto padrão feitos em pequena escala
e com uma excelente matéria-prima.

Cada uma dessas marcas locais traz em si características únicas e revela parte da personalidade das mulheres que produzem o chocolate.

O primoroso bean to bar

Rejane Esteves, de 54 anos, é a precursora da produção do chocolate bean to bar (da amêndoa à barra) em Florianópolis. A chocolate maker conta que, em 1999, quando foi fazer estágio com um chocolatier em Bordeaux, na França, ela era a única mulher presente para aprender a arte de  produzir chocolate de alto padrão.

Segundo a tradição europeia, a maioria dos chocolatiers é composta por homens. De lá para cá, foram muitos cursos. E em 2017 ela decidiu abrir uma pequena fábrica de chocolate de origem e loja física no bairro do Itacorubi, chamada Chocolate Darê.

Chocolate feito por Rejane Esteves, da amêndoa à barra – Foto: Divulgação/NDChocolate feito por Rejane Esteves, da amêndoa à barra – Foto: Divulgação/ND

“Desde a abertura da loja até a atualidade, vem ocorrendo um crescimento
exponencial de pessoas cada vez mais interessadas em degustar  chocolates finos e dispostas a pagar um pouco mais pela excelência da matéria-prima”, ressalta a empresária.

Rejane Esteves destaca que a produção de chocolate bean to bar é um trabalho extremamente primoroso. Começa desde a escolha dos melhores produtores de amêndoas de cacau brasileiro, depois passa pela separação
das amêndoas do cacau. Em seguida ocorre a torra, a moagem, a separação das cascas dos nibs (amêndoas quebradas), o melanger
(recentemente, ela adquiriu uma máquina que comporta até 20 quilos de cacau, o que aumenta a sua produção), a temperagem, o molde e a embalagem, que é cuidadosamente criada junto com uma designer.

A dona do Chocolate Darê faz parte do Grupo de Mulheres do Chocolate do Brasil. “Esta é uma rede de troca de informações via WhatsApp que visa o fortalecimento entre as produtoras de chocolate no país. Mais do que concorrentes, somos apoiadoras uma das outras”, afirma Rejane,
que todos os anos busca criar novos sabores na sua produção, incluindo frutas exóticas brasileiras como o cupuaçu.

Adeus industrializados!

O mundo do chocolate era predominantemente de homens, mas aos poucos cresce o número de mulheres à frente desse mercado. Maria Júlia Morossini, de 31 anos, desde 2018 tornou-se produtora de chocolate
bean to bar e criou a marca Choco Artsy.

Ela explica que, assim como o café de alto padrão, a intensidade da torra do cacau determina o sabor e o aroma do chocolate. A Choco Artsy diferencia-se por ser uma marca de chocolate fino e vegano, ou seja, sem a proteína do leite, utilizando leite vegetal na produção.

“Optei pela produção de chocolate vegano quando a mãe de uma amiga, que há anos não comia chocolate por ser alérgica ao leite, pôde se deliciar com meu chocolate”, afirma Maria Júlia.

A chocolate maker diz que seu maior público são mulheres de 25 a 35 anos. “Quando uma pessoa experimenta um chocolate artesanal, dificilmente ela volta a consumir um chocolate industrializado. Além disso, desde o início da pandemia os consumidores têm valorizado saber quem é a pessoa que produz o alimento”, ressalta Maria Júlia.

O destaque da produção neste ano é o ovo de Páscoa de chocolate crocante com trufas de avelã, que, segundo ela, é uma releitura do Ferrero Rocher.

“Percebo que o público do nosso chocolate prioriza a qualidade, e
não a quantidade. Mais do que uma comida, o chocolate tornou-se uma ‘confort food’, pois proporciona o prazer de apreciar seus diferentes
aromas e sabores”, ressalta Maria Júlia.

Da Páscoa do ano passado para este ano, ela conta que as vendas  cresceram muito.

Laboratório de experiências

Maria Luiza Hoffman, de 28 anos, da marca Malu, Chocolates e Guloseimas, está apenas há um ano no mercado de chocolate artesanal na Capital e concorda com a dona da Choco Artsy com relação ao crescimento das vendas do ano passado para esta Páscoa.

