Pão e Vinho

Conheça os tipos de vinho, as características de cada um, as maneiras de harmonizar a bebida com as mais variadas refeições.


Orgalindo Bettu, o ourives do vinho

Cresce no Brasil a produção de vinhos de pequenas produções. Vinhos ao estilo de garagem, feitos em instalações pequenas e modestas, mas com grande qualidade. Orgalindo Bettu é um desses produtores.

Bettu e Fatima, na sala de degustação da vinícola – Foto: Bettu e FatimaBettu e Fatima, na sala de degustação da vinícola – Foto: Bettu e Fatima

Depois de atuar por 17 anos na elaboração dos vinhos da vinícola catarinense Villa Francioni, o enólogo gaúcho Orgalindo Bettu assumiu integralmente o projeto pessoal dele e de sua esposa, Fátima, para produzir vinhos em pequena escala em sua vinícola, no município de Garibaldi, no Rio Grande do Sul. Numa área de apenas ½ hectare, Bettu cultiva 12 variedades de uvas viníferas. Com cada uma delas, elabora cerca de 300 litros de vinhos por safra, uma única barrica de cada variedade. Os vinhos, pouco mais de 3 mil garrafas por ano, são feitos com grande capricho e detalhes de ourivesaria. Entre espumantes, vinhos doces e brancos e tintos, são 25 rótulos. Eles são vendidos apenas na propriedade e para pessoas indicadas por clientes. Eles levam a marca do enólogo Orgalindo Bettu e de sua esposa, Fátima.

“Iniciamos com a pandemia, em março do ano passado. Nosso projeto é bem pequenininho”, afirma Bettu. A empresa é uma Agroindústria Familiar Rural. O modelo permite aos pequenos produtores elaborar e comercializar vinhos. “Trata-se de um sistema idêntico ao de uma vinícola grande, em termos de exigências e fiscalização. Entretanto, com a possibilidade de elaboração dos vinhos nos porões das residências, na colônia, numa quantidade máxima de 20 mil litros por ano, apenas com uvas próprias”, esclarece o enólogo. Para ele, esse sistema fomenta o desenvolvimento qualitativo dos vinhos regionais.

Bettu cuida pessoalmente do vinhedo – Foto: Orgalindo Bettu divulgaçãoBettu cuida pessoalmente do vinhedo – Foto: Orgalindo Bettu divulgação

Bettu e Fátima cuidam pessoalmente de todo o processo, do trabalho no vinhedo à degustação. Eles adquiriram a propriedade em 2006, três anos depois de Bettu ter começado a comandar a produção de vinhos na Villa Francioni. Paralelamente ao trabalho na Villa, quando estava em Caxias do Sul ele produzia seus vinhos. “De 2006 até 2020, foram sendo elaborados diversos vinhos, sem efetivamente serem comercializados, por isso ainda há disponibilidade destes vinhos, alguns com mais de 15 anos”, explica o produtor.

Entre as variedades plantadas estão a Chardonnay, Merlot, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Marselan francesas; e as italianas Montepulciano, Sangiovese e Nebbiolo. Todos os vinhos estagiam em barricas de carvalho francês. “Os vinhos são elaborados visando um potencial de longa guarda”, comenta Bettu. Geralmente, de uma produção de 300 garrafas, são comercializadas cerca de 150 e as demais ficam para o vinho amadurecer e ser vendido em anos seguintes.

O vinhedo de onde saem as uvas para os vinhos – Foto: Orgalindo Bettu – divulgaçãoO vinhedo de onde saem as uvas para os vinhos – Foto: Orgalindo Bettu – divulgação

Neto de italianos vindos de Cremona, na região da Lombardia, a família de Orgalindo Bettu sempre esteve ligada à vitivinicultura. Até 1990, o hoje enólogo trabalhava na colheita de uvas e elaboração de vinhos da família. Vinhos feitos inicialmente de forma empírica, que passaram pelo processo artesanal, até chegar na produção comercial. Na década de 1990, ele foi trabalhar na vinícola Aurora, onde atuou por anos, mesmo período em que se graduou e pós-graduou em viticultura e enologia.

