Pão e Vinho

Conheça os tipos de vinho, as características de cada um, as maneiras de harmonizar a bebida com as mais variadas refeições.


O que você acha de tomar um vinho em lata?

O vinho em lata está chegando ao Brasil. Apesar das ressalvas, estamos falando de vinho. Neste caso, um vinho informal, leve e descontraído, voltado para o público jovem e iniciantes. O que você acha?

Da lata para a taça – Foto: OVNIH/DivulgaçãoDa lata para a taça – Foto: OVNIH/Divulgação

 A oferta do vinho em lata cresce no Brasil. Pode parecer estranho, mas, mais do que uma moda, essa pode ser uma tendência, capaz de contribuir para elevar o consumo da bebida no país. O vinho é um produto ainda distante do grande público consumidor brasileiro. O consumo per/capita é um pouco superior a 2 litros por ano. É visto, por muitos, como um produto de elite. A oferta do vinho em lata pode ajudar a mudar essa visão. Pode, quem sabe, tornar o vinho uma bebida mais corrente, como é a cerveja. E, com isso, possibilitar bebê-lo numa balada ou na beira da praia. Claro, você não verá um grande vinho dentro de uma lata. São produtos leves, descontraídos, que dispensam as formalidades que cercam a abertura de uma garrafa, saca-rolhas, taças de cristal, decanters, análises visuais, olfativas e gustativas.

Há, sem dúvida, preconceito e restrições de muitas pessoas com relação ao vinho em lata. É um produto polêmico. Quem aprecia vinho normalmente gosta do cerimonial e do glamour que acompanha a abertura de uma garrafa, a prova. Pensar em tomar um vinho puxando apenas uma chapinha de metal e virando uma lata na boca pode parecer heresia para muitos.

Mas hoje se assiste a uma mudança no mercado. Parte dessa mudança começou a ser promovida pelos supermercados. Antes, comprar um vinho era um programa, quase um acontecimento. E continua sendo para muitos. Os supermercados simplificaram a oferta de vinhos: disponibilizam para os clientes rótulos mais baratos e aproximaram as garrafas do grande público. Isso levou as importadoras e lojas especializadas a rever catálogos de produtos e estratégias de vendas. Com isso, também ampliaram o leque de clientes. O mercado do vinho está em transição.

Vinho em lata em Florianópolis

O vinho é utilizado para fazer drinques – Foto: OVNIH/DivulgaçãoO vinho é utilizado para fazer drinques – Foto: OVNIH/Divulgação

Em 2017, o empresário Rafael Teixeira Neto Rodrigues teve uma ideia ousada. Ele e seu sócio, Micael Eckert, criaram o projeto OVINH, que abrange quatro estilos de vinhos em lata, mais um espumante Champenoise. Eles são elaborados no Rio Grande do Sul, numa parceria entre a AVR – Águas vão Rolar, a empresa de Rafael, com a vinícola Giaretta.

Ex proprietário da cerveja Coruja, o empresário vendeu a marca e trocou o malte pela uva. E decidiu usar as latas para embalar seus vinhos. “O objetivo da lata é acabar um pouco com a formalidade”, afirma Rafael. O público alvo, segundo ele, são os jovens e iniciantes no mundo do vinho. “O produto é muito forte junto ao público jovem”, salienta. Os vinhos também são utilizados na produção de drinques. As latas da OVINH têm apresentação bastante descontraída.

Vinho e lúpulo

Latas com rótulos descontraídos – Foto: João LombardoLatas com rótulos descontraídos – Foto: João Lombardo

Todos os vinhos da linha OVNIH são elaborados com uvas viníferas. Os vinhos gaseificados são um branco, um rosé e um Hop, que leva lúpulo na elaboração. Uma conjugação entre o vinho e um ingrediente nobre na produção da cerveja. O lúpulo também é utilizado no espumante Champenoise de uvas Prosecco e Chardonnay. Atento ao fato de que o consumo no Brasil ainda é pequeno, Rafael Rodrigues acredita que a difusão de vinhos mais fáceis e leves pode mudar isso. “E também com valor mais baixo”, acrescenta. A linha OVNIH é comercializada, em média, por R$ 14, R$ 15 a lata.

Vinícola de garagem

Motivado pelos vinhos em lata, Rafael Rodrigues se associou a Felipe Costa, da Cervejaria Sambaqui, e montou a vinícola de garagem Vôo Líquido, no bairro da Vargem Pequena, em Florianópolis. Ali, estão sendo produzidos vinhos tranquilos (não efervescentes) e espumantes em garrafa. Os registros estão em processo de finalização e a previsão é de que os vinhos cheguem ao mercado no próximo verão.

Vinhos feitos com leveduras selvagens e sem SO2 – Foto: Voo Líquido/DivulgaçãoVinhos feitos com leveduras selvagens e sem SO2 – Foto: Voo Líquido/Divulgação

Serão oferecidos quatro vinhos tranquilos: um Pinot Noir, um Cabernet Sauvignon, um vinho laranja de Sauvignon Blanc e um rosé de corte. E dois pet net (pétillant naturel), espumantes que sofrem uma única fermentação na garrafa: um Riesling/Goethe e outro Trebbiano/Sauvignon. Todos os vinhos da Vôo Líquido são elaborados com leveduras selvagens, sem a adição do conservante SO2, informa Rafael. As origens das uvas são as cidades gaúchas de Garibaldi, Vacaria e Bento Gonçalves. E também São Joaquim, em Santa Catarina.

Rafael Rodrigues acredita que os vinhos em lata podem ajudar no crescimento do mercado. “Isso irá trazer mais gente para o vinho”, sentencia. Os vinhos podem ser adquiridos pelo site Vitrine Líquida (www.vitrineliquida.com.br). A distribuição em Florianópolis é feita pela Brasbeer.

Provei os vinhos OVNIH em lata. Veja as notas de prova:

O vinho branco – Foto: João LombardoO vinho branco – Foto: João Lombardo

OVNIH Sparkling Wine Branco

Uvas Riesling, Chardonnay e Trebbiano. Cor amarelo palha. Teor alcoólico de 10,5%. Gaseificado. Pérlage leve. Cor amarelo palha. Aromas cítricos e de frutas brancas. Paladar austero, leve e frutado.

O rosé em lata – Foto: João LombardoO rosé em lata – Foto: João Lombardo

OVNIH Sparkling Wine Rosé

Uvas Riesling, Trebbiano, Moscato e Merlot. Teor alcoólico de 10,5%. Gaseificado. Pérlage leve. Cor rosa cobreada. Aromas de frutas vermelhas, sutil nota floral. Paladar frutado, com boa acidez.

O Hop é um vinho branco com adição de lúpulo – Foto: João LombardoO Hop é um vinho branco com adição de lúpulo – Foto: João Lombardo

OVNIH Sparkling HOP como Lúpulo Cascade

Uvas Glera (Prosecco) e Chardonnay. Teor alcoólico de 10,5%. Gaseificado. Cor amarelo dourada. Pérlage leve. Aromas cítricos, sutis notas florais. Boca fresca com acidez cítrica e refrescante.

O Moscatel é um espumante não gaseificado – Foto: João LombardoO Moscatel é um espumante não gaseificado – Foto: João Lombardo

OVNIH Moscatel

100% Moscatel. Teor alcoólico de 7,5%. Cor amarelo palha, pérlage discreto. Aromas de frutas brancas e exóticas, notas florais. Doce no paladar, acidez leve.

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