Malu, como é conhecida, diferentemente das chocolate makers, tem
a sua produção a partir da famosa marca de chocolate belga Callebaut.

Ovo por Maria Luiza Hoffman – Foto: Divulgação/NDOvo por Maria Luiza Hoffman – Foto: Divulgação/ND

O destaque do seu laboratório de chocolates são os ovos e as trufas,
pintados um a um com manteiga de cacau colorida, o que transforma
a sua produção em obras de arte.

Malu é formada em panificação e confeitaria, já trabalhou como chefe
de gelateria e aos poucos foi se aproximando do universo do chocolate e
se apaixonando.

A meta inicial dela e da companheira e sócia era abrir uma loja física junto com outros sócios, mas a pandemia fez com que a produção de chocolates transformasse a casa das duas em um laboratório de experiências gastronômicas de chocolates e de guloseimas, e que as vendas fossem exclusivamente on-line.

Desde o início da marca, Malu e a mulher tiveram uma postura aberta
nas redes sociais e tiveram grande aceitação da comunidade LGBTQ+.

“Nosso posicionamento é importante, pois construímos uma rede de
apoio, e muito mais do que clientes os consumidores da marca tornaram-se nossos amigos”, pontua Malu.

Um dos destaques da marca é o caramelo produzido por ela, que é utilizado tanto para o recheio dos chocolates como em formato
de balas. “Para mim, toda boa chocolateria tem um bom caramelo, é
uma combinação perfeita”, ressalta a jovem que tem como propaganda
o tema: “Arte, chocolate, caramelo e guloseimas para comer sem parar”.

Muito afeto e pouco açúcar

Glaucia Costa Machado, 25 anos, é confeiteira e dona da marca Casa Caroba, que tem como slogan “Comida com afeto para acariciar a alma”.

Apenas há sete meses no mercado, Glaucia conta que depois de fazer cursos de confeitaria começou a se interessar pelos cursos voltados a chocolates. Sua produção de bolos e tortas era apenas para a família e os amigos, e esta é a sua primeira Páscoa no mercado de chocolates.

Recheio de creme de limão siciliano com geleia de framboesasaiu dos bolos para os ovos feitos por Glaucia Costa Machado – Foto: Divulgação/NDRecheio de creme de limão siciliano com geleia de framboesasaiu dos bolos para os ovos feitos por Glaucia Costa Machado – Foto: Divulgação/ND

Assim como Malu, ela também utiliza chocolate Callebaut para produzir seus ovos de Páscoa, bem como a marca de chocolate catarinense Nugali, de Pomerode, em virtude da alta qualidade.

O diferencial dos seus ovos de Páscoa são os recheios que ela criava para os bolos, que agora fazem parte dos ovos de chocolate que produz. Entre eles, os recheios de creme de limão siciliano com geleia de framboesa, doce de leite uruguaio com geleia de frutas vermelhas e brigadeiro de pistache, este último o seu recorde de vendas.

Glaucia conta que os clientes dos bolos foram muito receptivos aos ovos de Páscoa e passaram a comprá-los. Outro impulsionador é o investimento nas vendas pelo Instagram. Portanto, o cuidado com a estética das imagens é fundamental.

Ela conta que as clientes que seguem a marca são mulheres que desejam acima de tudo apoiar e divulgar outra mulher jovem, e as postagens nas redes sociais são o novo boca a boca.

“A Casa Caroba consiste em fazer produtos que eu gostaria de comprar, mas não tinha muitas opções no mercado local – um doce equilibrado, com menos açúcar e mais sabor –, pois a ideia é comer com gosto e que
não gere enjoo, como a maioria dos produtos excessivamente açucarados”, destaca Glaucia.

Pouco a pouco, o mercado dos chocolates artesanais vem ganhando mais visibilidade e mais público, estando em amplo crescimento. Muito mais do que concorrentes, as mulheres à frente do mercado de chocolates são colegas de profissão lutando para manter o seu sonho de pé.

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