Pão e Vinho

Conheça os tipos de vinho, as características de cada um, as maneiras de harmonizar a bebida com as mais variadas refeições.


Vinhos de fermentação natural nas altitudes catarinenses

Vinícola de Santa Catarina dispensa o uso de leveduras industrializadas na maioria dos vinhos que faz e valoriza as leveduras que se proliferam no próprio vinhedo

Bassetti e as barricas de carvalho – Foto: João LombardoBassetti e as barricas de carvalho – Foto: João Lombardo

“O que buscamos é identidade”. A frase é do vitivinicultor José Eduardo Bassetti, proprietário da Villaggio Bassetti, vinícola localizada no município de São Joaquim, na serra de Santa Catarina. Bassetti começou a produzir uvas e vinhos em 2005, seguindo a cartilha francesa. Fez vinhos notáveis. Inquieto, não se contentou. Queria inovar. Em 2011 lançou o Selvaggio, um Cabernet Sauvignon elaborado 100% com leveduras selvagens vindas, com a uva, do próprio vinhedo. O resultado foi como mágica, abriu um novo caminho para o produtor. Este ano, com exceção de um Sauvignon Blanc e do rosé, os outros nove rótulos da vinícola foram fermentados com leveduras selvagens. “A fermentação natural é a inovação”, acredita.

Engenheiro químico, José Eduardo Bassetti entrou no ramo da vitivinicultura motivado pela formação de vinhedos de uvas viníferas europeias nas altitudes de Santa Catarina. Ele pesquisou sobre o assunto e, em 2005, junto dos irmãos Marco Aurélio (engenheiro agrônomo) e Cesar Juliano (engenheiro mecânico), comprou a propriedade em São Joaquim, numa altitude média de 1250 metros com relação ao nível do mar.

Foto Villaggio Bassetti

Em 2008, a Villaggio Bassetti produziu seu primeiro vinho, um Cabernet Sauvignon coincidentemente batizado de Primiero, nome da comuna do Trentino Alto Ádige de onde vieram os antepassados dos proprietários. No ano seguinte, produziu o Montepiolli, um corte de Cabernet e Merlot. Em 2010, vieram o Sauvignon Blanc e o rosé Villaggio Bassetti.

Mínima interferência

Bassetti tem uma filosofia. “Nossa política é de mínima interferência. Fazer o vinho e expressar o nosso terroir”, afirma. Para ele, a fermentação dos vinhos com leveduras selvagens ou indígenas, além de uma inovação, é também uma forma de levar o terroir para dentro da garrafa, de deixar o vinho expressar todas as particularidades da região. Mas o produtor não para por aí.

As leveduras estão no vinhedo, presas as uvas – Foto: João LombardoAs leveduras estão no vinhedo, presas as uvas – Foto: João Lombardo

“Estou buscando fugir da madeira (barricas de carvalho). Sempre achei a madeira um mal necessário, ela dá uma arredondada nos vinhos”, reconhece. Há uma tendência no mundo, já há alguns anos, de diminuir o tempo de estágio em barricas e valorizar mais a fruta nos vinhos. Os espanhóis já fizeram isso. Os chilenos estão fazendo. Bassetti conta que, até o ano passado, todos os tintos da vinícola passavam por barricas. “Agora estou tirando”.

A família nos rótulos

A Villaggio Bassetti lançou o Pinot Noir Eli, o primeiro tinto da empresa sem madeira. O nome é uma homenagem a sua esposa, Eliana.

A propósito, o José Eduardo dá a seus vinhos nomes de familiares e amigos. Donna Enny é um Sauvignon Blanc estagiado em barricas que leva o nome de sua mãe. Ana Cristina é um Pinot Noir que homenageia uma sobrinha. Roberto, um 100% Sangiovese, tem o nome de outro sobrinho. Gio, um Syrah lançado este ano, homenageia a filha. E está para chegar ao mercado o Dio, um Merlot que homenageia o filho Diogo.

