Alicerçada em tecnologia e inovação, Balneário Camboriú é a terra dos arranha-céus no Brasil

A DUBAI BRASILEIRA

Não é à toa que Balneário Camboriú, cidade do Litoral Norte de Santa Catarina com pouco mais de 45 mil km² de área territorial e população estimada em cerca de 149 mil pessoas, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), é conhecida como a "Dubai brasileira". Assim como sua 'xará' - a cidade mais populosa dos Emirados Árabes Unidos - é famosa por abrigar alguns dos maiores edifícios do mundo, Balneário Camboriú tem nove dos 10 arranha-céus mais altos do Brasil, segundo dados do Skyscraper Center, ranking do CTBUH (Conselho de Prédios Altos e Habitação Urbana). O décimo lugar fica em São Paulo.

Atualmente, o Plano Diretor do município não prevê um limite de altura para os prédios na área mais cobiçada da cidade, localizada entre a Avenida Atlântica e a Terceira Avenida, o que dá liberdade para as construtoras desafiarem os limites da construção. O perímetro onde estão os megaprédios equivale a cerca de 10% da área da cidade.

“A gente vê como uma coisa positiva porque fica para o construtor decidir. Por exemplo, 50 apartamentos podem ser construídos em um prédio mais baixo, com cinco por andar, ou em um prédio mais alto, com uma unidade por andar”, diz Rubens Spernau, engenheiro e gestor do TPC (Transferência de Potencial Construtivo) do município

Mas por que o município catarinense está nessa vanguarda? A resposta é investimento contínuo e pesado em tecnologia e inovação.

Para erguer prédios cada vez mais altos e imponentes e garantir a segurança e a qualidade de vida dos moradores e proprietários –  de jogadores de futebol e artistas famosos a sheiks árabes -, as construtoras estão sempre em busca do que há de mais moderno no mercado.

Exemplo disso são os elevadores. O prédio mais alto do Brasil, o One Tower, da FG Empreendimentos, tem os mesmos equipamentos usados no One World Trade Center, em Nova York, nos Estados Unidos. Isso significa que é possível subir do térreo à cobertura (a 290 metros de altura) em cerca de 50 segundos.

De acordo com Ricardo Scheidt, gerente da empresa que fabrica os elevadores do One Tower e os que serão instalados no empreendimento Infinity Coast, a tecnologia dos equipamentos inclui um quadro de comando desenvolvido especialmente para prédios altos que têm anemômetro (instrumento que mede velocidade).

“Em situações severas de vento, o sistema reduz a velocidade ou até desliga o elevador”

Ricardo Scheidt

“Fomos em busca de tecnologias de ponta e inovadoras, inserindo-as no mercado da construção civil, ampliando nossa força, ineditismo e pioneirismo”

Jean Graciola, presidente da FG Empreendimentos

Mais altos e firmes

Cidade queridinha de famosos milionários, Balneário Camboriú tem entre seus visitantes costumeiros o craque Neymar. Ele já garantiu um quadriplex na cobertura das torres gêmeas mais altas do Brasil, na Barra Sul. Além dele, os cantores Luan Santana e Alexandre Pires, além do astro do futebol português Cristiano Ronaldo, também integram o seleto rol de proprietários de apartamentos em Balneário Camboriú. E para garantir que moradores tão ilustres não sofram com as rajadas, minuciosos estudos de túnel de vento foram realizados ainda na fase de concepção do projeto.

Segundo o presidente da Pasqualotto&GT, Alcino Pasqualotto Neto, o Yatchhouse não balança. Isso porque suas duas torres, de 281 metros de altura cada, foram projetadas para serem mais pesadas que o necessário e terem duas lajes de travamento localizadas no 29º e no 51º andar.

Os testes foram feitos considerando as correntes de ar da região e as condições mais adversas, como tornados e ciclones. Segundo o presidente da construtora, o empreendimento suporta ventos de até 200 Km/h.

“Foram milhões de dólares investidos para que o prédio não balance”

Alcino Pasqualotto, presidente da Pasqualotto& GT Empreendimentos

Como são feitos os estudos

O estudo do túnel do vento é realizado em prédios tão altos para garantir a segurança e o conforto de quem escolhe morar acima das nuvens. Não há como impedir completamente que as estruturas balancem, mas, conforme explica André Bigarella, diretor de engenharia da FG, a tecnologia construtiva trabalha para que os moradores não sintam a oscilação.

