Pão & Vinho

Conheça os tipos de vinho, as características de cada um, as maneiras de harmonizar a bebida com as mais variadas refeições.


Montepulciano é favorita ao posto de casta tinta emblemática das altitudes catarinenses

O cultivo da Montepulciano cresce nos campos de altitudes. E os resultados, nos vinhos, são surpreendentes.

Desde as primeiras vinificações experimentais nas altitudes de Santa Catarina, a uva Montepulciano tem se apresentado como uma excelente casta para a região. Orginária da Itália central, onde frutifica em Abruzzo, Marche e Molise, ela gera vinhos com muita cor, acidez moderada e taninos suaves. Vinhos excelentes para se beber e acompanhar pratos de carne, massas, fiambres e queijos de média intensidade.Produtores das altitudes começam a apostar em varietais de Montepulciano. A Quinta de Neve é uma delas. A Leone di Venezia é outra. “A variedade é muito promissora nas altitudes”, afirma Acari Amorim, da Quinta da Neve. “É uma uva tardia, que consegue uma maturação fabulosa, taninos redondos e álcool importante”, acrescenta Saul Bianco, da Leone di Venezia.  Segundo ele, “é o vinho preferido” de seus clientes.

Em função deste sucesso, a Leone di Venezia está lançando, além de seu rótulo normal, um novo vinho, super premium, o Montepulciano Mastino 2016. Ele foi fermentado e estagiado por dois anos em barricas de carvalho. E está sendo lançado este mês em avant premiere, intramuros. O vinho chegará ao mercado em breve. E falaremos a respeito.

Antes disso, publico aqui as notas de prova dos dois varietais de Montepulciano já no mercado.

Quinta Essência Montepulciano 2016 – Quinta da Neve – São Joaquim – SC

100% Montepulciano. Passagem de 24 meses por barricas de carvalho francês de vários anos. Cor violácea intensa, aromas de frutas negras, ameixas, notas de especiarias doces, baunilha, toques balsâmicos, sutil floral. Corpo aveludado, acidez moderada, taninos finos, final agradável (Decanter)

Leone di Venezia Montepulciano 2017 – Leone di Venezia – São Joaquim – SC

100% Montepulciano. Passagem de 14 meses por barricas de carvalho. Cor rubi com reflexos violáceos. Aromas de frutas negras, amoras, ameixas, notas de especiarias doces, toques tostados, de alcaçuz e chocolate. Intenso e macio no paladar, equilibrado, muito gastronômico (R$ 85 – Leone di Venezia)

Le Beaujoalis Nouveau est arrivé!

Le Beaujolais Nouveau est arrivé! A partir desta terceira quinta-feira de novembro, a França e boa parte do mundo usará esta palavra de ordem para anunciar a chegada da nova safra deste vinho polêmico e festivo. Elaborado ao Sul do Borgonha com a uva Gamay, o Beaujolais Nouveau é leve, fresco e frutado. Não deve ser guardado e, sim, tomado o mais jovem possível. É o vinho dos bistrôs, das conversas alegres, dos fiambres, da culinária igualmente leve, inclusive com frutos do mar.

O lançamento da nova safra do Beaujolais Nouveau é sempre marcado por uma bem traçada estratégia global de marketing. A  produção local é de cerca de 65 milhões de garrafas por ano. Para que fique pronto logo, ele é elaborado pelo processo de maceração carbônica. Os cachos de uvas são colocados inteiros na cuba. Não há a adição de leveduras e, sim, de gás carbônico. A fermentação começa a ocorrer, então, dentro dos bagos das uvas. O processo permite uma melhor e mais rápida extração dos aromas frutados.

O Beaujolais Nouveau é um tinto vinho leve, fresco, com aromas que remetem em geral a tutti frutti e a banana. Ele tem uma acidez igualmente frutada e taninos bastante leves. Não é um vinho para filosofar, mas para beber e se divertir.

Os franceses bebem muito Beaujolais Nouveau no período de lançamento. Em 2005 eu estava em Paris na semana do lançamento do vinho. Fui a um bistrô bem avaliado pelos guias gastronômicos. Uma simpática garçonete me atendeu. Eu escolhi um prato de jarret de cordeiro com risoto. Ela perguntou-me o que eu iria beber. Pedi a ela que me sugerisse um vinho. Com um belo sorriso no rosto, ela respondeu: Beaujolais Nouveau!

A região do Beaujolais produz tintos de maior estrutura também com a uva Gamay. Os Beaujolais Villages estão entre eles. Elaborados em 39 comunas autorizadas, eles aliam fruta a uma maior estrutura de aromas, álcool e taninos.

Os 10 Crus de Beaujolais representam a nata da produção local. Vinhos complexos, feitos nos melhores terroirs locais, com boa capacidade de envelhecimento. Eles trazem no rótulo a denominação da comuna onde são elaborados. São eles: Julienas, Saint-Amour, Chenas, Fleurie, Moulin-à-Vent (muito famoso), Morgon (encorpado), Regnié, Broully, Côte de Broully e Chiroubles (apontado como o mais elegante). Vale a pena prová-los.

O lançamento do Beaujolais Nouveau é uma festa. Se você quer participar, relaxe. Compre sua garrafa e aproveite.