Juros têm forte queda na esteira de sell-off das bolsas em NY e tombo do petróleo

Os rendimentos dos títulos públicos dos Estados Unidos apresentaram baixa nesta véspera de Natal à medida que os investidores mostram cautela em meio à forte liquidação dos mercados acionários em Nova York. Pesam, ainda, novas ameaças do presidente americano, Donald Trump, contra o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) em um ambiente no qual os investidores avaliam a possibilidade de demissão do presidente do Fed, Jerome Powell.

Às 17h, quando as operações do mercado de Treasuries foram encerradas nesta segunda-feira, o juro projetado pela T-note de dois anos caía para 2,569%; o retorno da T-note de dez anos cedia para 2,736%; e o yield do T-bond de 30 anos recuava para 2,995%.

O fim de semana veio carregado de notícias, incluindo um relato de que Trump estaria cogitando demitir Powell do Fed após o banco central elevar os juros na última semana pela quarta vez no ano e indicar mais aumentos nas taxas em 2019. Funcionários do governo, como o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, e a porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, vieram a público desmentir a história, mas novas críticas de Trump à ação do Fed ecoaram nos mercados e geraram forte demanda por ativos defensivos, como os Treasuries, em uma sessão mais breve e com menor liquidez.

Nesse cenário, as ações foram duramente penalizadas nos EUA e fizeram com que os investidores migrassem para os bônus americanos, o que pesou nos rendimentos desses títulos. Outros ativos considerados seguros, como o iene japonês e os contratos futuros de ouro, também foram procurados pelos investidores.

Também pesou nos juros dos Treasuries o novo tombo dos preços do petróleo. Em Nova York, o contrato WTI para fevereiro caiu abaixo do nível de US$ 45, e chegou ao maior nível em mais de 17 meses após ver seu preço despencar quase 7%. Os valores mais baixos do petróleo sugerem menor pressão inflacionária no futuro, o que tende a influenciar os índices de preços e fazer com que bancos centrais, como o Fed, não tenham de efetuar um aperto monetário mais acentuado.

(Victor Rezende, São Paulo)

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