Parcerias internacionais possibilitam que tecnologias de ponta sejam aplicadas nos prédios de Balneário Camboriú, inclusive com empresas que assinam projetos em Dubai (caso do Burj Khalifa, prédio mais alto do mundo, com 828 metros) e em Nova York, onde fica o One World Trade Center, com 541,3 metros. Bigarella ainda revela que a altura dos prédios só é definida após os estudos de túnel de vento, no limite onde as pessoas não sintam o movimento.

Ele  ressalta ainda que o estudo simula a atuação das correntes de ar em todos os lados e no entorno do prédio com “medições a cada 15º distribuídas em todas as fachadas. A análise é realizada por uma empresa inglesa, reconhecida internacionalmente como um dos centros de pesquisas e ensaios mais importantes do mundo”.

Esta técnica construtiva oferece pesquisas importantes sobre o efeito da vibração causada pelo vento. Os resultados são usados como referência para o desenvolvimento do projeto estrutural e da caixilharia (armação usada para o encaixe de placas de vidro ou de outros tipos de materiais translúcidos que formam a estrutura de uma janela, porta ou vitral).

Estudos de túnel de vento são recomendados, conforme explica Bigarella, a projetos com altura igual ou superior a 10 vezes a largura dos edifícios. Projetos com linhas curvas ou revestimentos em vidro, coberturas de estádio e de ginásios com grandes vãos, além de pontes pênseis (como a Hercílio Luz, em Florianópolis) e estaiadas também passam por pesquisas do tipo.

A engenheira civil Débora Kenig Alexandre, gestora de projeto do One Tower, é a pessoa por trás da torre que, entre os prédios já finalizados, é o mais alto do Brasil e da América Latina.

Segundo ela, a construção foi a mais desafiadora de sua carreira.

“Apesar de ter assumido o desafio após a fase estrutural, estive envolvida em todo o processo executivo de projetos específicos, como, por exemplo, o fechamento interno das unidades com drywall, algo que, para mim, era novo. A bagagem de conhecimento adquirida até hoje é imensurável e grande parte disto eu devo às equipes de Engenharia Aplicada e de Produção do One Tower, que me apoiam e auxiliam a todo momento. A grandiosidade do empreendimento é resultado da dedicação e do comprometimento de várias pessoas”, salienta.

Débora destaca, ainda, que tanta inovação vem sendo aplicada por uma equipe jovem, ligada ao que há de mais moderno e contemporâneo na construção civil. “Atualmente, na Engenharia Aplicada, temos uma equipe jovem. Isso só mostra como as oportunidades estão sendo oferecidas e como o futuro se baseia no novo, no desafio que está por vir. Empreendimentos extraordinários são desenvolvidos por pessoas extraordinárias e curiosas”, reflete.

"Há grande complexidade nos projetos do One, seja pelos sistemas inovadores que buscamos aplicar, ou pelo tamanho do empreendimento. São 84 pavimentos de puro aprendizado"

Débora Kenig Alexandre, engenheira

Elevadores megarápidos

Chegar do térreo ao 80º andar de um prédio em menos de um minuto. Pode até parecer exagero, mas os avanços da tecnologia tornaram realidade o que parece ter saído de um episódio do desenho futurista “Os Jetsons”.

No Yatchhouse, as torres gêmeas conhecidas como o “prédio do Neymar”, 10  dos 22 elevadores têm a tecnologia exclusiva no segmento de edifícios residenciais. Para garantir o funcionamento com percurso e velocidade elevados é necessário oferecer um sistema diferenciado em componentes mecânicos, cabos de tração com alongamento reduzido e grande performance mecânica.

Chamar esses potentes elevadores também envolve muita inovação: é necessário ter uma senha ou uma digital cadastrada para solicitar o equipamento diretamente no hall de cada andar. Tudo isso, é claro, com o intuito de garantir a segurança dos moradores.

