Aos trancos e barrancos, obra na avenida das Rendeiras em Florianópolis está 40% concluída

Problemas de acessibilidade, ritmo da revitalização e qualidade da obra preocupam quem usa diariamente e quem gosta de passear nas Rendeiras

Rodrigo Schmidt, 45 anos, mora há mais de duas décadas em Florianópolis. Deficiente visual, ele conta que gosta de passear na Lagoa da Conceição, mas não se sente totalmente seguro na avenida das Rendeiras. Desde outubro de 2020, a prefeitura está revitalizando a via.

Em diversos trechos, o piso direcional coloca deficientes visuais em perigo – Foto: Leo Munhoz/NDEm diversos trechos, o piso direcional coloca deficientes visuais em perigo – Foto: Leo Munhoz/ND

No momento, 40% do trabalho está concluído, mas os transtornos à população são imensos. Para a associação do bairro e o Ministério Público, a obra peca em acessibilidade, qualidade e velocidade.

No entendimento de Schmidt, os deficientes visuais correm risco ao passear nas Rendeiras, principal via do bairro. O piso guia do novo passeio, por exemplo, tem um penhasco à esquerda e é interrompido, em diversos trechos, por árvores.

“Me sinto violado. Isso tira meu direito de ir e vir. No mesmo lugar, na mesma Lagoa, tem um pedaço que tu consegue, outro que tu não consegue caminhar”, lamentou Schmidt.

Na manhã desta quinta-feira (26), o promotor de Justiça Daniel Paladino conduziu uma nova vistoria na obra. Mais uma vez, ele não gostou do que viu: “A última vistoria foi em novembro de 2021 e foram detectados inúmeros problemas. O principal seria a colocação do piso direcional na borda do passeio público, onde quem tem deficiência visual ou baixa visão pode cair”.

Em busca de soluções, Paladino vai pedir encontro com a prefeitura nos próximos 15 dias – Foto: Leo Munhoz/NDEm busca de soluções, Paladino vai pedir encontro com a prefeitura nos próximos 15 dias – Foto: Leo Munhoz/ND

Segundo o promotor, em termos de acessibilidade, o passeio segue com uma série de problemas que, apesar das recomendações da promotoria, não foram solucionados.

Além das questões de acessibilidade, a obra na pista também tem problemas. “Ali a questão é de má execução. O paver já está soltando, então, a equipe está refazendo o que já foi feito, gerando desperdício de dinheiro público”.

O promotor vai fazer contato com a prefeitura, nos próximos 15 dias, tentando um acordo para interromper momentaneamente os trechos que estão em desconformidade com as normas de acessibilidade e para dar ênfase à revisão do projeto.

Presente na vistoria do Ministério Público, a diretora de planos e análises territoriais do Ipuf (Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis), Cibele Assnann disse que, como a obra está em andamento, é difícil analisar e que ainda tem muitos ajustes que precisam ser feitos:

“O que a gente pode garantir é que, no final, tudo vai estar adequado às normas de acessibilidade, ao manual Calçada Certa, que guia a execução de calçadas no município. O que a gente objetiva, nesse projeto aqui, é que a gente tenha acessibilidade para todos. Além de atender a acessibilidade universal, ter uma boa caminhabilidade para cadeirantes, mas também para pessoas com carrinho de bebê e idosos”.

Associação pede término da obra

Presidente da Amolagoa (Associação de Moradores da Lagoa da Conceição), Bruno Negri conta que a associação apresentou um dossiê à prefeitura e ao Ministério Público com diversas preocupações em relação a execução da obra.

“Outro grave problema é a velocidade da execução da obra, que já está bastante atrasada. Pode parecer loucura, mas estamos em maio e nos preocupa entrar em mais uma temporada com isso assim. Já seria a terceira”.

Segundo Negri, o pleito da associação é simples: a obra concluída corretamente. “Não é pedir demais. Dentro desse corretamente existe, desde a má execução da obra na pista, nas calçadas, na ciclovia e no sistema de drenagem”.

Sobre a drenagem, por exemplo, ele disse que ficou tão ruim, que cria poças na avenida e, em alguns pontos, a drenagem joga água para dentro das casas. “Temos casos de moradores que precisam sair usando bota de casa”, conta.

As reclamações da população chegam diariamente à associação. “Tem um comerciante na Joaquina que está com 1/4 do movimento e que os clientes dizem que não estão frequentando o restaurante porque a obra nas Rendeiras não acaba, suja o carro todo, gera trânsito, risco de batida. Está atrapalhando muito. Por isso, o que queremos é que terminem logo”.

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