Que tal um vinho doce para acompanhar os doces de Natal?

Doce combina com vinho doce. E o Natal traz deliciosos doces, que casam perfeitamente com vinhos doces naturais.

Frutas secas ficam mais saborosas com vinho doce – Foto: 5598375 por PixabayFrutas secas ficam mais saborosas com vinho doce – Foto: 5598375 por Pixabay

O fim do ano está próximo. Falta exatamente um mês para o Natal. E as padarias e confeitarias começam a oferecer os doces típicos natalinos. Panetone, chocotone, stollen, bolo rei, rabanadas e strudel, entre outros. Os doces e as sobremesas natalinas são perfeitos na companhia de vinhos doces. Mas muita gente me pergunta se vinhos doces são bons. A resposta é simples. Quando contêm apenas o açúcar natural e residual das uvas, sem a adição de açúcar de cana, os vinhos doces são maravilhosos.

Hoje mostro aqui os estilos de vinhos doces que são perfeitos para as festas natalinas. As doçuras dos vinhos e dos preparos se equalizam no paladar. Isso abranda a sensação doce em boca. Além dos doces, esses vinhos também combinam muito bem com frutas secas e queijos.

Joias engarrafadas

Château d’Yquem – Sauternes 1998 – Foto: Chateau-Yquem-Sauternes- DivulgaçãoChâteau d’Yquem – Sauternes 1998 – Foto: Chateau-Yquem-Sauternes- Divulgação

Pasmem: os vinhos doces estão entre os mais caros do mundo. Posso citar o desejado Château d’Yquem. Numa pesquisa rápida na internet, é possível encontrar, hoje, uma garrafa da safra 2006 desse vinho por R$ 8,9 mil. É um preço até baixo para o vinho, objeto do desejo de colecionadores e milionários. Há alguns anos, um Château d’Yquem da safra histórica de 1811 foi arrematada por 123 mil dólares (Cerca de R$ 666 mil na cotação de hoje).

O Châteaux d’Yquem é produzido na região de Sauternes, em Bordeaux, com uvas Semillon e Sauvignon Blanc atacadas por um fungo chamado botrytis cinerea. Esse fungo fura a pele das uvas e provoca uma desidratação que concentra açúcar, acidez e aromas. O resultado é um vinho com doçura e acidez extremamente equilibradas e uma explosão de perfumes que remetem a cítricos doces, mel e caramelo. É um Premier Cru Supérior. Já tive o prazer de degustar algumas safras do Château d’Yquem. É um vinho realmente encantador.

O Sauternes é, portanto, um vinho doce botrytizado. Uma categoria na qual se enquadra também o famoso Tokay húngaro. Mas há outros estilos, como os vinhos fortificados, por exemplo.

Os fortificados

O vinho do Porto é perfeito com panetone – Foto: Icdklubben por PixabayO vinho do Porto é perfeito com panetone – Foto: Icdklubben por Pixabay

Os fortificados começam a ser feitos como vinhos normais. Depois atingirem a cor e o dulçor desejados, adiciona-se ao tanque de fermentação uma porcentagem de aguardente vínica (um destilado de vinho cm 80% de álcool). Essa aguardente eleva para cerca de 18% a 20% o teor alcoólico do vinho. Daí o nome, fortificado. A fermentação para e sobra açúcar no mosto, que dará a doçura típica desses vinhos. Nesta categoria estão os famosos vinhos do Porto, Madeira, Moscatel de Setúbal, Marsala e Jerez.

Há os vinhos passitos, brancos e tintos. Para fazer esses vinhos, as uvas são levadas para salas com controle de temperatura e umidade, para secarem. Elas perdem cerca de 35% de água e concentram acidez e açúcar. São então vinificadas, gerando deliciosos vinhos doces. Nessa categoria estão o vin santo, o Reciotto della Valpolicella e o Reciotto di Soave, todos italianos.

O raro Ice Wine

Um vinho doce também caro e famoso é o Ice Wine, produzido na Alemanha e no Canadá. Em Santa Catarina, a vinícola Pericó, de São Joaquim, nas altitudes catarinenses, elaborou por alguns anos um Ice Wine com uvas Cabernet Sauvignon. As uvas para fazer o Ice Wine são colhidas e prensadas congeladas. A água congelada fica concentrada nos bagos da uva e o que escorre é caldo com alta concentração de acidez e açúcar. O resultado é um vinho raro, particular e delicioso.

Uma outra categoria é a do Late Harvest, vinhos brancos doces elaborados com uvas colhidas super maduras, já em processo de desidratação. Esses são vinhos doces leves. E também são mais em conta. É um estilo agradável, elaborado por vários produtores pelo mundo.

Não poderia deixar de citar ainda o espumante doce de uva Moscatel, um estilo que nasceu na cidade italiana de Asti, no Piemonte, e hoje é muito produzido no Brasil. São espumantes mais leves em álcool, frutados e florais, com acidez gostosa e uma doçura que prepara o paladar para uma boa mordida num panetone ou numa tenra rabanada.

Todos os vinhos acima vão bem com panetone – Foto: PixabayTodos os vinhos acima vão bem com panetone – Foto: Pixabay