Foi nesse período que Bettu conheceu e se casou com Fátima, sua companheira de vida e de trabalho. Em 2003, ele foi procurado pelo empresário Dilor Freitas, com a proposta de gerenciar o projeto da Villa Francioni, em São Joaquim. Ele aceitou o convite e, no mesmo ano, mudou-se com a esposa para a cidade catarinense. Até 2016, Bettu cuidou pessoalmente da elaboração dos vinhos. De 2016 a 2020, prestou consultoria à vinícola, até se desligar totalmente para cuidar do projeto familiar.

Bettu e Fátima recebem visitantes com agendamento prévio de 15 dias. Na degustação, são servidos entre oito e quinze vinhos diferentes, com condução didática de Bettu. São atendidas no máximo seis pessoas por vez. O WhatsApp para contato é (054) 99900-2003.

Provei quatro vinhos elaborados por Bettu. As notas de prova você vê a seguir:

Dona Fatima Chardonnay – Foto: Orgalindo Bettu – divulgaçãoDona Fatima Chardonnay – Foto: Orgalindo Bettu – divulgação

Dona Fátima Chardonnay 2012  

100% Chardonnay. Parcialmente fermentado e amadurecido em barricas de carvalho francês. Cor amarelo dourada. Aromas de frutas amarelas, abacaxi, notas de especiarias doces, baunilha, mel, toque mineral. Intenso e macio no paladar, acidez agradável, ótima integração entre madeira e fruta, untuoso, longo. Estimativa de guarda do produtor, 10 anos.

O Merlot Bettu – Foto: Orgalindo Bettu – divulgaçãoO Merlot Bettu – Foto: Orgalindo Bettu – divulgação

Orgalindo Bettu Merlot 2019

100% Merlot. Estágio em barricas de carvalho francês de segundo uso. Cor rubi violácea, aromas de frutas vermelhas maduras, ameixa, cereja, amora, notas de especiarias, baunilha, coco, toque balsâmico. Acidez deliciosa no paladar, frutado, nota de madeira, redondo, encorpado, longo, taninos finos. Estimativa de guarda do produtor, 20 anos.

Merlot 5 uvas – Foto: Orgalindo Bettu – divulgaçãoMerlot 5 uvas – Foto: Orgalindo Bettu – divulgação

Orgalindo Bettu 5 uvas 2006

Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Malbec e Petit Verdot. Fermentado e estagiado em barricas de carvalho francês. Cor vermelho rubi com reflexos granada. Aromas de frutas negras, ameixa preta, de frutas em compota, especiarias doces, baunilha, chocolate, balsâmico, tabaco, muito complexo. Acidez deliciosa, cheio, equilibrado, intenso, longo, taninos presentes e finos. Estimativa de guarda do produtor, 20 anos.

Fátima Licoroso Branco – Foto: Orgalindo Bettu – divulgaçaoFátima Licoroso Branco – Foto: Orgalindo Bettu – divulgaçao

Fátima Licoroso 2006

100% Sauvignon Blanc com leve ataque de Botrytis cinerea e desidratadas. Estágio de 5 anos em barricas de carvalho. Cor amarelo dourada, ouro velho. Aromas de frutas em passa, damasco, pêssego, mel, toffee, caramelo, nota floral, cítricos confitados, torrone, nozes. Muito complexo. Acidez deliciosa em boca, doce na medida, equilibrado, longo. Estimativa de guarda do produtor, 50 anos.

Vinho brasileiro em alta

A venda de vinhos brasileiros cresceu muito no primeiro semestre de 2021. De janeiro a junho deste ano, a venda de vinhos finos nacionais já alcançou praticamente o mesmo volume vendido em todo o ano de 2019. Se comparado com o período de janeiro a junho de 2020, o crescimento foi de 41,15%. Pulou de 10,8 milhões de litros, no primeiro semestre do ano passado, para 15,2 milhões de litros, no mesmo período deste ano. A venda de espumantes cresceu mais ainda, principalmente o brut, que aumentou 52,03% com relação ao mesmo período no ano passado, um volume de 3,7 milhões de litros. Os moscatéis tiveram alta de 43,3% atingindo um volume de 2,4 milhões de litros. As informações são da União Brasileira de Vitivinicultura, Uvibra.

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