"É preciso um sistema eletrônico confiável e de alta precisão e, principalmente, know how e expertise adquiridos através de instalações com este escopo ao redor do mundo"

Luis Mundim, gerente de Gestão de Vendas e Marketing de Novas Instalações da Atlas Schindler
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é o tempo que leva para subir 80 andares

Para o presidente do Sinduscon (Sindicato da Indústria e da Construção Civil) de Balneário Camboriú e Camboriú, Nelson Edilberto Nitz, o mercado superaquecido faz com que as pessoas procurem prédios mais altos. “Existe uma enorme demanda”, afirma. Além disso, a qualidade de vida e os bons índices de desenvolvimento humano de Balneário Camboriú atraem cada vez mais investidores e moradores.

“Nossa construção civil tem evoluído muito, os profissionais foram atrás de inovação, foram a Dubai, ao Panamá, aos EUA… Não se coloca um prédio desse sem muita tecnologia, sem estudos diferenciados”, finaliza.

E chegar tão alto custa caro. Para financiar tamanha tecnologia e vista exclusiva para uma das orlas mais famosas do Brasil, é preciso desembolsar valores na casa dos milhões. No Yachthouse, por exemplo, as unidades podem chegar a mais de R$ 8 milhões – e continuam aumentando.

O valor de cada imóvel varia conforme a altura: entre o apartamento mais barato e a cobertura, a variação de preço pode ser de até 80%. Isso, é claro, se o comprador não quiser personalizar a unidade. É o caso do craque Neymar, que tem feito inúmeras modificações em seu quadriplex.

 

Supervalorização

O estudo do túnel do vento é realizado em prédios tão altos para garantir a segurança e o conforto de quem escolhe viver tão alto. Não há como impedir completamente que as estruturas balancem, mas, conforme explica André Bigarella, diretor de engenharia da FG, a tecnologia construtiva trabalha para que os moradores não sintam a oscilação.

Todo esse luxo e exclusividade tem feito Balneário Camboriú escalar rapidamente no ranking das cidades com o metro quadrado mais caro do Brasil. De acordo com a FipeZap, em abril, o preço médio do metro quadrado para venda era de R$ 9.888. É mais que o registrado em São Paulo e no Rio de Janeiro, por exemplo.

Para o empresário do setor imobiliário Bruno Cassola, isso tem atraído cada vez mais investidores. Além disso, a alta demanda de imóveis também pode gerar uma redução da oferta por apartamentos de alto padrão. “A cidade virou uma ilha de oportunidades quando o assunto é mercado imobiliário”, afirma Cassola.

Ele acredita que imóveis de luxo de Balneário Camboriú possam valorizar até 100% – ou seja, dobrar de valor – nos próximos 10 meses. Por isso, donos de apartamentos de frente para o mar podem acabar “segurando” a venda para garantir preços mais altos e maior lucro.

“Os apartamentos de luxo em Balneário Camboriú têm um índice de valorização muito acima da média nacional”, explica Cassola. 

“Há apartamentos de luxo que há poucos dias custavam R$ 3,3 milhões e, após unidades da construtora serem 100% vendidas, como a procura continua alta, em menos de 60 dias passaram a valer R$ 5 milhões. Em outros casos, após a entrega das chaves, o imóvel saltou de R$ 6,9 milhões para R$ 10,5 milhões. Tudo depende, claro, da localização, da solidez da construtora, do padrão do empreendimento e da matéria-prima empregada na construção. Mas, em se tratando de imóveis de luxo em Balneário Camboriú, todos estes quesitos são preenchidos com frequência”, afirma.

"A cidade virou uma ilha de oportunidades quando o assunto é mercado imobiliário"

Bruno Cassola, empresário do setor imobiliário

Reportagem: KÁSSIA SALLES | Edição: LUCIANA PEREIRA | Edição digital: LUIS DEBIASI | Fotos:  ARQUIVO / BRUNO GOLEMBIEWSKI / ND; FG EMPREENDIMENTOS / DIVULGAÇÃO / ND; PASQUALOTTO & GT/DIVULGAÇÃO / ND; ARQUIVO MUNICIPAL / PREFEITURA DE BALNEÁRIO CAMBORIÚ / DIVULGAÇÃO / ND / iSTOCK

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