Após salvar a vida da irmã, há 20 anos, ex-jogador de handebol de SC carregará a tocha olímpica

Conheça a história do professor da Unisul que vai participar do revezamento da tocha olímpica

Abrir mão do sonho de disputar uma Olimpíada não é tarefa fácil. Mas foi o que fez o catarinense Gean Carlos Fermino, 41 anos, para salvar a vida da irmã mais velha. Maria Helena Fermino sofria de glomerulonefrite – uma infecção grave nos rins – e necessitava urgentemente de um transplante. Às vésperas dos Jogos Olímpicos de Atlanta 1996, o caçula não teve dúvidas. Doador com alto grau de compatibilidade, o então pivô da seleção brasileira de handebol desistiu do esporte e doou um dos rins para a irmã.

Rosane Lima/ND

Gean ao lado da mulher Fernanda e da filha Helena

A história voltou à tona duas décadas depois, quando a esposa de Gean, Fernanda Bonato Fermino, 33, reuniu depoimentos de familiares, amigos e ex-companheiros de time dele para indicá-lo para ser um dos condutores da tocha olímpica nos Jogos do Rio de Janeiro. A ligação do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) no fim do ano passado confirmando a escolha do agora professor da Unisul para conduzir a chama foi recebida com emoção entre os familiares.

“É muito especial, é um ciclo de vida que se fecha. Depois de deixar de participar de uma Olimpíada há 20 anos, ser escolhido para carregar a tocha agora, no meu país, é fantástico. Realizar um sonho de menino, poder se aproximar dos deuses do Olimpo, isso tem um significado extremamente forte para mim. Não fui de um jeito, mas vou de outro”, comemorou o ex-atleta.

Natural de Imbituba, Gean começou no esporte com 11 anos, na escola pública onde estudava. Aos 14, mudou-se para Florianópolis para cursar produção mecânica em uma escola técnica e para ter mais oportunidades no handebol. No ano seguinte, foi chamado para jogar pela equipe do Colegial, do Colégio Catarinense, que disputava os campeonatos estaduais e nacionais e, com 16, já defendia Florianópolis nos Jogos Abertos de Santa Catarina.

A primeira convocação para a seleção brasileira veio em 1993, mas acabou cortado depois do pré-Mundial em Itajaí. Mas em 95, após ter sido eleito o melhor pivô do Brasileiro Adulto em Maringá, recebeu nova chance e juntou-se à delegação do Brasil em São Paulo. Mas antes de embarcar para o Mundial em Mendoza, na Argentina, a descoberta da doença da irmã mudaria para sempre o destino de Gean.

“Eu embarquei para o Mundial já sabendo que seria minha última competição. Foi uma decisão difícil. Estava entre eu e minha irmã do meio, mas eu tinha uma compatibilidade maior com a Lena, os médicos diziam que as chances de o rim do sexo oposto “pegar” eram mais altas. E a força e a persistência dela de lutar contra doença me fizeram tomar a decisão mais acertada da minha vida”, ressaltou.

Ex-atleta nunca deixou esporte de lado

Mesmo após deixar de competir em alto rendimento por recomendação médica, Gean nunca abandonou o vínculo com o esporte. O ex-atleta se formou em Administração e tornou-se especialista em Engenharia de Produção e professor de Gestão, Planejamento, Projetos e Instalações Esportivas.

Deu aulas na Educação Física, fez parte do corpo técnico que planejou e definiu o modelo de gestão da Arena Jaraguá, em Jaraguá do Sul, e do Complexo Aquático da Unisul, em Palhoça, e ajudou a organizar o Mundial de surfe por sete anos em Imbituba, quando foi secretário de Turismo da cidade do litoral Sul catarinense.

Arquivo pessoal/ND

Gean ao lado da irmã Maria Helena, uma vida salva após transplante de rim em 1996

A irmã, Maria Helena, hoje com 48 anos, leva uma vida normal. Tornou-se doutora em Engenharia Agronômica, mudou-se para Porto Alegre e adotou três filhas com o marido. A família se reúne constantemente nas férias, em Imbituba, e a servidora pública ainda tem dificuldades para expressar em palavras o sentimento de gratidão pelo gesto de amor do irmão caçula.

“Na época, foi uma decisão bastante difícil para toda a família. Eu estava muito debilitada, mas também temia pelo Gean, caso algo saísse errado, afinal ele também passaria por uma cirurgia. Por fim, correu tudo bem e eu tive a oportunidade de recomeçar minha vida. Desde então, levo uma vida normal. Ainda tomo remédios e faço um acompanhamento a cada dois, três meses, mas tenho uma vida perfeita graças aquele ato dele de 20 anos atrás”, contou.

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