A linha Selvaggio

Bassetti ampliou a linha Selvaggio, o primeiro vinho com leveduras selvagens da vinícola. Hoje, além do Cabernet Sauvignon, há um Selvaggio Merlot em produção e o Selvaggio D’Manny, feito com Sauvignon Blanc.

A Villaggio Bassetti tem 12 hectares de vinhedos. Eles são plantados em alta densidade. São 6 mil plantas por hectare. Essa densidade estabelece uma competição natural entre as videiras, pelos nutrientes do subsolo. Isso reduz a produtividade e melhora a qualidade das uvas. Nos parreirais da vinícola, a produtividade é de 1 kg de uva por planta. A filosofia é trocar a quantidade pela qualidade das uvas.

Ao todo, são onze rótulos, nove de fermentação natural – Foto: João LombardoAo todo, são onze rótulos, nove de fermentação natural – Foto: João Lombardo

Ao todo, a Villaggio Bassetti produz onze rótulos de vinhos. O volume é de 35 mil garrafas anuais. Uma vinícola que busca dar identidade a seus vinhos e, consequentemente, à macro vitivinicultura da serra catarinense.

Veja as notas de prova de alguns vinhos da Villaggio Bassetti.

Foto João Lombardo

Gio Syrah 2018

100% Syrah. Estágio em barricas de carvalho americano. Cor rubi com reflexos violáceos. Nariz rico em frutas vermelhas, ameixa, cerejas; notas de especiarias doces, coco, chocolate, toques balsâmicos, resina. Paladar com acidez importante, taninos redondos, bom corpo, persistente em boca. Ótimo para acompanhar pratos condimentos, com toques de especiarias.

Foto João Lombardo

Eli Pinot Noir 2019

100% Pinot Noir. Sem passagem por barricas. Cor vermelho rubi. O nariz é um pomar de frutas vermelhas frescas, morango, cerejas, framboesas. Acidez deliciosa, gostoso no paladar, fresco, taninos finos. Acompanha bem carnes magras grelhadas, queijos leves e de meia maturação, massas com molho vermelho, pratos de frutos do mar mais intensos, como polvo. Vai bem com bacalhau a Gomes de Sá.

Foto João Lombardo

Ana Cristina Pinot Noir  2017

100% Pinot Noir. Um ano em barricas de carvalho francês. Cor vermelho rubi de média intensidade. Aromas de frutas vermelhas, cereja, framboesa, morango. Notas de especiarias doces, baunilha, sutil toque tostado. Paladar fresco, com frutas e especiarias, taninos redondos, macio, equilibrado. Ótimo com queijos de media maturação, massa com molho ao funghi, galeto, carnes magras grelhadas.

Foto João Lombardo

Donna Enny 2018

100% Sauvignon Blanc, estagiado em barricas de carvalho. Um Sauvignon diferente. Aromas de frutas cítricas, frutas de caroço maduras, toques da madeira, mel, ervas e especiarias. Gostosa textura em boca, acidez mineral, untuoso, persistente. Acompanha queijos maduros e de leite de ovelha, pratos elegantes com lagosta, camarões, uma boa moqueca.

Foto Villaggio Bassetti

Villaggio Bassetti Sauvignon Blanc 2017

100% Sauvignon Blanc. Cor palha esverdeado. Aromas cítricos, limão siciliano, e de frutas tropiais, maracujá. Toque herbáceo típico. Boca fresca, acidez deliciosa, frutado, cítrico e sápido no paladar. Untuoso e longo final.

Foto Villaggio Bassetti

Montepioli Cabernet Sauvignon 2018

Cabernet Sauvignon/Merlot. Passagem de um ano por barricas de carvalho. Nariz com aromas de geleia de frutas vermelhas, notas de especiarias doces e picantes, toque balsâmico de resina de pinheiro. Acidez gostosa, frutado no paladar, encorpado, taninos presentes e elegantes. Final longo. Ótimo com massas com molhos de carne e queijos intensos, churrasco, filés com molhos encorpados.

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